RACISMO E SOCIEDADE DE CLASSES

Publicado: abril 30, 2017 em Uncategorized

O racismo nada mais é do que a premissa de alguns indivíduos ou grupos de que há raças puras, superiores, e que tais raças devem dominar as raças inferiores. O racismo que predomina hoje é majoritariamente contra a população negra, e este causa não apenas opressão verbal, com ofensas, piadas, etc, como também física e econômica, tal qual motiva a morte de muitos negros diariamente em todo o mundo.

Inicialmente, na antiguidade e idade média, o racismo tinha um caráter mais xenófobo do que racial propriamente dito. Nessa época, as relações eram sempre entre vencedor e cativo, e existiam independentemente de raça, pois muitas vezes povos da mesma raça guerreavam entre si, sendo assim o perdedor passava a ser cativo do vencedor. Durante o renascimento, a medida que a tecnologia ia avançando, a Europa caminhava para a dominação econômica e tecnológica do mundo. A partir daí começaram a surgir premissas racistas de modo que justificasse o domínio europeu sobre outros territórios. A principal era de que a raça que não era europeia, era inferior, e devido a isso as mesmas deveriam ser dominadas pelos próprios europeus, que seriam a raça superior. Com a chegada dos europeus à África, ocorreram os primeiros contatos com as classes dominantes africanas locais (é necessário evitar qualquer tipo de abstração aqui, como fazem os reacionários, na tentativa absurda de igualar o colonialismo e escravidão europeia às guerras tribais que sempre ocorreram no desenvolvimento da história de diversos povos) não havendo uma opressão racial a princípio, pois ao contrário, ambos iniciaram acordos comerciais, que inclusive incluía o comércio de escravos. Com o advento das grandes navegações, se inicia uma extensa e substancial exploração da Europa por todo o planeta, resultando no contato com civilizações totalmente novas. No Brasil os negros foram trazidos para serem escravos, devido às dificuldades de escravizar os ameríndios, que foram os primeiros habitantes brasileiros que se tem relatos. Quando os europeus começaram a colonizar a África, passaram a justificar a escravidão e o domínio cultural e econômico através da superioridade racial. Era fundamental utilizar essa lógica perversa para convencer toda a população europeia que o domínio, exploração e escravidão do povo africano era justo, quando na verdade o interesse era puramente na colonização e apropriação dos recursos e mão de obra africanos.

Tudo isso explicado acima está atrelado necessariamente à sociedade dividida em classes e à propriedade privada. No modo de produção escravista, a sociedade era dividida em duas classes: a dos senhores (a classe que possuía os meios de produção) e a dos escravos (a classe que possuía apenas a sua força de trabalho). Essa justificativa de raça inferior nada mais foi do que um motivo para que os senhores pudessem explorar os escravos de modo que os mesmos gerassem riquezas e lucro para os primeiros. Desde quando o homem descobriu que poderia acumular riquezas, ou seja, produzir mais do que o necessário para sua sobrevivência, foi instaurada a sociedade de classes e a propriedade privada, de maneira que houvessem os que produzissem essas riquezas (classe não possuidora dos meios de produção) e os que usufruíssem dessas riquezas (classes possuidoras dos meios de produção), além de também proteger tal acumulação. A opressão de classe precedeu a racial, ou seja, foi a opressão de classe que consequentemente gerou o racismo, que por sua vez não passou de um pretexto criado para garanti-la. O racismo precede o capitalismo, mas não precede a sociedade dividida em classes e a propriedade privada.

O racismo a partir da dominação e escravidão europeia sobre as colônias africanas e americanas ficou enraizado culturalmente na sociedade, pois apesar do escravismo  ter acabado, o modo estrutural de divisão de classes e propriedade privada ainda permanece. No capitalismo, nosso sistema vigente, a própria classe trabalhadora foi dividida em uma hierarquia, e nessa hierarquia os negros pertencem à parte mais baixa. Pesquisas revelam que, no Brasil, a maior parte da população de baixa renda é negra e mora na periferia e no campo. Consequência da negligência na qual os negros, após o fim da escravidão, foram jogados. Não tiveram nenhum direito garantido realmente, qualquer tipo de indenização por toda a opressão sofrida durante mais de 300 anos, apenas uma falsa liberdade de que estavam independentes em relação aos senhores, sendo assim continuaram submissos ao sistema sucessor, de modo menos violento, mas ainda assim submissos, da mesma forma que toda a classe trabalhadora. A terra e os instrumentos de produção não trocaram de mãos ou se tornaram de acesso coletivo, ao contrário, continuaram sob controle dos senhores de engenho, que passaram a diversificar os investimentos junto com os capitalistas europeus, investindo no sistema bancário, indústria e comércio ao longo dos anos. 

Infelizmente, como em toda sociedade, comprovado através de diversos estudos de violência, quanto maior o estado de indigência e desigualdade, maior a criminalidade, e devido a isso os negros também representam a maior parte da população carcerária no Brasil. Claro, potencializado pelo racismo cultural que nos cerca.

Como perceptível, o racismo, antes mesmo de ser algo puramente racial, tem suas origens no âmbito classista, na exploração do homem pelo homem, que por sua vez tem como objetivo principal a acumulação de riquezas, cada vez mais e mais, de forma incessante. E portanto, só pode ser eliminado através da completa destruição do sistema capitalista e da exploração de classe, mediante uma grande revolução social que entregue ao povo negro e aos trabalhadores e trabalhadoras em geral, a terra, a indústria e todos os recursos naturais e riquezas por eles historicamente produzidos.

Referências:

http://gcarvalhofadul.blogspot.com.br/2012/05/escravismo-e-escravidao_414.html

http://historiaeciajg.blogspot.com.br/2014/10/modo-de-producao-escravista.html

https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/12/04/negros-representam-54-da-populacao-do-pais-mas-sao-so-17-dos-mais-ricos.htm

https://www.cartacapital.com.br/sociedade/mais-de-60-dos-presos-no-brasil-sao-negros

http://dssbr.org/site/2016/11/indigenas-negros-e-mulheres-sao-mais-afetados-por-pobreza-e-desemprego-no-brasil-diz-cepal/


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