Militancia ovaciona Geraldo Alckmin no interior de SP

Publicado: abril 23, 2016 em Uncategorized

Quarta-feira foi marcada por atos contra Alckmin: no interior e na capital, manifestantes pedem condições mínimas de funcionamento da rede de ensino

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Falta de água, roubo de merenda e fechamento de salas de aula. Por esses motivos, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) levou uma ovada de manifestantes enquanto fazia um discurso em Jundiaí, a 50 quilômetros da capital do estado. Realizado na quarta-feira (20), o protesto não atingiu diretamente o governador, mas respingou em pessoas que estavam com ele no palco. Segundo reportagem da “Folha de S.Paulo”, um homem foi preso no local, considerado suspeito de ter atirado os ovos. Foi levado ao 7º DP de Jundiaí e vai responder ao inquérito em liberdade.

Em 2015, atos de alunos contra a reorganização escolar promovida por Alckmin terminaram em cenas de violência promovidas pela PM

Professores da rede paulista foram ao evento com Alckmin para entregar um manifesto contra o secretário estadual da Educação, José Renato Nalini. Em artigo publicado no site da Secretaria, ele afirmou que o Estado deve ter papel de atender apenas situações “elementares e básicas”, sem mencionar o atendimento à educação. Nalini escreveu o seguinte: “Muito ajuda o Estado que não atrapalha. Que permite o desenvolvimento pleno da iniciativa privada. Apenas controlando excessos, garantindo igualdade de oportunidades e só respondendo por missões elementares e básicas. Segurança e Justiça, como emblemáticas. Tudo o mais, deveria ser providenciado pelos particulares”.

Cadê a merenda?

Também na quarta-feira, cerca de mil alunos de escolas técnicas estaduais protestaram em São Paulo, na praça Coronel Fernando Prestes, Bom Retiro, exigindo punição para a máfia da merenda escolar. A concentração do protesto começou às 7h, e, por volta das 10h30, o grupo seguiu em passeata pelo centro da cidade.

Uma estudante de escola técnica de São Paulo contou à “Agência Brasil” que os alunos não recebem merenda e nem almoço, mesmo ficando em período integral na instituição. Grande parte das escolas nunca teve merenda ou almoço, de acordo com ela.”Aqui na ETEC (Escola Técnica Estadual de São Paulo), quem faz ensino integrado passa o dia inteiro na escola, e tem que esquentar marmita no microondas. Só que são três microondas para todos, incluindo a Fatec. Então, são seis mil estudantes para três micro-ondas. A gente acaba não comendo. Os enfermeiros daqui dizem que muita gente passa mal porque não come”, queixou-se.

Polícia Civil e Ministério Público investigam, na Operação Alba Branca, um esquema de fraude na compra de merenda escolar envolvendo o governo Alckmin. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Ribeirão Preto, as fraudes nas contratações da merenda, feitas entre 2013 e 2015, chegam a R$ 7 milhões, sendo R$ 700 mil destinados ao pagamento de propina e comissões ilícitas.

O problema é que, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a bancada do PSDB está tentanto bloquear as investigações. Depois de três reuniões sem quórum, a Comissão de Educação e Cultura previa, na terça-feira (19), analisar os 16 requerimentos convocando os envolvidos na máfia. No entanto, o deputado estadual e líder do PSDB, Carlão Pignatari, pediu novo prazo para analisar todos os pedidos, informou o jornal “ABCD Maior”. Com isso, a discussão foi adiada. De acordo com a reportagem, deputados tucanos foram agressivos com estudantes que acompanhavam a sessão na casa. Alguns parlamentares chegaram a pedir que os jovens “calassem a boca”.

“O objetivo era debater a questão da merenda, mas o líder da bancada do PSDB resolveu resumir a participação dos estudantes na comissão, perguntando se a gente ganhou R$ 300 para estar aqui. Nós não ganhamos. A gente quer que os estudantes tenham uma educação de qualidade”, disse a presidenta da UPES-SP (União Paulista dos Estudantes Secundaristas),Angela Meyer, uma das estudantes atacadas pelos governistas. Desde fevereiro, a bancada petista denuncia que integrantes da Comissão de Educação ligados a Alckmin têm feito “manobras” para evitar que o tema seja discutido no plenário.

“Os deputados governistas na Assembleia fazem de tudo para evitar a apuração. Desde o começo do ano estamos buscando cumprir o nosso papel de deputado e realizar a investigação”, disse a deputada e integrante da Comissão de Educação, Marcia Lia (PT). Entre os 16 requerimentos, que ainda não foram discutidos pela Comissão, estão a convocação do secretário José Renato Nalini; do ex-chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Educação, Fernando Padula, além do acesso à documentos que envolvam a parceria entre o governo estadual e a empresa responsável pela merenda escolar, a Coaf (Cooperativa Orgânica da Agrícola Familiar).

Reorganização escolar silenciosa

Além do problema de merenda, estudantes e professores da rede estadual enfrentam outro problema. No início do mês de abril, reportagem da Agência PT de Notícias revelou que o governo Alckmin já fechou 1.363 salas de aula, apesar de ter prometido não reduzir o espaço para educação na rede pública, após greve dos professores, manifestações e ocupações de escolas em 2015.

O número foi investigado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e inclui dados de até 25 de fevereiro. Houve fechamento de classes em 51 de 93 regiões do estado de São Paulo. A decisão foi tomada durante as férias escolares, quando os professores estavam no período de atribuição de aulas, notaram e alertaram que as salas de aula estavam sendo fechadas.

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