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“A primeira forma de torturar foi me arrancar a roupa. Lembro-me que ainda tentava impedir que tirassem a minha calcinha, que acabou sendo rasgada. Começaram com choque elétrico e dando socos na minha cara. Com tanto choque e soco, teve uma hora que eu apaguei. Quando recobrei a consciência, estava deitada, nua, numa cama de lona com um cara em cima de mim, esfregando o meu seio. Era o Mangabeira [codinome do escrivão de polícia de nome Gaeta], um torturador de lá. A impressão que eu tinha é de que estava sendo estuprada. Aí começaram novas torturas. Me amarraram na cadeira do dragão, nua, e me deram choque no ânus, na vagina, no umbigo, no seio, na boca, no ouvido. Fiquei nessa cadeira, nua, e os caras se esfregavam em mim, se masturbavam em cima de mim. A gente sentia muita sede e, quando eles davam água, estava com sal. Eles punham sal para você sentir mais sede ainda. Depois fui para o pau de arara. Eles jogavam coca-cola no nariz. Você ficava nua como frango no açougue, e eles espetando seu pé, suas nádegas, falando que era o soro da verdade. Mas com certeza a pior tortura foi ver meus filhos entrando na sala quando eu estava na cadeira do dragão. Eu estava nua, toda urinada por conta dos choques. Quando me viu, a Janaína perguntou: ‘Mãe, por que você está azul e o pai verde?’.

MARIA AMÉLIA DE ALMEIDA TELES, ex-militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), era professora de educação artística quando foi presa em 28 de dezembro de 1972, em São Paulo (SP) pela ditadura militar no Brasil.

Período de uma ditadura que não podemos, e não devemos permitir que volte acontecer. O golpe de 64 não encontrou nenhum ato de corrupção do governo deposto. Durante toda a ditadura a corrupção correu solta sem ser incomodada pela polícia e pelo Ministério Público e nem tão pouco pelo Judiciário. Durante toda a ditadura não teve nenhum corruptor preso!

Fiquemos atentos As palavras que a direita coloca nas bocas da massa. Caos é a palavra chave. Caos na educação, caos na saude, caos no transporte, caos na segurança, caos na politica. Pretesto para o exército intervir, desaquartelar e dar o golpe. As Forças Armadas não agem contra o ‘caos’, mas são parte fundamental dele

Talvez não exista momento mais propício do que este para se lembrar da frase de Adorno e Horkheimer, para quem há horas em que não há nada mais estúpido do que ser inteligente. A frase se referia à incapacidade de setores da sociedade alemã de encararem claramente os signos de ascensão do nazismo no começo dos anos 1930 e pararem de procurar explicações sutis e inteligentes sobre a impossibilidade de o pior ocorrer. Dificilmente raciocínio dessa natureza não se aplicaria ao Brasil atual.

De fato, nosso país tem ao menos a virtude da clareza. E foi com a clareza a guiar seus olhos redentores que o general Antonio Hamilton Mourão revelou aos brasileiros que as Forças Armadas têm um golpe militar preparado, que há uma conspiração em marcha a fim de destituir o poder civil. Para mostrar que não se tratava de uma bravata que mereceria a mais dura das punições, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas descartou qualquer medida e ainda foi à televisão tecer loas a ditaduras e lembrar que, sim, as Forças Armadas podem intervir se o “caos” for iminente.

O “caos” em questão não é a instauração de um governo ilegal e brutalizado saído dos porões das casernas. Ao que parece, “caos” seria a situação atual de corrupção generalizada. Só que alguém poderia explicar à população de qual delírio saiu a crença de que as Forças Armadas brasileiras têm alguma moral para prometer redenção moral do país.

Que se saiba, quando seus pares tomaram de assalto o Palácio do Planalto, cresceram à sua sombra grandezas morais do quilate de José Sarney, Paulo Maluf, Antonio Carlos Magalhães: todos pilares da ditadura. Enquanto eles estavam a atirar e censurar descontentes, o Brasil foi assolado por casos de corrupção como Capemi, Coroa Brastel, Brasilinvest, Paulipetro, grupo Delfin, projeto Jari, entre vários outros. Isso mesmo em um ambiente marcado pela censura e pela violência arbitrária.

De toda forma, como esperar moralidade de uma instituição que nunca viu maiores problemas em abrigar torturadores, estupradores, ocultadores de cadáveres, operadores de terrorismo de Estado, entre tantas outras grandes ações morais? As Forças Armadas brasileiras nunca tomaram distância dessas pessoas, expondo à nação um mea-culpa franco.

Ao contrário, elas os defenderam, os protegeram, até hoje. Que, ao menos, elas não venham oferecer ao país o espetáculo patético de aparecerem à cena da vida pública como defensoras de um renascimento moral feito, exatamente, pelas mãos de imoralistas. As Forças Armadas nunca foram uma garantia contra o “caos”. Elas foram parte fundamental do caos.

É verdade que setores da sociedade civil sonham com mais um golpe como forma de esconder o desgoverno que eles mesmos produziram. Há setores do empresariado nacional que articulam abertamente nesse sentido, sonhando como isto não terem que se confrontar mais com uma população que luta pelos seus interesses. Para tanto, eles apelam ao artigo 142 da Constituição de 1988.

Este artigo fora, desde o início, uma aberração legislativa imposta pelos próprios militares. Ele legalizava golpes de Estado, da mesma forma que o artigo 41 da República de Weimar, que versava sobre o estado de emergência, permitiu a ascensão da estrutura institucional do nazismo. Segundo o artigo, se qualquer poder chamar as Forças Armadas para garantirem a ordem, se digamos o sr. Rodrigo Maia fizer um apelo às Forças Armadas porque há “caos” em demasia, o golpe está legalizado. Ou seja, é verdade, nossa Constituição tinha uma bomba-relógio no seu seio. Bomba pronta a explodi-la, como agora se percebe.

Contra essa marcha da insanidade, há de se lembrar que, se chegamos ao ponto no qual um general na ativa pode expor abertamente que conspira contra o poder civil, então cabe àqueles que entendem não terem nascido para serem subjugados pela tirania, que não estão dispostos a abrir mão do resto de liberdade que ainda têm para se submeter a mais uma das infindáveis juntas latino-americanas, prepararem-se para exercer seu mais profundo direito: o direito de resistência armada contra a tirania.

Que os liberais se lembrem de John Locke e de seu “Segundo Tratado sobre o Governo”. Que os protestantes se lembrem de Calvino e de sua “Instituição da Religião Cristã”. E que o resto se lembre que a liberdade se defende de forma incondicional.

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No dia 29/09 As 19h o Centro de Inclusão Social pelas Artes, Culturas, Trabalho e Educação – #CISARTE apresenta, em parceria com a UniSol São Paulo, Associação Cultural e Educacional Movimento Hip Hop Revolucionario – #MH2R, Kaqui Soluções Web, Cooperativa de Trabalho, Assessoria Tecnica, Extensão Rural e Meio Ambiente – #AMATER, mais uma grande oportunidade de conectar ecossistemas e cadeias produtivas para novos arranjos produtivos de impacto.

Momento coletivamente construindo para trocas com empreendedores (as) nos seguimentos de produtos e serviços com vies popular e comunitario nas areas das tecnologias, ecoturismo, alimentação, agricultura familiar, artesanato, logistica, comunicação, estetica, cooperativismo, associativismo, economias criativa, solidaria e das culturas.

Neste encontro teremos a presença de Claudio Thiago Avila Menezes, empresario e organizador de grandes eventos e programas de aceleração e desenvolvimento de ONG’s e projetos sociais no Brasil e no exterior, a exemplo do Banko Challenge, BootCamp (na favela de Paraisopolis), entre outras ações.

A proposta foi planejada com a intenção de articular e organicizar uma Rede de Serviços e Produtos integrando ecossistemas e cadeias produtivas para a produção de;

  • Networking
  • Mapeamento
  • Diagnóstico
  • Produção;
  • Participação
  • Colaboração

De forma programática e metodologicamente estratégica estamos discutindo e construindo ações diretas, com o objetivo de reposicionar o segmento de serviços populares e comunitarios, seus praticantes e militantes no #Cooperativismo, #Associativismo e das #EconomiaSolidaria, #EconomiaCriativa e #EconomiaDasCulturas em um mercado cada vez mais propicio para o sucesso, geração de trabalho, renda e desenvolvimento social e local.

Para participar do grupo pelo whatsapp segue o link abaixo:

https://chat.whatsapp.com/1LuG2XCY67u32AZFPtZpRA

Ao entrar no grupo pedimos uma breve apresentação sua e de seu coletivo / empreendimento se participar de algum.

Temos tambem o formulário no link: https://goo.gl/PeZMqH onde vamos analisar e encaminhar as demandas dos empreendimentos/coletivos e propor ações conjuntas em arranjos produtivos locais.

Esta ação tem alem dos objetivos ja apresentados, mapear coletivos e empreendimentos e conectar ações e ideias ao Projeto de Economia Solidária como Estratégia de Desenvolvimento, como um eixo de conexão transversal aos demais setoriais.

Esta mobilização e sistematização são de grande importância para gerarmos oportunidades práticas para os coletivos e empreendimentos, assim como desenvolver novos espaços e possibilidades de escoamento de produtos e serviços, além de políticas públicas para Economia Solidária, Criativa e das Culturas para este setorial.

Saiba um pouco mais sobre o palestrante em https://www.linkedin.com/in/claudiothiagoavilamenezes

Absurdo ver o Comandante Da ROTA – Mello Araújo, um oficial da PM de São Paulo, defender tratamento desigual e discriminatório entre moradores dos jardins e da periferia. A abordagem da policia NÃO pode e não deve ser diferente em nenhum dos bairros ou cidade do estado de São Paulo.

O Policial não deve ser mais educado com o branco dos jardins do que com os jovens negros da periferia. A afirmação do comandante da Rota foi criminosa – pois é discriminatória, fere o artigo 5 da constituição, fere a declaração universal dos direitos humanos e fere o próprio regulamento da policia militar. Nenhuma Lei autoriza tratamento diferente de pessoas.

Não no Brasil. Como cidadão brasileiro sinto violentada minhas garantias fundamentais diante das afirmações de um comandante da policia militar. Enquanto conselheiro do CONDEPE-SP farei tudo ao meu alcance para combater discriminações como estas. #direitoshumanos #chegadediscriminação

LEI COMPLEMENTAR Nº 893, DE 09 DE MARÇO DE 2001.

Artigo 8º – Os deveres éticos, emanados dos valores policiais-militares e que conduzem a atividade profissional sob o signo da retidão moral, são os seguintes:

XXIV – exercer a profissão sem discriminações ou restrições de ordem religiosa, política, racial ou de condição social;

XXIX – observar os direitos e garantias fundamentais, agindo com isenção, eqüidade e absoluto respeito pelo ser humano, não usando sua condição de autoridade pública para a prática de arbitrariedade;

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/08/24/abordagem-no-jardins-e-na-periferia-tem-de-ser-diferente-diz-novo-comandante-da-rota.htm

Via Instituto de Defensores de Direitos Humanos – DDH

O DDH informa que Rafael Braga Vieira está internado, desde o dia 17 de agosto, na Unidade de Pronto Atendimento e Hospital Dr. Hamilton Agostinho Vieira de Castro, localizada no Complexo Penitenciário de Gericinó – Rio de Janeiro.

Informações preliminares apontam que Rafael Braga estaria com suspeita de tuberculose, mas, até o momento, a defesa não obteve acesso ao prontuário médico de Rafael. Desse modo, não é possível precisar o estado de saúde de Rafael, bem como a quais exames ele já foi submetido.

Na última quarta-feira (16/08), advogados do DDH estiveram na Penitenciária Alfredo Tranjan e ouviram de Rafael a queixa sobre uma tosse persistente que não teria sido tratada. A situação relatada está longe de ser um fato isolado, ao contrário, é o retrato de um cenário dramático. Infelizmente, o Estado Brasileiro vem permitindo que um surto de tuberculose se alastre pelo sistema penitenciário nacional sem que sejam tomadas medidas adequadas para a interrupção da insalubridade (https://goo.gl/xI0FZf).

Cabe ressaltar que nem a defesa, nem os familiares e apoiadores de Rafael Braga foram notificados sobre a sua transferência para uma unidade hospitalar. A informação só foi descoberta quando Adriana Braga, mãe de Rafael, tentou, sem sucesso, visitá-lo no último domingo.

O DDH está trabalhando administrativamente para obter todas as informações acerca do estado de saúde de Rafael. Adotaremos, em breve, as medidas judiciais cabíveis para lhe garantir um tratamento de saúde digno, na forma determinada pela Constituição Cidadã de 1988.

Reiteramos, uma vez mais, o nosso estrito compromisso com a liberdade e integridade física e psicológica de Rafael Braga Vieira.

#LibertemRafaelBraga

Por que está inércia de grande parte da militância na defesa de direitos em São Paulo? 

Está posto e entendido que o prefake de São Paulo tem um projeto fechado com a especulação imobiliária, que tem planos faraonicos para a cidade e sobretudo para a região da #Luz a muitos anos. Desse a gestão Kassab, que a época foi apelidado de Nero, pelos seguintes incêndios em comunidades afaveladas.

João Doria em conluio com o governo do estado vem se apoiando na dita “guerra as drogas” para higienizar a região, com ações eugenistas ele vem desde retirar os coletivos de intervenção humanitária que a anos fazem um trabalho com aquela população, a evitar com sirenes e luzes das viaturas da Polícia que as pessoas durmam e se locomoção no acesso às parcas políticas públicas ainda existentes, pois o mesmo vem sistematicamente acabando com programas e projetos de saúde, inclusão com geração de renda e redução de danos sem colocar outra política pública no lugar.

“SÃO PAULO ESTÁ UM LIXO!”

A frase não é minha, mas de João Dória Jr. Foi proferida em 4 de dezembro passado, mas poderia ser repetida hoje. À época representava um certo exagero, pelo menos no que é visível para a classe média. Para as periferias, o quadro era, como sempre, muito problemático.

Mas agora, o abandono do que se chama zeladoria pelo alcaide que estreou fantasiado de gari atingiu píncaros espantosos até nas regiões centrais.

Buracos em profusão nas ruas, mato crescendo em parques e praças, lâmpadas queimadas, semáforos inativos, lixo pelas ruas e muito mais derrubam ainda mais a imagem de quem ficará marcado como autor de um esboço de pogrom na Cracolândia.

Dória nunca foi gestor de nada. Propagou a ideia em campanha para difundir o senso comum de que o setor público precisaria de uma hipotética eficiência privada. Bobagem. O setor privado vive da apropriação privada do lucro de forma desigual. O  público deveria se basear na apropriação social do excedente, na forma de serviços e da manutenção e melhorias dos espaços comuns a todos.

O prefeito nunca administrou uma fábrica, nunca supervisionou a feitura de um parafuso sequer. Dirigiu, isso sim, empresas de marketing e de lobbies, mantidas em boa parte através de contratos firmados com o Estado (não apenas aqueles geridos pelo tucanato, mas também por administrações petistas).

O caos urbano se acentua pari-passu aos projetos de privatização de áreas verdes, estádios e outros equipamentos, à destruição das ciclovias, ao aumento da velocidade nas marginais e à cruel política de higienismo social num país que adentra o terceiro ano de depressão contínua.

João Dória Jr. ainda é levado a sério por conta de uma mídia sabuja e comprometida até o talo com seu vezo privatizante e por setores das oligarquias que veem no almofadinha uma de suas últimas chances no jogo institucional para 2018.

Dória é uma fraude. A promessa de voos mais altos não aguenta mais seis meses de vandalismo administrativo, insensibilidade social e inépcia política.

Pensando bem, não é São Paulo que é um lixo. É seu “jestor”.

Qual o sentido, nesse momento, de atacar quem votou na direita explosiva e reacionaria ou apoiou o impeachment de Dilma, se tudo o que queremos é atrair parte desses cidadãos e cidadãs para a defesa das diretas já?

Qual o sentido de militantes de diversos partidos, que se dizem mais a esquerda, cobrarem de petistas a gênese do grupo JBS ou desses cobrarem dos primeiros momentos de aliança objetiva com a direita, se tudo o que queremos é frente única contra o governo usurpador, pelas diretas já e contra as reformas?

Qual o sentido de qualquer acerto de contas em um momento no qual se decide, aqui e agora, se será o golpismo ou o campo democrático-popular a dirigir o país? 

Frente única é uma proposta política, e muitos da esquerda não conseguem fazer política fora de um estrito registro moral. Exigem que a virtude se imponha, ou se restabeleça, antes que a negociação política possa se dar. Enquanto isso, a caravana das reformas passa e tudo que se escuta é o ladrar.
Frente Única exige também maturidade. Infelizmente, todos somos informados por uma imprensa mercenária e nada confiável. Muitos, até hoje, sequer admitiram que o impeachment foi um ato ilegal, portanto um golpe que não teve adesões no campo das esquerdas para ser combatido. Mas temos que ter o pé no chão e lutar pelo possível, afinal, todos sofreremos as consequências, principalmente os menos favorecidos.
Frente única exige paciência e determinação, mas a equação, no fundo, é simples: está de acordo com o objetivo traçado – no caso, diretas já, fora Temer e contra as reformas liberais -, seja bem-vindo, pouco importa o que tenha feito no verão passado.

O jogo endurece

Publicado: maio 16, 2017 em Uncategorized

Não nos iludamos, as coisas vão piorar.

Maio trouxe um recrudescimento da ofensiva comandada pela coligação entre entre a Lava Jato, a grande mídia e forças aliadas conservadoras.

Este regime sem nome, que não governa mas comanda, tem no governo Temer, originário do golpe de 2016, apenas um subproduto de seu projeto mais ambicioso: arrasar com as forças populares, excluir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da sucessão de 2018, através de sua condenação, e criminalizar outros expoentes da esquerda, como a presidente deposta Dilma Rousseff, pavimentando o caminho para uma nova e talvez duradoura hegemonia conservadora.

Não nos iludamos, as coisas devem piorar, com o Estado de Exceção se instalando com mais desenvoltura no país.

São claros os sinais de que as forças coligadas à Lava Jato – que ultrapassa a vara federal curitibana, englobando também o comando da PGR e setores do Supremo – estão pisando no acelerador, buscando o ponto crítico da crise para alcançar os objetivos que realmente sempre importaram.

Um destes sinais é o aumento da violência midiática, que se manifestou na cobertura e repercussão do depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sergio Moro, e a seguir, na difusão caudalosa dos vídeos e do conteúdo da delação dos marqueteiros João Santana e Monica Moura.

Se restava algum prurido, foi posto de lado, numa atuação homogênea e afinada, com profissionais perdendo qualquer pudor de se exibirem como coadjuvantes de uma empreitada política.

A capa de Veja com Marisa Letícia foi uma síntese desta escalada, mas foi um ponto bem dentro da curva.

Os jornais também haviam se empenhado em dizer que Lula tentou culpar Marisa pelo caso do tríplex do Guarujá, embora ele tenha dito a Moro o que já dissera quando ela era viva, e Marisa tenha sido mesmo parte do processo.

Foi ela a compradora de uma cota da Bancoop. Tanto é que, com sua morte, a ação contra ela foi extinta. De tudo isso esqueceu-se a mídia. E vai piorar.

Outro sinal de que a ofensiva entra em uma fase mais pesada vem do alinhamento vertical, no Poder Judiciário, com a PGR e a vara de Curitiba.

Na véspera do depoimento de Lula, o juiz Ricardo Leite, da 10ª. Vara Federal de Brasília, determinou a suspensão das atividades do Instituto Lula.

Era o Judiciário jogando unido, criando o clima contra Lula no depoimento.

A defesa de Lula deixou para enfrentar esta bomba depois, mantendo o foco na agenda do dia seguinte.

Mas também no dia 9, o TRF-4 negou o pedido de autorização para gravar o depoimento e o de adiamento da inquirição, em função do aporte de mais de mil páginas de documentos ao processo.

Manteve, pois, as decisões anteriores de Moro.

A defesa de Lula correu para o STJ mas ali também o ministro relator, Felix Fischer, negou os dois pedidos, bem como o recurso para que Lula seja julgado por outro juiz, em face da indiscutível perda da imparcialidade por Moro.

O depoimento viria desnudar o antagonismo político de Moro com Lula, expondo sua parcialidade, sua convicção prévia de culpa, que conflita com o direito ao juiz natural e imparcial.

Mas ele ganhou no TRF-4 e no STJ.

Eis que, na quinta-feira, 11, dia seguinte ao depoimento, o relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, levantou o sigilo das delações de Santana e sua mulher, que mantivera trancadas por semanas, apesar dos pedidos da defesa de Dilma.

Por que exatamente um dia depois?

Para neutralizar os ganhos que Lula teve com o depoimento, se não jurídicos pelo menos políticos?

Mesmo em alguns nichos da mídia houve o reconhecimento de que Lula conseguiu arrastar Moro para a arena política, onde arengou como não se espera de um juiz, afora o apoio da multidão que se deslocou para Curitiba.

Conhecidos os vídeos da delação dos marqueteiros, vê-se que a decisão de Fachin mirou além.

Apesar de todos os tiques de uma “delação combinada”, as declarações do casal são devastadoras para a presidente deposta e para Lula, novamente apontado como “chefe”.

Dilma é acusada de ter-lhes repassado informações sobre o curso da Lava Jato e de ter sugerido “embaraços à Justiça”, com a transferência dos recursos depositados na Suíça para um país mais seguro. Fachin, a pedido do procurador-geral Rodrigo Janot, enviou o conteúdo das delações dos marqueteiros para Moro.

E com isso, Dilma passa a correr um risco efetivo de ter a prisão preventiva decretada, sob a alegação de obstrução á Justiça.

Tal prisão careceria de fundamento, pois ainda que ela tivesse tentado ajudar o casal a driblar a Lava Jato, hoje não estaria em “continuidade delitiva”, como dizem eles, por não dispor mais de qualquer poder.

Mas com a Lava Jato, este seria apenas um detalhe, e o STF não perderia o sono com mais um arranhão no devido processo legal e nas garantias individuais.

Quando a democracia começa a ser relativizada, tudo pode acontecer. Hoje, com os implicados na Lava Jato. Amanhã, com você, comigo, com qualquer um.

Então, entre os que contam no reino da Lava Jato, há um completo alinhamento vertical, enquanto a mídia faz jorrar a torrente de informações temporalmente organizadas para criar o clima necessário.

Em palestra na véspera do depoimento de Lula, Moro destacou os guardiões com que a Lava Jato conta em cada instância superior.

Sim, o tempo, tudo vem sendo temporalmente administrado.

Antes do depoimento de Lula, vieram as confissões de Leo Pinheiro e Renato Duque, nefastos para o ex-presidente, embora não eles não tenham apresentada qualquer prova do que disseram. Agora, imediatamente depois, as delações dos marqueteiros. E vem aí a delação do ex-ministro Pallocci.

Depois de ter sido apontado por João Santana e Monica como o homem que lhes garantia os pagamentos por caixa 2, eventualmente consultado o “chefe”, ele perdeu a esperança no pedido de Habeas Corpus que tem no STF e, como disse seu advogado anterior, José Roberto Batochio, “rendeu-se à Guantánamo meridional”.

Enquanto isso, o governo Temer vai cumprindo seu papel nesta marcha orquestrada, que é o golpe maior, o que vai alcançar 2018 e o futuro.

Apesar dos tantos ministros e congressistas delatados, nada avançou em relação a seus processos, nem na PGR nem no STF.

Nenhum delator de outra empreiteira foi ouvido para complementar as delações da Odebrecht em relação ao financiamento de outros partidos e políticos, através do caixa dois e em conexão com obras federais ou estaduais.

Enquanto isso, Temer celebra seu primeiro ano no governo, apesar dos retrocessos e da impopularidade superior a 90%.

As reformas regressivas avançam no Congresso, apesar da greve geral do dia 28 de abril e da rejeição oceânica da sociedade. Temer sabe que seu equilíbrio no cargo é precário.

Lá estará enquanto estiver entregando o serviço prometido – as reformas neoliberais, o desmonte de politicas públicas progressistas, a entrega de ativos nacionais ao capital estrangeiro, o ajuste fiscal que interessa ao mercado e daí para a frente. Caso se torne inútil, sabe que poderá ser facilmente descartado através da ação no TSE.

O poderoso regime sem nome, entretanto, prefere que o país vá capengando com Temer, enquanto eles preparam o grande expurgo.

O expurgo de Lula da disputa sucessória, pela dupla condenação antes de junho do ano que vem, e a liquidação moral do PT e de todas as forças que possam recordar a experiência do governo popular em que os pobres foram incluídos no Orçamento da República, embora Lula não tenha tirado um centavo das elites.

Não nos iludamos, as coisas vão piorar.

A Resistência conseguiu avanços, a exemplo da greve geral e da manifestação pró-Lula em Curitiba, mas a situação vai exigir muito mais, em organização da luta democrática e em novas formas de resistência.