“A primeira forma de torturar foi me arrancar a roupa. Lembro-me que ainda tentava impedir que tirassem a minha calcinha, que acabou sendo rasgada. Começaram com choque elétrico e dando socos na minha cara. Com tanto choque e soco, teve uma hora que eu apaguei. Quando recobrei a consciência, estava deitada, nua, numa cama de lona com um cara em cima de mim, esfregando o meu seio. Era o Mangabeira [codinome do escrivão de polícia de nome Gaeta], um torturador de lá. A impressão que eu tinha é de que estava sendo estuprada. Aí começaram novas torturas. Me amarraram na cadeira do dragão, nua, e me deram choque no ânus, na vagina, no umbigo, no seio, na boca, no ouvido. Fiquei nessa cadeira, nua, e os caras se esfregavam em mim, se masturbavam em cima de mim. A gente sentia muita sede e, quando eles davam água, estava com sal. Eles punham sal para você sentir mais sede ainda. Depois fui para o pau de arara. Eles jogavam coca-cola no nariz. Você ficava nua como frango no açougue, e eles espetando seu pé, suas nádegas, falando que era o soro da verdade. Mas com certeza a pior tortura foi ver meus filhos entrando na sala quando eu estava na cadeira do dragão. Eu estava nua, toda urinada por conta dos choques. Quando me viu, a Janaína perguntou: ‘Mãe, por que você está azul e o pai verde?’.

MARIA AMÉLIA DE ALMEIDA TELES, ex-militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), era professora de educação artística quando foi presa em 28 de dezembro de 1972, em São Paulo (SP) pela ditadura militar no Brasil.

Período de uma ditadura que não podemos, e não devemos permitir que volte acontecer. O golpe de 64 não encontrou nenhum ato de corrupção do governo deposto. Durante toda a ditadura a corrupção correu solta sem ser incomodada pela polícia e pelo Ministério Público e nem tão pouco pelo Judiciário. Durante toda a ditadura não teve nenhum corruptor preso!

Fiquemos atentos As palavras que a direita coloca nas bocas da massa. Caos é a palavra chave. Caos na educação, caos na saude, caos no transporte, caos na segurança, caos na politica. Pretesto para o exército intervir, desaquartelar e dar o golpe. As Forças Armadas não agem contra o ‘caos’, mas são parte fundamental dele

Talvez não exista momento mais propício do que este para se lembrar da frase de Adorno e Horkheimer, para quem há horas em que não há nada mais estúpido do que ser inteligente. A frase se referia à incapacidade de setores da sociedade alemã de encararem claramente os signos de ascensão do nazismo no começo dos anos 1930 e pararem de procurar explicações sutis e inteligentes sobre a impossibilidade de o pior ocorrer. Dificilmente raciocínio dessa natureza não se aplicaria ao Brasil atual.

De fato, nosso país tem ao menos a virtude da clareza. E foi com a clareza a guiar seus olhos redentores que o general Antonio Hamilton Mourão revelou aos brasileiros que as Forças Armadas têm um golpe militar preparado, que há uma conspiração em marcha a fim de destituir o poder civil. Para mostrar que não se tratava de uma bravata que mereceria a mais dura das punições, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas descartou qualquer medida e ainda foi à televisão tecer loas a ditaduras e lembrar que, sim, as Forças Armadas podem intervir se o “caos” for iminente.

O “caos” em questão não é a instauração de um governo ilegal e brutalizado saído dos porões das casernas. Ao que parece, “caos” seria a situação atual de corrupção generalizada. Só que alguém poderia explicar à população de qual delírio saiu a crença de que as Forças Armadas brasileiras têm alguma moral para prometer redenção moral do país.

Que se saiba, quando seus pares tomaram de assalto o Palácio do Planalto, cresceram à sua sombra grandezas morais do quilate de José Sarney, Paulo Maluf, Antonio Carlos Magalhães: todos pilares da ditadura. Enquanto eles estavam a atirar e censurar descontentes, o Brasil foi assolado por casos de corrupção como Capemi, Coroa Brastel, Brasilinvest, Paulipetro, grupo Delfin, projeto Jari, entre vários outros. Isso mesmo em um ambiente marcado pela censura e pela violência arbitrária.

De toda forma, como esperar moralidade de uma instituição que nunca viu maiores problemas em abrigar torturadores, estupradores, ocultadores de cadáveres, operadores de terrorismo de Estado, entre tantas outras grandes ações morais? As Forças Armadas brasileiras nunca tomaram distância dessas pessoas, expondo à nação um mea-culpa franco.

Ao contrário, elas os defenderam, os protegeram, até hoje. Que, ao menos, elas não venham oferecer ao país o espetáculo patético de aparecerem à cena da vida pública como defensoras de um renascimento moral feito, exatamente, pelas mãos de imoralistas. As Forças Armadas nunca foram uma garantia contra o “caos”. Elas foram parte fundamental do caos.

É verdade que setores da sociedade civil sonham com mais um golpe como forma de esconder o desgoverno que eles mesmos produziram. Há setores do empresariado nacional que articulam abertamente nesse sentido, sonhando como isto não terem que se confrontar mais com uma população que luta pelos seus interesses. Para tanto, eles apelam ao artigo 142 da Constituição de 1988.

Este artigo fora, desde o início, uma aberração legislativa imposta pelos próprios militares. Ele legalizava golpes de Estado, da mesma forma que o artigo 41 da República de Weimar, que versava sobre o estado de emergência, permitiu a ascensão da estrutura institucional do nazismo. Segundo o artigo, se qualquer poder chamar as Forças Armadas para garantirem a ordem, se digamos o sr. Rodrigo Maia fizer um apelo às Forças Armadas porque há “caos” em demasia, o golpe está legalizado. Ou seja, é verdade, nossa Constituição tinha uma bomba-relógio no seu seio. Bomba pronta a explodi-la, como agora se percebe.

Contra essa marcha da insanidade, há de se lembrar que, se chegamos ao ponto no qual um general na ativa pode expor abertamente que conspira contra o poder civil, então cabe àqueles que entendem não terem nascido para serem subjugados pela tirania, que não estão dispostos a abrir mão do resto de liberdade que ainda têm para se submeter a mais uma das infindáveis juntas latino-americanas, prepararem-se para exercer seu mais profundo direito: o direito de resistência armada contra a tirania.

Que os liberais se lembrem de John Locke e de seu “Segundo Tratado sobre o Governo”. Que os protestantes se lembrem de Calvino e de sua “Instituição da Religião Cristã”. E que o resto se lembre que a liberdade se defende de forma incondicional.

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No dia 29/09 As 19h o Centro de Inclusão Social pelas Artes, Culturas, Trabalho e Educação – #CISARTE apresenta, em parceria com a UniSol São Paulo, Associação Cultural e Educacional Movimento Hip Hop Revolucionario – #MH2R, Kaqui Soluções Web, Cooperativa de Trabalho, Assessoria Tecnica, Extensão Rural e Meio Ambiente – #AMATER, mais uma grande oportunidade de conectar ecossistemas e cadeias produtivas para novos arranjos produtivos de impacto.

Momento coletivamente construindo para trocas com empreendedores (as) nos seguimentos de produtos e serviços com vies popular e comunitario nas areas das tecnologias, ecoturismo, alimentação, agricultura familiar, artesanato, logistica, comunicação, estetica, cooperativismo, associativismo, economias criativa, solidaria e das culturas.

Neste encontro teremos a presença de Claudio Thiago Avila Menezes, empresario e organizador de grandes eventos e programas de aceleração e desenvolvimento de ONG’s e projetos sociais no Brasil e no exterior, a exemplo do Banko Challenge, BootCamp (na favela de Paraisopolis), entre outras ações.

A proposta foi planejada com a intenção de articular e organicizar uma Rede de Serviços e Produtos integrando ecossistemas e cadeias produtivas para a produção de;

  • Networking
  • Mapeamento
  • Diagnóstico
  • Produção;
  • Participação
  • Colaboração

De forma programática e metodologicamente estratégica estamos discutindo e construindo ações diretas, com o objetivo de reposicionar o segmento de serviços populares e comunitarios, seus praticantes e militantes no #Cooperativismo, #Associativismo e das #EconomiaSolidaria, #EconomiaCriativa e #EconomiaDasCulturas em um mercado cada vez mais propicio para o sucesso, geração de trabalho, renda e desenvolvimento social e local.

Para participar do grupo pelo whatsapp segue o link abaixo:

https://chat.whatsapp.com/1LuG2XCY67u32AZFPtZpRA

Ao entrar no grupo pedimos uma breve apresentação sua e de seu coletivo / empreendimento se participar de algum.

Temos tambem o formulário no link: https://goo.gl/PeZMqH onde vamos analisar e encaminhar as demandas dos empreendimentos/coletivos e propor ações conjuntas em arranjos produtivos locais.

Esta ação tem alem dos objetivos ja apresentados, mapear coletivos e empreendimentos e conectar ações e ideias ao Projeto de Economia Solidária como Estratégia de Desenvolvimento, como um eixo de conexão transversal aos demais setoriais.

Esta mobilização e sistematização são de grande importância para gerarmos oportunidades práticas para os coletivos e empreendimentos, assim como desenvolver novos espaços e possibilidades de escoamento de produtos e serviços, além de políticas públicas para Economia Solidária, Criativa e das Culturas para este setorial.

Saiba um pouco mais sobre o palestrante em https://www.linkedin.com/in/claudiothiagoavilamenezes

Absurdo ver o Comandante Da ROTA – Mello Araújo, um oficial da PM de São Paulo, defender tratamento desigual e discriminatório entre moradores dos jardins e da periferia. A abordagem da policia NÃO pode e não deve ser diferente em nenhum dos bairros ou cidade do estado de São Paulo.

O Policial não deve ser mais educado com o branco dos jardins do que com os jovens negros da periferia. A afirmação do comandante da Rota foi criminosa – pois é discriminatória, fere o artigo 5 da constituição, fere a declaração universal dos direitos humanos e fere o próprio regulamento da policia militar. Nenhuma Lei autoriza tratamento diferente de pessoas.

Não no Brasil. Como cidadão brasileiro sinto violentada minhas garantias fundamentais diante das afirmações de um comandante da policia militar. Enquanto conselheiro do CONDEPE-SP farei tudo ao meu alcance para combater discriminações como estas. #direitoshumanos #chegadediscriminação

LEI COMPLEMENTAR Nº 893, DE 09 DE MARÇO DE 2001.

Artigo 8º – Os deveres éticos, emanados dos valores policiais-militares e que conduzem a atividade profissional sob o signo da retidão moral, são os seguintes:

XXIV – exercer a profissão sem discriminações ou restrições de ordem religiosa, política, racial ou de condição social;

XXIX – observar os direitos e garantias fundamentais, agindo com isenção, eqüidade e absoluto respeito pelo ser humano, não usando sua condição de autoridade pública para a prática de arbitrariedade;

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/08/24/abordagem-no-jardins-e-na-periferia-tem-de-ser-diferente-diz-novo-comandante-da-rota.htm

Alderon Costa e Anderson Lopes Miranda*

Essa é uma frase que poderia ser dita por qualquer pessoa que vive ou já passou pela situação de ter que morar na rua. Mas ela foi dita por Maria Aparecida Ribeiro, 30 anos, 28 deles vividos nas ruas do Distrito Federal. Há dois anos conseguiu sair, segundo contou no dia 18 de agosto de 2017, durante o ato pelo Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, registrado por Marina Junqueira.

O fato de Maria relatar que a fome é uma das grandes dificuldades das pessoas que são obrigadas a viver em situação de rua, ou seja, nas calçadas, marquises, praças, enfim, nos espaços vazios das cidades, demonstra o grande desafio que os gestores e a sociedade têm pela frente. Pesquisa publicada pelo Instituto de Pesquisa Aplicada – Ipea no início desse ano apontou que no Brasil existem mais de 100 mil pessoas morando nas ruas. Só em São Paulo, no ano de 2015, eram mais de 15 mil pessoas nestas condições, segundo dados da pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas – Fipe. Essas pessoas têm na sua existência a violação de todos os direitos humanos. A sua própria existência é a triste demonstração de que esses direitos não alcançaram boa parte das pessoas.

Se morar na rua é o sinal mais evidente da situação de desigualdade social em que vivemos, ter pessoas que vivem com fome é a clara demonstração da desumanização de toda a sociedade.

Como pode haver fome em um pais que é considerado o terceiro maior produtor mundial de alimentos?

Por que não há políticas públicas que garantam a segurança alimentar?

A prioridade das políticas é retirar as pessoas em situação de rua da visão dos cidadãos e cidadãs que têm onde morar. Por essa razão, investe-se em Centros de Acolhida para abrigar as pessoas. Mas mesmo nestes espaços a questão da alimentação está entre as maiores reclamações. As principais reclamações dizem respeito à questão da segurança, da falta de higiene e da alimentação.

Aqui é importante destacar que a maioria dos Centros de Acolhida funcionam somente à noite e, portanto, as pessoas ali abrigadas só têm direito a uma ou duas alimentações por dia. As reclamações vão desde a quantidade, a qualidade, até a forma de servir aquela comida. Para alguns, comer nos Centros de Acolhida é uma forma de não morrer de fome.

E como ficam as pessoas que não frequentam esses espaços?

Onde comem e o que comem?

Ainda é frequente vermos pessoas revirando cestos de lixo atrás de comida. Mas, a maioria sobrevive nas ruas em razão das doações de voluntários, sobras de restaurantes ou daquelas entidades que têm a missão de fornecer alimentação nas ruas. Normalmente, estas organizações servem sopas nas ruas pela praticidade de preparo e distribuição.

A preocupação com a qualidade, a diversidade e a saúde das pessoas muitas vezes passa longe da visão das entidades ou voluntários. É um trabalho de características emergenciais.

E as políticas públicas de segurança alimentar?

Elas existem?

Em São Paulo, um programa de segurança alimentar que alcance as pessoas em situação de rua é um grande desafio. Algumas experiências já foram realizadas. Um primeiro projeto que se preocupou com a questão da alimentação teve seu início na década de 1980. Nele, se aproveitava os restos de uma feira livre e se aplicava a pedagogia freireana, o fazer com. Assim, uma vez por semana se reuniam pessoas em situação de rua e voluntários para fazer uma grande sopa.

No início, o projeto contava, em média, com 30 participantes. Porém, no início dos anos de 1990 chegou a fazer comida para mais de 400 pessoas. Com o tempo, este espaço se tornou um projeto social e com o fim da feira, continuaram a servir alimentos no mesmo espaço, só que agora sem o apelo pedagógico do fazer com.

Na semana passada, dia 9 de agosto, se fez a memória dos 20 anos do falecimento do Herbert José de Sousa, conhecido como Betinho, que criou o projeto Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida que trouxe uma grande contribuição para o fomento de projetos para eliminar a fome por meio da solidariedade. Naquele período, surgiu entre as pessoas em situação de rua a ideia de criar um restaurante popular que produziria a alimentação a partir de doações, cobrando um preço simbólico das pessoas em situação de rua. O projeto recebeu o nome de “Cascudas Restaurante”, trazendo a memória da lata de leite ninho que era usada pelas pessoas para pedir comida.

Como muitas vezes não era possível lavá-la, a latinha criava uma casca. O restaurante era administrado por um grupo de pessoas em situação de rua, assessorado por voluntários. A ideia era ter uma alimentação boa, barata, servida com dignidade, no estilo de um restaurante, inclusive com garçom, mesa, talheres e tudo mais. O projeto funcionou por muitos anos nos moldes de cooperativa e, além da boa alimentação, barata e servida com dignidade, ainda criava postos de trabalho remunerado para mais de 15 pessoas.

Com o tempo, as doações diminuíram e o projeto não conseguiu se sustentar. Nos anos 2000, surgiu outro projeto, que seria um piloto para a cidade de São Paulo. Apesar da preocupação dos comerciantes do centro da cidade em retirar as pessoas dessa área, o que gerou conflitos entre eles e as organizações que distribuíam comida, iniciou-se um diálogo para a criação de espaços de alimentação.

Assim, as organizações que doavam alimento nas ruas puderam fazer suas doações fora do centro, em lugar mais digno, evitando ainda que as pessoas comessem nas ruas. O projeto era aberto e criou-se um calendário de distribuição de alimentação com as organizações que se cadastraram. O trabalho teve inicio, mas o modelo não funcionou por muito tempo, pois além do questionamento sobre a qualidade da comida servida e da regularidade, as organizações não queriam somente servir alimentação, tinham outros objetivos.

A alimentação, por muitas vezes era uma forma de aproximação ou um espaço de divulgação da missão da entidade. Os conflitos internos não demoraram a aparecer e com o surgimento do debate da segurança alimentar e do papel do poder público em fornecer alimentos, iniciaram-se tratativas com a prefeitura para assumir toda a alimentação.

Inicialmente, foram fornecidos ingredientes, como carne e frutas para fortalecer a alimentação. Hoje, o projeto “Restaurante Penaforte Mendes” fornece alimentação para 500 pessoas por dia por meio de convênio com a prefeitura de São Paulo. São três refeições diárias fornecidas num espaço preparado, com controle de qualidade da alimentação, com profissionais qualificados. Infelizmente, restou como único projeto piloto, ainda com algumas precariedades, como a quantidade de alimentação e as condições do prédio.

Também recentemente surgiu um programa estadual de grande envergadura para possibilitar que as pessoas de baixa renda pudessem se alimentar por um preço simbólico de R$1,00. O “Bom Prato” foi um sucesso, e parecia ser a solução de todo o problema. Mas logo vieram as dificuldades de acesso das pessoas em situação de rua, devido à sua condição, pela falta de dinheiro e pela quantidade de pessoas que procuravam o programa. O “Bom Prato” é um programa importante, mas atinge principalmente os trabalhadores de baixa renda, excluindo a população de rua. Na mesma linha do Bom Prato surgem os programas federais de restaurantes populares.

O Ministério do Desenvolvimento Social fornecia a estrutura e os municípios ficavam responsáveis pela gestão e o fornecimento da alimentação. Alguns municípios, inclusive, passaram a utilizar cartões magnéticos para garantir que a população em situação de rua tivesse acesso gratuito garantido.

O fato é que até hoje, todos esses projetos e programas não responderam adequadamente à real necessidade das cidades onde vivem um grande número de pessoas em situação de rua. O desafio de eliminar a fome entre as pessoas em situação de rua é atual e urgente. Hoje, a sobrevivência de várias pessoas depende da implantação de uma política alimentar segura, de qualidade, ampla e com acesso facilitado.

A maioria das políticas públicas de Centro de Acolhida incluem hoje em sua grade a alimentação. No entanto, elas são insuficientes, inclusive para aqueles que as procuram. Além disso, os que não acessam estes espaços não podem ficar a mercê da caridade social. A criação de política alimentar para as pessoas em situação de rua se faz necessária e urgente, pois elas também são sujeitos de direito. A alimentação está no cardápio da conquista da dignidade e com uma boa política de habitação podemos avançar nos caminhos da inclusão social desse grande número de pessoas em situação de rua.

*Alderon Pereira da Costa é ouvidor-geral da Defensoria Pública do Estado de São Paulo – foi editor do jornal O Trecheiro e membro do Comitê Interministerial de Política Pública da População em Situação de Rua. Anderson Lopes Miranda é conselheiro do Consea, representante do Movimento Nacional da População em Situação de Rua.

  • É injusta, discriminatória, vergonhosa e genocida a iniciativa do governo Temer, por meio do Ministro da Justiça Torquato Jardin, de anular a declaração de tradicionalidade Guarani da terra indígena Jaraguá, no estado de São Paulo.
  • Ao anular a portaria 581/15, que reconhece como de posse permanente dos Guarani uma área aproximada de 512 hectares, por meio da Portaria 683/17, publicada neste 21 de agosto, o governo Temer condena mais de 700 Guarani a viverem confinados em 03 hectares de terra, espaço flagrantemente insuficiente para os mesmos viverem de acordo com seus usos, costumes, crenças e tradições.
  • Ao tentar justificar a anulação da Portaria 581/15 afirmando que a mesma só teria legalidade e validade se publicada no máximo 5 anos após a demarcação dos 03 hectares, em 1987, o governo Temer pune os próprios Guarani pela omissão e morosidade do Estado brasileiro. Com a Portaria 683/17, o governo Temer anula o direito dos Guarani à sua terra pelo fato deste direito não ter sido reconhecido há, pelo menos, 25 anos pelo Estado brasileiro.
  • Ao culpar e punir as vítimas, Temer eleva ainda mais o nível de cinismo e de injustiça do seu governo. Não restam dúvidas de que o governo Temer é o mais antiindígena desde a ditadura militar. Além de não ter publicado portarias declaratórias e decretos de homologação de terras indígenas, Temer agride os povos originários e seus direitos com radicalismo e recorrência.
  • Dentre outras iniciativas, neste sentido, podemos citar: a Portaria 80/17, que institui um Grupo de Trabalho para rever procedimentos de demarcação de terras indígenas no âmbito do Ministério da Justiça; o Decreto 9010/17, que eliminou mais de 300 cargos do quadro de pessoal da Fundação Nacional do Índio (Funai); o Parecer 001/17 da AGU, aprovado pelo Presidente Temer, que, em total desrespeito às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), obriga toda a administração pública a aplicar a tese do Marco Temporal e condicionantes em todos os processos de demarcação de terras indígenas no Brasil.
  • O governo Temer funciona como um escritório avançado de latifundiários e de grandes corporações empresariais, muitas delas multinacionais, ligadas ao agronegócio no Brasil. Enquanto estes espalham o terror no campo e nas florestas por meio de assassinatos em série e grilagem em massa de terras públicas, o governo Temer os premia e os ajuda estruturalmente na tentativa de eliminarem os povos indígenas, quilombolas, pescadores e pescadoras artesanais, demais comunidades tradicionais, pequenos agricultores, posseiros, campesinos e trabalhadores rurais sem terra no Brasil.
  • A exportação de commodities agrícolas é o combustível que abastece e legitima o funcionamento dessa máquina da morte Brasil afora. A sociedade brasileira, a comunidade internacional e os governos cujos países importam essas mercadorias precisam estar cientes disso e devem tomar medidas efetivas para colocar um freio nessa situação.
  • Diante dos golpes e agressões em curso contra os povos originários, cumpre-nos fazer ressoar as palavras do Papa Francisco que interpela o mundo ao afirmar que “com efeito, para eles, a terra não é um bem econômico, mas dom gratuito de Deus e dos antepassados que nela descansam, um espaço sagrado com o qual precisam de interagir para manter a sua identidade e os seus valores.
  • Eles, quando permanecem nos seus territórios, são quem melhor os cuida”. (Laudato Si 146). Repudiamos com veemência a publicação da Portaria 683/17 e cobramos sua imediata revogação. Por fim, manifestamos irrestrita solidariedade aos Guarani e com eles afirmamos: o Jaraguá é Guarani.
  • Brasília, DF, 22 de agosto de 2017
  • Conselho Indigenista Missionário-Cimi

Via Instituto de Defensores de Direitos Humanos – DDH

O DDH informa que Rafael Braga Vieira está internado, desde o dia 17 de agosto, na Unidade de Pronto Atendimento e Hospital Dr. Hamilton Agostinho Vieira de Castro, localizada no Complexo Penitenciário de Gericinó – Rio de Janeiro.

Informações preliminares apontam que Rafael Braga estaria com suspeita de tuberculose, mas, até o momento, a defesa não obteve acesso ao prontuário médico de Rafael. Desse modo, não é possível precisar o estado de saúde de Rafael, bem como a quais exames ele já foi submetido.

Na última quarta-feira (16/08), advogados do DDH estiveram na Penitenciária Alfredo Tranjan e ouviram de Rafael a queixa sobre uma tosse persistente que não teria sido tratada. A situação relatada está longe de ser um fato isolado, ao contrário, é o retrato de um cenário dramático. Infelizmente, o Estado Brasileiro vem permitindo que um surto de tuberculose se alastre pelo sistema penitenciário nacional sem que sejam tomadas medidas adequadas para a interrupção da insalubridade (https://goo.gl/xI0FZf).

Cabe ressaltar que nem a defesa, nem os familiares e apoiadores de Rafael Braga foram notificados sobre a sua transferência para uma unidade hospitalar. A informação só foi descoberta quando Adriana Braga, mãe de Rafael, tentou, sem sucesso, visitá-lo no último domingo.

O DDH está trabalhando administrativamente para obter todas as informações acerca do estado de saúde de Rafael. Adotaremos, em breve, as medidas judiciais cabíveis para lhe garantir um tratamento de saúde digno, na forma determinada pela Constituição Cidadã de 1988.

Reiteramos, uma vez mais, o nosso estrito compromisso com a liberdade e integridade física e psicológica de Rafael Braga Vieira.

#LibertemRafaelBraga

Por que está inércia de grande parte da militância na defesa de direitos em São Paulo? 

Está posto e entendido que o prefake de São Paulo tem um projeto fechado com a especulação imobiliária, que tem planos faraonicos para a cidade e sobretudo para a região da #Luz a muitos anos. Desse a gestão Kassab, que a época foi apelidado de Nero, pelos seguintes incêndios em comunidades afaveladas.

João Doria em conluio com o governo do estado vem se apoiando na dita “guerra as drogas” para higienizar a região, com ações eugenistas ele vem desde retirar os coletivos de intervenção humanitária que a anos fazem um trabalho com aquela população, a evitar com sirenes e luzes das viaturas da Polícia que as pessoas durmam e se locomoção no acesso às parcas políticas públicas ainda existentes, pois o mesmo vem sistematicamente acabando com programas e projetos de saúde, inclusão com geração de renda e redução de danos sem colocar outra política pública no lugar.

“SÃO PAULO ESTÁ UM LIXO!”

A frase não é minha, mas de João Dória Jr. Foi proferida em 4 de dezembro passado, mas poderia ser repetida hoje. À época representava um certo exagero, pelo menos no que é visível para a classe média. Para as periferias, o quadro era, como sempre, muito problemático.

Mas agora, o abandono do que se chama zeladoria pelo alcaide que estreou fantasiado de gari atingiu píncaros espantosos até nas regiões centrais.

Buracos em profusão nas ruas, mato crescendo em parques e praças, lâmpadas queimadas, semáforos inativos, lixo pelas ruas e muito mais derrubam ainda mais a imagem de quem ficará marcado como autor de um esboço de pogrom na Cracolândia.

Dória nunca foi gestor de nada. Propagou a ideia em campanha para difundir o senso comum de que o setor público precisaria de uma hipotética eficiência privada. Bobagem. O setor privado vive da apropriação privada do lucro de forma desigual. O  público deveria se basear na apropriação social do excedente, na forma de serviços e da manutenção e melhorias dos espaços comuns a todos.

O prefeito nunca administrou uma fábrica, nunca supervisionou a feitura de um parafuso sequer. Dirigiu, isso sim, empresas de marketing e de lobbies, mantidas em boa parte através de contratos firmados com o Estado (não apenas aqueles geridos pelo tucanato, mas também por administrações petistas).

O caos urbano se acentua pari-passu aos projetos de privatização de áreas verdes, estádios e outros equipamentos, à destruição das ciclovias, ao aumento da velocidade nas marginais e à cruel política de higienismo social num país que adentra o terceiro ano de depressão contínua.

João Dória Jr. ainda é levado a sério por conta de uma mídia sabuja e comprometida até o talo com seu vezo privatizante e por setores das oligarquias que veem no almofadinha uma de suas últimas chances no jogo institucional para 2018.

Dória é uma fraude. A promessa de voos mais altos não aguenta mais seis meses de vandalismo administrativo, insensibilidade social e inépcia política.

Pensando bem, não é São Paulo que é um lixo. É seu “jestor”.