Papo de “Buteco”

Conversa de Buteco

Micelas partidárias e a ideia da campanha avulsa
Correntes e Algemas Partidárias X Ingresso e Mudança.

Neste dia estávamos recebendo dois valorosos militantes do Coletivo Nacional de Entidades Negras – CEN, vindos de Salvador – BA – Letícia e Yuri. Estes estavam em missão para a execução da primeira Plenária Popular Observatório Popular de Política sobre Drogas – OPPD – Um Olhar Racial, que realizamos na Universidade Zumbi dos Palmares. A iniciativa foi proposta pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN) ao Programa América Latina da Open Society Foundations e conta com a parceria técnica e científica da Universidade do Estado da Bahia, através da sua Pró-Reitoria de Extensão e do Centro de Referência em Desenvolvimento e Humanidades.

O projeto consiste no estabelecimento de rede de colaboração entre movimentos sociais e populares com atores governamentais e autarquias universitárias, fortalecida através de uma plataforma digital, com a finalidade de:

Monitorar o cenário nacional das políticas sobre drogas e a sua interface com as esferas da redução de danos, segurança pública, de execução penal e racial;

Disponibilizar espaço virtual de difusão colaborativa de conteúdos sobre as questões-chave do projeto, para divulgação de conteúdos, principalmente políticas públicas e ações da sociedade civil, com destaque para as UFs prioritárias do projeto;

Promover e fomentar o advocacy que inter-relacione o debate racial, de políticas sobre drogas, de segurança pública, nacional e internacionalmente;

Realizar, em regime de colaboração, pesquisa piloto que articule os vetores: uso drogas; questão racial; população de rua; violência letal intencional; espaços de encarceramento.

Mais um dia na babilônia, após mais uma missão em busca de soluções para nossas mazelas impostas pelo sistema branco, euro centrado e racista para o nosso fim lento e duramente violento, fomos para o lugar onde avaliações sem dão em metodologias bem mais agradáveis e as grandes ideias, táticas e estrategias de enfrentamento se constroem, pelo menos na teoria, mas é tambem onde desafogamos, desabafamos e realmente efetivamos a renovação das inter-relações, onde cravamos nossas contratualidades sociais, culturais e de convívio fora das cascas intelectuais. O famoso Papo de Buteco. Com “u” proposital.

Mas a ideia aqui é socializar um pouco deste bate papo e neste dia, ou melhor, noite conversamos sobre politica e nossas eternas analises de conjuntura e busca de entendimento de onde erramos na busca pelo acerto e onde acertamos na efetivação dos erros. Falamos muito sobre o PT e suas correntes, o PED, movimentos sociais e outras vertentes politico partidárias, e, o que deu mais caldo, e, consequentemente, mais cervejas (artesanais) e cachaças (tambem artesanais), foi a realidade de nosso sistema politico e seus mantenedores. O buteco escolhido foi o Amigos do Zé, um espaço aconchegante em uma das ruas mais boemias do centro de São Paulo. Com a proposta de um lugar para reunir os amigos, o BaZ (fala-se bazê) é a sigla para o nome do bar, localizado na Praça Rossevelt, reduto recheado de bares e o local eleito por parte da esquerda festiva e tambem outras vertentes para encontros, mobilizações e afins.

baz do Ze

Faixada do BAZ – Bar Amigos do Zé – Mas a Amanda é mana.

Enquanto homem preto, suburbano e militante de e nas bases, eu já mantive contato com dezenas de movimentos e partidos de esquerda e ate alguns de direta e posso afirmar que nem mesmo eles sabem como debater as próprias contradições. A ideia de movimento/partido político advém da necessidade de se formarem em núcleos duros, onde todos e todas giram entorno de um orbita centralizadora e em torno de ideias e em torno de princípios capazes de materializar essas ideias. Um movimento/partido nada mais é do que um conjunto de organelas advindas de micelas “humanas” em torno de uma ou mais ideias pétreas. Um movimento/partido não necessita de um registro formal, para existir de fato.

O registro é necessário, para que o partido tenha o direito de disputar o poder constituído. Ninguém pode dizer que a máfia não seja um partido, composto por diversas famílias que operam em torno de ideias pétreas. A máfia não possui registro partidário, mas possui representação congressual. Da mesma forma que o sistema financeiro também é um partido, enquanto que aglomerado, exercendo funções político-partidárias, em torno de uma ideia central. Não possui registro, mas possui ampla representação congressual. E assim é possível estender esse conceito aos carteis da indústria, do comércio, dos serviços, da imprensa e a tantos outros cartéis que há.

A ideia de “candidaturas avulsas” não é nem um pouco nova e, ao menos por aqui, nunca teve potência suficiente para obter votos congressuais à sua aprovação. Uma “candidatura avulsa” findaria por passar pela necessidade de transbordar a ideia que a motivou, produzindo a inevitável tendência à formação de micelas, ou seja, produzindo um coletivo, uma partidarização. Há muitas causas que conduzem ao aparelhamento partidário, diante do modelo imposto pelo PSDB, através da lei 9096/95. O que mais preocupa é a percepção de que muitos daqueles que se dizem tomados por ideias socialmente muito nobres, sejam os mesmos que usam o modelo imposto pelo PSDB, para se perpetuarem no poder partidário, impedindo a renovação, a pluralidade de ideias e, até mesmo, permitindo o aviltamento acrítico do Estatuto e do Código de Ética.

O conceito de “interna corporis”, contido na lei 9096/95 também atenta contra a segurança jurídica de qualquer filiado a qualquer partido político. Atualmente, o conceito de “interna corporis” é amplamente empregado, para encobrir a mais diversa gama de falcatruas internas ( notadamente em processos de eleições diretas internos aos partidos ) , impondo a “lei do aparelhamento mais forte”, passando ao largo do que versa no Estatuto e no Código de Ética. Em Brasília, havia o trancamento de cerca de dezoito mil fichas preenchidas por interessados em ingressar no Partido dos Trabalhadores.

Nunca sequer deram atenção, porque se solicitava o que deveria ser “pétreo” dentro do partido, nos moldes do Estatuto. Apenas diante da constatação da enorme perda de base é que a nova administração decidiu filiar todos de uma só vez. Ocorre que “filiar todos”, sem analisar caso a caso e sem cumprir o rito de filiação também fere as normas. Esse é um dos inúmeros exemplos que mostram que o conceito de “interna corporis” distorce as relações entre comandantes e comandados e finda por DESTRUIR a essência que ajudou o próprio partido a ser grandioso no passado.

A conexão direta entre dinheiro público e partidos políticos é outro fator que produz aparelhamento. A minoria que chega à cúpula partidária tende a se perpetuar, mediante a imposição da metologia “que for necessária” a isso ! Quebrar aparelhamento partidário não é fácil. É muito difícil encontrar um grupo decidido a correr o risco de ser alijado, ao buscar confeccionar uma administração consoante com os ideais pétreos.

Lula disse : ” é preciso que a gente volte a sonhar… ” Mas, Lula e Dirceu aparelham o PT, via CNB , desde 1995! E não largam o osso !

http://epoca.globo.com/politica/noticia/2017/06/eles-querem-muda CNB (dos antigos “Campo Majoritário”, “Articulação dos 113”, “Articulação Unidade na Luta”).

O resultado do desvirtuamento e da mentirada que se apresenta no tal “discurso único” é sintetizado pela perda de base, pelo aumento do sectarismo e pelo aumento da intolerância. Um partido aparelhado só fala para dentro de si mesmo e nem se dá conta disso. Só para se ter uma ideia, no Plano Piloto de Brasília, em 6000 votos possíveis, a chapa vencedora para aquela zonal, no último PED, obteve apenas 189 votos.

A chapa que ficou em segundo obteve 83 votos e a chapa que ficou em terceiro obteve votação inexpressiva, cerca de 32 votos! Uma coisa é certa ao que ocorre dentro dos partidos que ainda se dizem de esquerda :

“O pior reacionário de direita não é aquele que usa a camisa da CBF e que bate panela. O pior reacionário de direita é aquele que é filiado a um partido de esquerda e que se apresenta pintado de vermelho da cabeça aos pés”.

Esses conseguem facilmente detonar a essência da ideologia socialista, pelo lado de dentro. Conseguem destruir o que quiserem, dentro de um partido socialista, porque a grande maioria de filiados de boa fé tende a adotar movimentações manifestamente inúteis, mas que são amplamente divulgadas e apoiadas no tal “senso comum”.

E isso vale também para sindicatos, centrais sindicais, frentes ditas populares, movimentos sociais, movimentos estudantis, coletivos e afins. Apesar de tudo isso, imaginar que é possível a adoção de uma política “apartidária” não faz sentido e não tem futuro! Em entrevistas ao periódico “Página 13” e ao periódico “BR 247″, a nossa única presidenta Dilma disse que ” a democracia não acabou e que o jogo será jogado em 2018″ !

https://youtu.be/CsaTopPbPAs

Seguimos para a proxima rodada….

Beba com moderação e ame sem limite..

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