A Revolução sera Televisionada?

Estamos acompanhando a nova novela com cara e formato de documentário Amor e Revolução, que esta sendo veiculada pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), a mesma ou mesmo traz a tona um assunto historicamente omitido pela rede de educação, pelas redes de televisão nacional brasileiras e pelos grandes veículos das mídias de massa (revistas, jornais e radios comerciais) veículos estes que mamaram e mamam muito na teta destes segredos de estado, pois a maioria só sobreviveram a Ditadura e permanessem ate hoje pautando a discussões e o norte político-social do pais por terem sido coniventes e/ou parceiros do regime militar no Brasil.

A novela/documentário traz cenas fortes de tortura e modos operantis do regime ditadorial na decada de 1960 na figura do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social, criado em 1924, foi o órgão do governo brasileiro, utilizado principalmente durante o Estado Novo e mais tarde com na ditadura de 64, cujo objetivo era controlar e reprimir movimentos políticos e sociais contrários ao regime no poder), no DOC/Novela Amor e Revolução a figura central do DOPS delegado Aranha, homem violento e articulador/mandante das mais crueis formas de alcançar depoimentos via tortura.

Ao som de “Roda viva”, de Chico Buarque, ela mostra jornalistas, estudantes e outros personagens sumindo em cena, numa alusão aos desaparecidos ou capturados pelo regime militar. O restante do capítulo se limitou a uma breve apresentação dos personagens, quase sempre sendo perseguidos, o que tornou o capítulo um pouco cheio de ação, explosões e tiroteios.

A reconstituição dos anos de chumbo, sem grandes inspirações da direção de arte, foi apenas correta., a trilha sonora deu mais emoção à história. A bela canção “O que será (à flor da pele)”, de Chico Buarque, por exemplo, virou pano de fundo de uma cena em que aparecia um jipe militar chegando ao quartel, “Alegria, alegria”, de Caetano Veloso.

O elenco é limitado mas a história e a trilha sonora fizeram valer a pena a espera e inclusive ter que ver flash’s do Programa do Ratinho, aguardemos os próximos capítulos e seus desdobramentos para uma sociedade que é rotulada de ter a memória fraca, justamente por aqueles que tem a missão de re-avivar em nossas mentes os anos de chumbo e a manutenção destes mesmos no poder até os dias de hoje.

Muito mais do que uma novela de época qualquer, “Amor e Revolução” trará consigo muita coisa dos anos vividos por todo Brasil sobre o regime militar.
Nisso, podemos destacar a forte expressão musical daquela época, onde os jovens retratavam em sua música toda dor e sentimento contra a censura. Um desses grandes jovens e heróis da música é Chico Buarque, que terá algumas de suas composições na trilha sonora da nova novela do SBT.
Fazer música durante o período militar não era nada fácil, em virtude da grande censura que havia sobre a letras compostas. A metáfora (palavras com duplo sentido) foi um dos artíficios utilizados nas composições, já que não se podia dizer explicitamente qual era a situação atual do país naquele tempo, onde as pessoas viviam sob a forte perseguição do governo e dos militares.
O estado com todo o seu poder, fazia uso disso para manter no Brasil um regime ditado por regras para presevar a imagem de uma nação rígida. Mas, apesar de todo esforço que se fazia, a música de alguma forma ou de outra encontrava no povo o seu eco, e se rebelava contra o que a situação.
Em “Amor e Revolução” iremos encontrar várias músicas que fizeram parte de nossa história, e que agora embalarão as várias tramas da novela. São músicas ligadas ao contexto da ditadura, e que nos mosta muita cultura ganha por causa dos jovens do Brasil que vivenciaram aquela época.
Ao som de Chico Buarque, Elis Regina, Nara Leão, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Gal Costa, Maria Bethânia e tantos outros, “Amor e Revolução” nos dará o som tocado, e toda riqueza da música brasileira, cantando em verso e prosa durante a ditadura militar.
Por isso, antes da novela começar, vale a pena conferir um pouco dessa riqueza do nosso país, que não foi apagada pelos ditadores. Veja:

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comentários
  1. jonathan disse:

    não sou teleespectador assiduo do teatro filmado ou telenovela como conhecemos, contudo não posso negar que este em particular é uma perola da nossa TV, afinal não é todo ano nem tão pouco todo canal de Tv que se presta o papel de veicular tal tema, e os motivos são obvios, as emissoras são uma concessão publica e politico poder e bla bla bla bla…. todos sabemos do jogo de interesse, logo não posso tratar com ostrassismo esse ato tão importante que ao julgar pelo primeiro capitulo esta buscando o maximo de realismo possivel. e mesmos não gostando irei acompanhar por que é uma memoria que deve permanecer viva, pois ainda tenho a esperança que um dia tudo o que ocorreu naqueles porões vira a luz…

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  2. Ninguém entre os que viveram as diversas fases do Regime Militar conhece mais profundamente o que aconteceu de verdade do que os que estiveram dos dois lados do “Muro de Berlim”. A novela tem baixa audiência, apesar dos execelentes atores escolhidos para a trama, porque os dialogos e situações são maniqueístas, artificiais, estão muito mais para um pastiche panfletário do que para um retrato do período retratado. Apesar do autor alegar que fez ampla pesquisa, ele transforma ambos os lados em andróides com falas metricamente estudadas, havendo momentos cômicos. Usa termos restritos a certos contigentes de forma generalizada, coloca os militares e policiais como os bandidos e os guerrilheiros como mocinhos, esquecendo que um dos motivos de muitos fatos históricos de verdade não terem sido divulgados até hoje é pelo motivo do constrangimento que podem causar aos ditos “mocinhos”, heróis de faz de conta. É preciso lembrar ao autor que o Regime Militar brasileiro não foi uma cópia da Ditadura Militar Argentina (de onde o autor parece se basear para narrar sequestro de crianças). Uma geração inteira foi vítima de uma guerra suja, onde pretensos líderes narcisistas pregavam palavras libertárias em nome de uma revolução em moldes cubanos, mas o romantismo de Playa Girón fica apenas em uma bela música de Silvio Rodriguez. Em nenhuma célula clandestina foi ensinado o amor, na revolução stalinista, proletários e camponeses são ignorantes que precisam ser tutelados por estudantes e intelectuais rumo a Ditadura do Proletariado. Ódio e violência são meios para um fim, basta ler o Manual do Guerrilheiro Urbano de Carlos Marighella. Não concordo que se deva retirar a novela do ar ou censura-lá como querem alguns, isso é um erro. A novela, pelas diversas distorções que vem apresentando, serve como instrumento de crítica e reflexão sobre a visão esteriotipada que setores sectários, que hoje comandam os destinos da nação, desejam impor a toda população. A verdadeira Revolução ainda está por acontecer, ela se fará quando a verdade que os pseudos-heróis desejam esconder vier ao público. Quantos foram “torturados” com dinheiro e entregaram até bolcheviques mortos em 1917. Quem sabe um dia a verdade sobre Vinhedo e Ibiúna seja conhecida por todos. Espero que não tenha mais “moderadores” no Brasil, censurando a VERDADE SUFOCADA. Não custa lembrar que RETRATAR A HISTÓRIA nem sempre corresponderá a verdade, lembro Trotsky retirado do retrato do discurso de Lenin e que maniqueísmo é o caminho mais curto para mentir e ser hipócrita.

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