Mês do Hip Hop em São Paulo tem Diásporas Africanas como tema central

Publicado: fevereiro 13, 2016 em Uncategorized
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Entre os dias 28 de fevereiro de 03 de abril acontecerá o Mês do Hip Hop em São Paulo. Com debates, shows e apresentações, evento levará cultura para a juventude paulistana.

20160212091722Diáspora Africana, também conhecida como Diáspora Negra, é o nome dado ao fenômeno sociocultural histórico de segregação de povos do continente africano ao longo dos séculos XV e XX. Este processo não se deu de maneira pacífica. Com a finalidade de produzir lucros em suas colônias de exploração, colonizadores europeus venderam e separaram tribos inteiras pelo globo terrestre, dificultando o processo de identidade cultural dos povos africanos, escravizados e reduzidos a mão de obra barata em países distantes. A Diáspora Negra é fruto do imperialismo europeu dos séculos passados e resultou em profundo apagamento histórico do povo africano em outros continentes incluindo a apropriação cultural, as péssimas condições de vida e genocídio racial entre os principais abusos sofridos pelo povo preto.Descendentes de negros escravizados, quase toda a população negra mundial não reconhece suas origens, sua árvore genealógica e os costumes de sua tribo originária, por isso, compreender que as campanhas americanas “Black Lives Matter” e “Justice for Michael Brown” e as brasileiras “Cadê o Amarildo?” e “Libertem Rafael Braga” são faces da mesma moeda racista e estrutural que anula a existência do povo preto ao redor do mundo é fundamental para resgatar as origens culturais do nosso povo e assim, promover aproximação e o debate entre jovens negros e periféricos pelo país. Este é o objetivo que norteia o Mês do Hip Hop em São Paulo na região central, que durante todo o mês de março debaterá o movimento Hip Hop e sua relação histórica, política, cultural e social com a Diáspora Africana.  (Você pode conferir o gráfico animado de dois minutos “Rotas atlânticas de navios negreiros” aqui).

Entre os dias 28 de fevereiro e 03 de abril acontece, espalhado por várias regiões da cidade de São Paulo e mais especificamente na região central, o Mês do Hip Hop. Serão semanas de apresentações, oficinas, debates, mostras audiovisuais e saraus em espaços públicos e organizações civis apoiadoras do movimento social e cultural Hip Hop. O Hip Hop nasceu no final da década de 1970 nos guetos de Nova York, como resultado de manifestações musicais e artísticas protagonizadas por jovens negros do Bronx, que influenciados pelo movimento dos direitos civis dos negros norte-americanos da década anterior agregaram o debate racial e a descriminalização da pobreza como pilares formadores da cultura. “Paz, amor, união e diversão” seriam as palavras de ordem daquele movimento que  já nascia rico em elementos e em identidade cultural, com manifestações como graffiti, rap, DJ e breaking. A partir daí, o Hip Hop cresceu, se popularizou e ganhou o mundo ao longo das décadas de 1980 e 1990. O acesso à tecnologia e aos meios de comunicação possibilitou mudanças significativas para os artistas e hip hoppers nos anos 2000 e principalmente, facilitou as relações políticas e sociais entre seus militantes.

Das ‘posses’ as Casas e Pontos de Cultura, mais de 30 anos se passaram e a articulação se deu em rede de contatos, amigos e espetáculos, sempre buscando ampliar o debate racial entre seus membros. Buscando compreender e ampliar estes horizontes, o Mês do Hip Hop em São Paulo vai promover debates sobre geração de renda, poesia, protagonismo feminino e negro no movimento com o apoio de organizações civis e da Prefeitura Municipal, além das Secretarias de Igualdade Racial, Cultura e Educação. Além disso, o evento irá promover a intersecção de debates atuais e fundamentais sobre os rumos da capital paulista por meio da ocupação dos espaços públicos do centro histórico da cidade, integrando crianças, jovens e adultos em situação de vulnerabilidade social com cultura, basquete, futebol de rua e skate. Outro aspecto importante do evento será a realização da Feira de Economia e Empreendimentos Solidários a ser realizada na região central de São Paulo. A Feira contará com a participação de mais de 60 empreendimentos pautados pelo comércio justo, solidário, horizontal e democrático, complementando a construção de um mundo mais igualitário por meio das culturas tradicionais e populares.

A abertura do evento acontecerá no dia 28 de fevereiro e contará com a presença do prefeito Fernando Haddad, do secretário de cultura Nabil Bonduk, da deputada estadual Lecy Brandão, do secretário de Igualdade Racial Maurício Pestana e do secretário municipal de educação Gabriel Chalita. Logo após ocorrerá shows, discotecagem e dança. Local e horário ainda serão confirmados. No restante do mês, as atividades serão descentralizadas pela cidade, incluindo atividades na região da República, Sé, Cambuci, Liberdade, Santa Cecília, Bom Retiro, Consolação, Bela Vista, entre outros pontos da cidade. Para acompanhar a programação completa, acesse a página do evento no Facebook!

As inscrições para oficinas e mostras audiovisuais já estão abertas, para se inscrever, basta acessar o link aqui, aqui aqui.

Arte faceEdi

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