A BATALHA CONTRA O GOLPE EM UMA NOVA ETAPA

Publicado: abril 18, 2016 em Uncategorized

Acabou há pouco a votação, na Câmara dos Deputados, da primeira etapa do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Roussef.

Perdemos uma batalha. Mas não perdemos a guerra. A luta contra o golpe continua. E a luta contra o golpismo é parte da luta mais geral que travamos pela transformação do Brasil.

O processo de impeachment segue agora para análise do Senado.

Caso os prazos legais sejam respeitados, por volta de 11 de maio o Senado decidirá se instala ou não o processo contra a presidenta Dilma. Para isto bastará maioria simples dos senadores. Mas para condenar será necessário o voto de 2/3 do Senado, onde em tese a correlação de forças é melhor do que na Câmara.

O Partido dos Trabalhadores, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo já divulgaram notas sobre o resultado da votação do impeachment na Câmara dos Deputados.

Outras organizações, como a CUT, o MST, a UNE e o PCdoB devem estar fazendo o mesmo.

Cada militante deve estudar com atenção estas notas (ver ao final), para ajudar a formar uma opinião sobre os próximos passos.

Sobre isto, seguem alguns comentários antes de dormir:

0⃣1⃣Esta noite e nos próximos dias, a oposição de direita fará sua festa. Mas, passada a ressaca, ficará cada vez mais claro os problemas nada pequenos que os golpistas enfrentarão.

0⃣2⃣A esquerda deve pensar suas feridas, avaliar o resultado e decidir os próximos passos. Em todo o país, é preciso convocar reuniões de balanço e mobilização, tanto no âmbito das frentes, quanto no âmbito de cada organização.

0⃣3⃣Precisaremos combinar quatro movimentos: a) o corpo-a-corpo com os senadores; b) a reorientação da ação de governo; c) o esclarecimento da população; d) a mobilização social.

0⃣4⃣Um bom argumento (“pedagogia do exemplo”) no corpo-a-corpo com os senadores será o tratamento que concederemos aos deputados e deputadas. Os que votaram contra o golpe estão de parabéns, especialmente aqueles que deixaram claro que Cunha é um gangster e Temer um canalha. Não pode haver paz nem respeito para com os parlamentares que votaram a favor do golpe. Já no dia 21 de abril, devemos escrachar cada um destes picaretas, carimbando-os como golpistas e traidores da pátria. Cunha e Temer devem receber tratamento especial.

0⃣5⃣.O governo precisa tomar medidas imediatas de geração de emprego e recomposição da renda popular, integrar no ministério lideranças combativas, pactuar um programa de curto e médio prazo com a esquerda política e social. Nosso êxito na luta pela democracia depende em grande medida de mudanças imediatas na política econômica. Mesmo que alguma destas mudanças não tenham impacto imediato, representam uma sinalização política fundamental. Um elenco de medidas está na resolução do Diretório Nacional do PT de 26 de fevereiro de 2016.

0⃣6⃣A esquerda deve convidar a classe trabalhadora a refletir sobre a declaração de voto de cada um dos deputados e deputadas, bem como a observar quem ficou de cada lado. Até porque para algo precisa servir aquela mistura de esgoto cavernícola com falta de senso de rídiculo.

0⃣7⃣Os que votaram contra o impeachment justificaram seu voto de duas formas: a defesa da democracia e a defesa da classe trabalhadora. Já os que votaram a favor do impeachment falaram em Deus, na família, no seu eleitorado; falaram em destruir a esquerda e defenderam os valores mais reacionários, entre os quais a tortura. Sem falar no ode a responsabilidade fiscal como uma espécie de valor universal. São duas visões de mundo, duas concepções de Brasil e duas formas diferentes de conceber a política e a representação popular.

0⃣8⃣Os que votaram contra explicaram que impeachment sem crime de responsabilidade é golpe. Afinal, no regime político brasileiro não cabe ao parlamento falsificar pretextos para realizar um terceiro turno da eleição presidencial. Já os que votaram a favor acusaram a presidenta de muitas coisas
, acusações que seriam cabíveis (verdadeiras ou não) numa campanha eleitoral, mas não como argumento para um impeachment. Caso o Supremo Tribunal Federal quisesse, há elementos de sobra para interromper o processo. Mas até agora a maioria dos ministros togados preferiu não agir em defesa da Constituição.

0⃣9⃣.Os que votaram contra chamaram a atenção para o fato de que o processo de impeachment é ação de uma quadrilha de corruptos contra uma presidenta honesta. Os que votaram a favor oscilaram entre a hipocrisia de uma maioria (que falou contra a corrupção, sabendo que a praticam) e o cinismo de alguns (que prometeram que algum dia votarão contra Cunha, Temer et caterva). Um processo conduzido por um criminoso, a quem ainda vamos coloar na cadeia, está maculado na origem.

1⃣0⃣.As frentes e organizações engajadas na luta contra o golpe precisam desencadear uma campanha unitária de mobilização e comunicação. No Primeiro de Maio precisaremos realizar grandes manifestações em defesa das liberdades democráticas, dos direitos sociais, das reformas estruturais e de uma política econômica popular. E todo dia deve continuar sendo dia de mobilização e diálogo com nossos colegas de trabalho, estudo e moradia.

1⃣1⃣A batalha contra o golpe entrou em uma nova etapa. O intervalo entre a votação na Câmara e a primeira votação no Senado deve servir como um ensaio geral para esta nova etapa, onde precisaremos de ainda maior mobilização, disposição de luta e unidade das forças políticas e sociais que estão mobilizadas enfrentando o golpismo.

1⃣2⃣.Devemos reafirmar que não haverá paz nem respeito frente a um governo ilegítimo, resultante de um golpe parlamentar conduzido por um corrupto, encabeçado por uma conspirador que pretende sepultar os direitos sociais inscritos na Constituição de 1988. Não haverá paz nem respeito frente a uma quadrilha de picaretas, que de público fala contra a corrupção, mas conspira para arquivar todas as investigações contra seus crimes.

1⃣3⃣Ao mesmo tempo em que nos declaramos em rebeldia contra um governo ilegítimo, é preciso saber que o golpismo vai tentar impedir Lula de concorrer em 2018, vai continuar buscando criminalizar a esquerda e interditar o PT, desrespeitar as liberdades democráticas e a soberania do povo. Não haverá nenhuma facilidade: os tempos serão de guerra, como temos dito e repetido desde o início de 2015.

1⃣4⃣Tenhamos ou não êxito nas próximas batalhas contra o golpismo, a esquerda como um todo, especialmente o Partido dos Trabalhadores, precisam encarar de outra forma um conjunto de questões programáticas, estratégicas e organizativas. Não porque desejemos, mas porque a direita, o oligopólio midiático e o grande capital fizeram escolhas que empurram o país para um ambiente de crise política e institucional permanente. Portanto, ao mesmo tempo em que organizamos a luta contra o golpismo, é preciso enfrentar o desafio de ajustar nossa política. Não são duas tarefas estanques e sucessivas: são vinculadas e simultânaes.

1⃣5⃣.Em todo o país, centenas de milhares de militantes foram às ruas para lutar contra o golpismo, numa mobilização ao mesmo tempo linda, potente e generosa. Este é o grande saldo deste processo: a construção de uma ampla frente popular, democrática e progressista. Não apenas para lutar contra o retrocesso, mas para criar as condições para voltar a avançar. É preciso continuar investindo no trabalho unitário e na mobilização de massas. Até porque é da existência desta frente popular que depende a viabilidade da nova estratégia que estamos chamados a construir.

1⃣6⃣.Não devem ter sido poucos/as os/as militantes que choraram na noite de hoje. Faz parte. É mesmo terrível ver a correção, a verdade e a generosidade serem derrotadas pela hipocrisia, pela mentira e pela desfaçatez de uma matilha de picaretas. Mas calma, porque não será a primeira nem a última vez, na história, em que os derrotados de ontem se convertem nos vencedores de amanhã.

http://valterpomar.blogspot.com.br/2016/04/a-batalha-contra-o-golpe-entrou-em-uma.html?m=1

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