O que é, na realidade, a democracia burguesa?

Publicado: fevereiro 22, 2016 em Uncategorized
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É uma forma de dominação da burguesia, enquanto que os direitos e as leis proclamados para todos têm caráter puramente formal e fraudulento, porque, nas condições da existência da propriedade privada, faltam os meios sócio-econômicos que assegurem sua efetiva aplicação. Com esta democracia burguesa pode-se criticar a um e a outro na imprensa, em diversas reuniões ou no parlamento, pode-se criticar um partido ou um governo que chega ao poder, pode-se tagarelar tudo o que se quiser, mas não se pode mudar nada; as pessoas se vêem obrigadas a limitar-se somente às palavras, já que o poder econômico e político capitalista, com todo seu aparato, está pronto a lançar-se, como uma fera, contra quem se levantar, com atos, contra a classe dominante, contra a oligarquia financeira. Recordando o rigor com que a burguesia francesa castigou os operários depois da insurreição de junho de 1848, F. Engels escrevia:

“Era a primeira vez que a burguesia mostrava claramente a que insensatas crueldades de vingança é capaz de chegar tão logo o proletariado se atreve a enfrentá-la como classe independente com interesses próprios e reivindicações próprias”.
Por acaso, podemos qualificar de “democracia” a forma de poder da burguesia, que se apóia no princípio da submissão da maioria à minoria? Não, em absoluto. É uma democracia somente nas aparências, que não traz nenhuma vantagem às massas do povo. Esta “democracia” não assegura ao povo nenhuma liberdade verdadeira, não faz com que o país se torne independente dos outros Estados, política, econômica e militarmente mais poderosos. Isto ocorre porque este tipo de democracia está ligado com outras “democracias” capitalistas mais poderosas, que lhe impõem sua vontade própria. O capital, nacional ou internacional, impõe às amplas massas trabalhadoras sua vontade, seus desejos e seus pontos de vista. Quando nos países capitalistas e revisionistas alguma coisa é apresentada como vontade das massas trabalhadoras, é preciso compreender que, na realidade, por trás dela, está a vontade da aristocracia operária.

Apesar da gritaria da oposição no parlamento, os preços sobem, a vida se corrompe e degenera, os assassinatos e os roubos a mão armada na rua, os sequestros de pessoas, de dia e de noite, se tornam cada vez mais inquietantes.

As leis que são aprovadas pelos parlamentos burgueses e revisionistas expressam a vontade das classes dominantes, e defendem seus interesses. Estas leis beneficiam os partidos do capital, que constituem a maioria no parlamento. Apesar da gritaria da oposição no parlamento, os preços sobem, a vida se corrompe e degenera, os assassinatos e os roubos a mão armada na rua, os seqüestros de pessoas, de dia e de noite, se tornam cada vez mais inquietantes. Este caos e esta confusão, esta liberdade dos malfeitores para perpetrar crimes são qualificados pelos capitalistas e revisionistas como “democracia verdadeira”! (….)

São supérfluas as explicações para demonstrar que a participação no poder de muitos partidos burgueses, capitalistas, revisionistas e fascistas nos países capitalistas e imperialistas, como nos Estados Unidos, entre outros, não transformou, em absoluto, suas sociedades reacionárias em progressistas. Pelo contrário, no imperialismo, a democracia experimenta uma viragem para a reação. Não é progressista, nem democrática, a sociedade que defende o regime de exploração e nele se apóia”.
Mikhail Ivanovich Kalinin

O Marxismo e o Trabalho Criador

”Para ser marxista é preciso impregnar a teoria de vida, é preciso vincular o trabalho cotidiano à teoria. Ser marxista é ser criador.

E que quer dizer ser criador? Que diferença há entre o artesão e o criador? A mesma que existe entre um artista e um pintor vulgar. Tomai, por exemplo, os ícones dos pintores Vladímir ou de Súsdal. Todos se parecem entre si; em nenhum deles achareis um rosto animado… Muito diferente é a obra do artista criador. Quando este trabalha põe toda a sua alma, mesmo que seja no trabalho mais simples, mesmo que não faça mais do que tecer alpargatas. O artesão pode ser um magnífico artista quando põe toda a sua alma no trabalho. E por sua vez, o artista pode ser um artesão, quando não faz mais do que besuntar, quando não põe a alma em seu trabalho. E o marxismo, quando não se põe alma no que se faz, quando não se realiza um trabalho criador, quando não se toma realmente em conta o que sucede em cada momento, se converte num quase-marxismo. Se ides aplicar, nos lugares onde atuareis, o que aprendestes, de modo escolástico, em forma estereotipada, não sereis mais do que uns artesãos do leninismo. Nunca conseguireis arrastar as massas e a aplicação que façais do método marxista será errônea. O método marxista se emprega com acerto, quando, ao mesmo tempo que trabalhamos com a teoria de Marx, estudamos o fenômeno que nos ocupa. E a decisão que tomemos será em cada caso uma decisão nova. Se hoje resolvemos um problema de uma forma, esse mesmo problema teremos que resolvê-lo amanhã de outro modo, pois amanhã a situação será diferente. As situações mudam sem cessar. A História marcha. A História não está parada, mas se move eternamente para a frente. E o marxismo deve avançar constantemente junto com o movimento histórico. O marxista deve saber orientar-se com precisão. Por muito simples que seja seu trabalho, a mente do marxista deve mover-se, estudar e criar sem descanso. Vós, camaradas, acabais de terminar um curso trienal de marxismo. É completamente natural que todos vos encontreis no melhor estado de ânimo possível, dispostos a fazer com que vosso trabalho renda o máximo resultado. Pois, que melhor recompensa para o homem do que a convicção de haver contribuído com algo para a sociedade! Não existe recompensa melhor! Por mais formosas que sejam as ilusões que tenhais, a satisfação maior que podeis receber é a de saber que sois úteis. Essa convicção satisfaz plenamente o homem.

Entretanto, a juventude não pode ter passado pela experiência prática da vida, pela experiência política da luta revolucionária, pela experiência da luta entre as classes, pela experiência de direção, de conquista das massas. A juventude não possui essa experiência.

Desejaria que tivésseis essa convicção, a convicção de que para dirigir as massas é preciso inflamar-se, de que se alguém se apresenta ante um auditório sem sentir-se emocionado, com vontade de dormir, é indubitável que o auditório sintonizará com esse estado de ânimo. Digo-vos com franqueza que não há nada mais sensível do que o auditório; este é o barômetro mais sensível. Podeis falar da tribuna com uma linguagem balbuciante, mas se vos sentis emocionados, se os problemas que levantais têm importância e se na tribuna resolveis um problema, a massa também se sentirá inflamada. O que é que isto significa? Isto significa que para ganhar as massas é preciso inflamar-se com elas”.

Kalinin- Sapateiro profissional, redator do Rabochaya Mysl. Em 1905 ingressou no grupo bolchevique, ajudou a criar a Central Sindical dos Trabalhores Metalúrgicos. Por sua posição crítica em relação à Primeira Guerra Mundial foi preso e exilado na Sibéria em novembro de 1916 sendo posteriormente libertado pelo Governo Provisório, retornou à Petrogrado e participou da Revolução de Outubro.
Em 1919 passou a integrar o Comitê Central do Partido Comunista até 1938, e de 1938 a 1946 integrou o Presidium do Soviet Supremo da URSS.

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