A Cultura Hip Hop em Movimento Social e as Políticas de Afirmação

Publicado: outubro 29, 2014 em Uncategorized
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A Cultura Hip Hop em Movimento Social surge, aqui no Brasil, e sobre tudo nos Estados Unidos da América – USA, em um contexto de efervescência política, na perspectiva da discussão étnica racial e de enfrentamento ao racismo (fortemente influenciadas por grandes pensadores e militantes da envergadura de Malcolm X, Martin Luther King Jr, Black Panters, Marcus Garvey, Frantz Fanon e etc) e seus tentáculos nas mais diversas violências, neste sentido sua militância vem acumulando de forma significativa uma grandiosa quantidade de tecnologias sociais de enfrentamento programático, sistemático e sistematizado ao racismo e à construção e efetivação de políticas públicas que garantam não só acesso aos bens e serviços, mas também à dignidade do povo preto e pobre do Brasil, fazendo e multiplicando a discussão sobre ações afirmativas de reparação de perdas e invisibilidade no que diz respeito a questões como mobilidade, trabalho, emprego, educação, moradia, habitação, lazer, esporte, religião e sobre tudo às culturas.

A razão da política e suas ações afirmativas, segmentadas na perspectiva étnica racial estão mergulhadas na história do nosso país e muito presente em todas as ações dos quatro elementos da Cultura Hip Hop em Movimento Social, porém, ainda é muito fácil fazer valer-se de argumentos que questionam a incapacidade do Estado de fornecer educação de qualidade e para todos a fim de posicionar-se contra as cotas, bem como permanecer inerte na busca de uma sociedade mais justa, solidária e educadora, de fato e de direito.

As políticas públicas para os ditos afrodescendentes (prefiro pretas e pretos) se fazem necessárias porque a eles não foi dada qualquer oportunidade de ascensão social e seu consequente crescimento e desenvolvimento igualitário em relação a raça branca e seus descendentes pós-escravidão. Os pretos e pretas foram, além de escravizados, estigmatizados e colocados à margem da sociedade e da participação como protagonistas na condução de suas vidas e do país. A seus descendentes não foi proporcionada nenhuma possibilidade de franco crescimento intelectual que ficou reservado, até então, aos brancos. Para os campos sociais o governo desenvolve outros programas, como deve ser de conhecimento de todos. Aos nativos brasileiros (chamados também de índios) o governo trabalha com ações de demarcação de terras, que é o que culturalmente lhes é proporcional e reivindicado por eles próprios, o que não quer dizer que a eles não seja atribuído e dada a oportunidade de participação em sistema de cotas para ingressar em uma faculdade, se assim desejar um indígena.

As cotas aos invisibilizados, discriminados e marginalizados (no pejorativo da palavra) aí reside o fundamento das cotas raciais ou ações afirmativas. Os brancos de hoje não irão pagar pelos erros de seus ascendentes, mas é o Estado que deve e irá implementar gradualmente as políticas de afirmação voltadas aos pretos e pretas do Brasil, o que não quer dizer que os brancos não poderão reivindicar melhorias e mais vagas ao ensino superior e neste processo a militância da e na Cultura Hip Hop em Movimento Social tem papel fundamental, juntamente com o Movimento Negro Unificado – MNU, entre outros seguimentos de luta por igualdade. Os pretos e pretas no geral não conseguem da mesma forma que os brancos ingressar em uma faculdade pública, porque, como já foi dito, isso é uma questão cultural histórica em que o acesso a um ensino de qualidade, emprego, trabalho e renda sempre esteve economicamente ao lado dos brancos, e os pretos e pretas, por sua vez, sempre estiveram à margem da ascensão social.

O dia em que as fotografias dos álbuns de formatura estiverem mais coloridas e até mais inclinadas para os pretos e pretas, como bem pontuou a subprocuradora da República Dra. Deborah Duprat em seu pronunciamento no STF, e o dia em que brancos, pretos e pretas estiverem em pé de igualdade, as cotas deixarão de existir. E não sou eu quem lhes assegura isso, mas a nossa brilhante Constituição Federal que, no dia de hoje, reafirmou, via STF, a legalidade das cotas raciais que convergem com preceitos fundamentais.

Desmantelados todos os demais argumentos e até mesmo os de cunho racista contrários ao sistema de ações afirmativas, um argumento ainda persiste incansavelmente: o da desigualdade social que independe de raça/etnia e que, entre eles, o sistema de cotas por não alcançar os brancos pobres são injustos. Pra quem ainda não entendeu, as cotas são étnicas raciais e não sociais. As políticas de afirmação para pretos e pretas introduzida a cerca de oito anos nas universidades brasileiras, inaugurada pela UnB, objetiva extinguir a disparidade histórica entre pretos, pretas e brancos e equalizar, guardadas as proporções, a presença das diferentes etnias/raças na participação de postos de trabalho intelectuais, de maior prestígio social. Para os desfavorecidos econômicos, independente de etnia/raça, existe o PROUNI, que, diga-se de passagem, é um excelente plano de governo.

Aos racistas enrustidos, opressores e aproveitadores que comparam o sistema de cotas com o nazismo hitleriano nós só temos a lamentar e repugnar parafraseando a Dra. Indira Quaresma, advogada da Universidade de Brasília, dizendo que o sistema de cotas retira-nos, nós negros, do secular campo de concentração da exclusão e coloca-nos nas universidades, caminho do conhecimento, do crescimento intelectual, profissional e da mobilidade social. Ao contrário do nazismo que, como ela bem disse, retirou judeus, negros e homossexuais das universidades para conduzi-los aos deploráveis campos de concentração nazistas.

O que assistimos nos dias 25/04 e 26/04 na TV Justiça foram votos de ministros (ainda que eu tenha ressalvas em relação a alguns, como Gilmar Mendes, p. ex.), todos eles sem exceções, comprometidos com uma nação que se pretende justa e solidária, livre de preconceitos e desigualdades. Foi um julgamento de uma ADPF que representa um divisor de águas para a sociedade brasileira no que tange a questão racial, caminhando para um futuro de um Brasil mais democrático e cada vez mais maduro. A Cultura Hip Hop em Movimento Social escreve a partir da verdadeira práxis revolucionaria estas linhas de ação pautando os Estado e seus dirigentes, seguimos na luta já que a muito a que se avançar. “Ousar lutar, ousar vencer e venceremos”

Bob Controversista

  • Presidente na Associação Cultura e Educacional Movimento Hip Hop Revolucionario – MH2R
  • Presidente Estadual do Instituto Ganga Zumba
  • Setorial de Cultura UNISOL São Paulo
  • Coordenador do Ponto de Cultura com P de Protagonismo – Guarulhos
  • Coordenador da Casa da Cultura Hip Hop de Guarulhos e do Alto Tiete
  • Membro do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial – COMPIR Guarulhos
  • Membro do Conselho Gestor do Programa Juventude Viva – Guarulhos
  • Articulação da Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo
  • Membro da Nação Hip Hop Brasil
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