Sentimentos Rimados em Busca da Praxis

Pensamentos

Rimados

em busca da Práxis

Capitulo I

Pra começo de conversa

Meu nome é Eduardo, vulgo Bobcontroversista e vou me expressar, minhas Historias começam em 1984 e neste primeiro momento não são de se alegrar, pois no começo foi uma vitória, até as violências começarem a me afetar, ou melhor, dizendo tentar-me desalforriar.

Neste ano tive a oportunidade de em uma das melhores escolas de São Paulo ingressar, só que logo na sequência o destino, uma peça conseguiu me pregar, meu pai, minha referencia, deste plano terreno decidiu se mandar, teve um derrame cerebral fulminante, nos deixou em um pequeno, porem eterno instante e em um momento especial da minha vida ate ali curta, me fez quase desistir da luta, mas existia naquele momento uma mulher, guerreira e companheira que em meu auxilio veio para encarar juntos esta luta e bateu de frente com os opressores sem titubear na labuta, batalha dolorida e injusta, e de forma combativa, foi firme e me manteve na ativa, mesmo naquele momento de profunda dor, me mostrou que passaríamos pelos espinhos para alcançarmos a flor, e que muitas vezes íamos nos machucar, porem, nesse seu desenrolar, mais um gladiador iria formar.

O feitiço voltado contra o feiticeiro, na escola era visto como um forasteiro, mais um negrinho de terreiro, visto com indiferença pela cor ser diferente, os olhares eram ardentes que chegavam a machucar, porem estávamos firmes na proposta de continuar e superar, ali percebi que não estava sozinho e que juntos mais esta batalha iríamos ousar encarar.

Logo na minha entrada nesta, que deveria ser um espaço de educação e desenvolvimento cidadão, percebi e senti os olhares de reprovação, para um preto, pobre e órfão ali no clube/escola da elite da nação, o preconceito, o racismo e a discriminação, eram presentes e latentes na vida daquele ate então adolescente.

Com o passar do tempo as varias violências vividas fez com que algumas estratégias fossem definidas, no intuito de minimizar estas que causavam profundas feridas, na falta de conhecimento utilizei a porrada como forma de enfrentamento, deixando de lado a dialogicidade, violência gerando violência por falta de entendimento e argumento, ações de um grupo extremamente racista me fez junto com a minha mãe, companheira e parceira a superar aquelas barbáries doloridas e realistas, que até hoje se fazem em abertas feridas, na sala de aula cada dia era um tormento, não me enxergava nos ensinamentos, do dito “quadro negro”, minha história era contada e permeada pelo sofrimentos, linchamentos, chicoteamentos, a imagem de escravo gerava descontentamento e a professora não mostrava nenhum engajamento, em minimizar aquele real e profundo segregamento, digo sangramento, no imaginário das outras crianças era visto e tratado como da história mais um incremento, mais um rebento que na roda dos excluídos teve seu principal momento.

Na hora do intervalo que as relações se estreitavam, não tínhamos a merenda cedida pelo Estado, era tudo privatizado e elitizado, na época a moeda corrente era o cruzado, e quando encostava o umbigo na lanchonete, as moedas não compravam nem um chiclete, me via mais uma vez em xeque, mas não o mate, sempre discolava um sanduíche e as vezes até um chocolate, porem para os moleques era motivo de piada e sempre me posicionava, mas a revolta sempre me rondava, gostaria muito de finalizar aquela jornada, que viria a ser ainda mais adornada, de testes e avaliações, porem sempre tirava algumas lições, e acabavam superando e administrando minhas contradições.

Não demorei a reproduzir e até partir para físicas agressões, e assim gerava grandes problemas para minha mãe, a mesma era muito cobrada e de forma sistemática provocada, pois do clube era funcionaria, mais uma pessoa duplamente discriminada, por ser mulher, negra e mais uma simples operaria, mas de postura firme e revolucionaria, que na pratica lições para mim no dia a dia mostrava, por ser inspetora, tinha que manter a ordem e colocar limites nas hordas, de crianças e adolescentes que recebiam já em casa a idéia de serem superiores, que a formação vinha para serem doutores e futuros e prósperos opressores, a pura e continua reprodução, do sistema de exploração, aos quais seus pais e mães também passaram e eles naturalmente passarão.

Comecei então a participar e praticar diversas atividades e modalidades esportivas, e em cada uma dessas tinha que provar que era o melhor, me desdobrar para ser aceito como um ser humano nem pior nem “menor” e isto me trouxe mais problemas, pois com o destaque veio à cobrança do sistema, estar ocupando/disputando o espaço com o filho do boy, para muitos infelizmente dói e requer da minha parte uma devida penitencia, que ate hoje ainda corroi.

Com o tempo já não convivia no espaço da mais ardua batalha, na época acontecia no clube festas da Musicalia, e eu aproveitava, no estacionamento externo os carros eu olhava, e desta forma recursos importantes eu captava, já era um flanelinha sem flanela, e me dava bem com os ensinamentos da favela, que ficava do outro lado da rua, no bairro da Armênia, a situação ficava mais amena, quando estava neste espaço, uma praça no bairro da Ponte Pequena, onde conseguia visualizar e entender as desigualdades e seu esquema, de um lado os descamisados e do outro, vários carros importados, percebi com fervor que a mesma tinha uma cor e uma etnia, e que a sua manutenção de nós dependia, de vez enquando sumiam uns toca-fitas, ai era a vez da polícia que adorava uma pancadaria, batia em todos que estavam em sua mira, não tinha grande, pequeno, nem coitado, o chicote estralava a doidado, só tinha uma diferença a do preto para o branco e do branco para o pardo.

Contudo consegui fazer alguns contatos, busquei o primeiro e formal emprego, Office boy nos escritórios do centro, um importante avanço, pois com o pequeno pagamento, poderia somar no sustento e minimizar os enfrentamentos, a escola não tinha mais atrativos, o sistema forjado e manipulado para tal, conseguiu mais uma vez excluir o menino, transformando em mais um marginal, não no pejorativo da palavra, porque do meu lado ainda estava minha fiel escudeira, Dona Angélica, mãe, amiga, e conselheira, negra de braços fortes e postura quilombola na desenvoltura, firme na rocha independente e sobrevivente, a saída do ciclo de formação intelectual, no espaço de educação formal, a entrada no mercado de trabalho foi a saída para dar um final, naqueles momentos de violência institucional, desigual e brutal.

Mas me enganei achando que ali era o final e novamente me deparei com o mundo desigual, nem o cargo de confiança em uma multinacional, me tirava o diferencial, de carregar o estereótipo de marginal, novas estratégias tinham que ser definidas, para a minha continuidade na firma, e mirei na secretaria, uma linda menina, o charme e sedução ponto forte do negão, poderiam amenizar a discriminação, pois estava pegando a queridinha do patrão, engano meu em larga escala, o opressor não queria saber, potencialidade e compromisso não eram suficientes para ali como profissional eu crescer, hora de mais uma decisão, continuar subordinado e manter a discriminação?

Ser pacato e acomodado nessa situação?

NÃO!!!

Fui pro enfrentamento, resultado?

Mais um na fila dos desempregados, mas isso me causava um certo agrado, pois me posicionei e nos sub-conscientes uma sementinha eu deixei, reflexão que poderia gerar uma ação, pelo menos quem sabe, repensar a discriminação.

Com tudo, consegui terminar meu primeiro ciclo de estudos, entrou um menino assustado, saiu um homem surrado, mas de personalidade e com uma bela bagagem. Na medida em que ganhava experiência buscava minha auto suficiência, os livros eram meus melhores amigos, não me relacionava com outros também atingidos, essa era a minha forma de entender e enfrentar o racismo, não gostava de brancos, japoneses e qualquer um que não representasse minha raça, não compartilhava nem banco de praça, era amargurado com as vivencias e sofrimentos do passado, no entanto o acaso trouxe entendimento, nas andanças e correrias das ruas do centro, o estudo autodidata me mostrou onde mora o fortalecimento.

Em 1988 conheci o Hip Hop vertente político-socio-cultural que me explicitou de forma natural, ensinamentos e conhecimentos que buscassem acabar ou minimizar o racismo e os preconceitos. Quando visualizei o desenvolvimento desta intervenção, uma questão muito importante de pronto me chamou à atenção, o espaço utilizado pelo b.boyng’s passara por uma profunda ressignificação, mesmo que essa não fosse naquele momento a real intenção, a manifestação tinha uma verdadeira interação, troca de conhecimentos específicos e socialização, que naquele momento sem igual, seria a multiplicação desta vertente cultural, fui então cooptado de forma natural, e passei a acompanhar e entender melhor do que se tratava, e percebi que ali estava a minha, de escape grande válvula.

Naqueles momentos já visualizava como através da inserção nesta cultura de cunho político-social chamada Hip-Hop poderia transformar a minha realidade, na potencialização do meu próprio potencial e a de vários outros sofredores, não de forma imediata, mas poderia atender direta ou indiretamente os iguais na mesma problemática, a virada na vida sofrida da periferia, a começar pela minha família, que passou a depender única e exclusivamente de uma guerreira quilombola, chamada Angélica, minha amada mãe, mulher que da noite para o dia teve uma nova missão, teria que se desdobrar para quatro filhos prover alimento, moradia e educação, sem vacilação, busquei com afinco aprender aquela lição, ali começa uma grande caminhada em busca de reparação, pelos anos de violência racista e a sofrida discriminação.

 Melhores ou piores, essa não é a questão, a bota que nos pisa é sempre uma bota, já compreendeu o que quero dizer? Não mudar de senhores, mas não ter nenhum”.

Bertolt Brecht

Estamos em 1990, época de Copa do Mundo, mais uma grande estratégia para a omissão do Estado à situação insustentável, tínhamos um presidente eleito pelas burguesias, que se aliaram para derrubar um que vinha pelas maiorias, naquele momento tínhamos Lula como grande motivador e salvador da pátria falida, porem em uma estratégia bem definida, o mercado, os latifundiários e grandes agricultores mexeram seus pauzinhos para articular doutores e grandes “lóbi-articuladores”, resultado, a manutenção no poder daqueles que sempre foram nossos grandes algozes e ditadores.

Vivíamos uma democracia disfarçada e vigiada, a nossa nova Constituição falava mais não efetivava, dos espaços de manifestação, éramos expulsos pela policia sem noção, sempre na ameaça do retorno do grilhão, para este momento precisávamos nos movimentar, sempre no contra sentido, e após o Hip Hop tudo isto ter percebido, começa o formato incisivo do Rap político, logo fui buscar entendimento e o devido conhecimento, mas é a partir do reconhecimento dessa situação, que os movimentos forjaram um projeto de intervenção, e as posses de Hip Hop, que eclodiram, se fortaleciam e se multiplicam, para somar, tumultuar e transformar, os alicerces do erudito abalar, a proposta era simples espaços resiguinificar, para que jovens, crianças e adolescentes, desta forma pudessem enfim, festejar, brincar, ai que está chega de proposituras, diz que me diz e blá, blá, blá, não podíamos mais só reivindicar, tínhamos que lutar, a parada seria era ações efetivar, não só pontuar, apontar, estávamos a quinhentos e tantos anos só discutindo e pontualmente uma coisa ou outra ia surgindo, emergindo só que rapidamente, principalmente jovens e na maioria negros, iam sucumbindo, cada vez mais cedo, engravidavam precocemente as meninas e morriam os meninos.

Se não nos movimentássemos para a efetivação e construção, de espaços para o escoamento das varias expressões, estaríamos se omitindo e desta forma continuariam as repressões, violentas dos capitães do mato, vestidos tanto de cinza como os de terno e sapato, em constante desenvolvimento, sem contar que a paciência começava a se esgotar, na mesma medida que a responsabilidade vinha a aumentar, a proposta era rapidamente se organizar, pois a passos lentos e de forma morosa, a base desarticulava, fragmentava, e continuava na ponta da caneta, a vida miserável e sangrenta, era é só sacode, e disfarçado de política publica no meu e no nosso corpo ainda estrala, estralava o chicote, era e é só boicote, na educação, na saúde, na cultura e no esporte, estava e esta tudo imperfeito, falavam e falam de deveres, violavam e ainda violam na direta nossos direitos.

O povo então se apega na oração na religião, uma falsa possibilidade, que na verdade ideologizava uma alienação, que no poder dominante se faz sua manutenção, com o objetivo principal de manter a dominação, igrejas evangélicas, católicas e muito mais, pregam de forma contumaz, a vinda de um salvador para salvar tudo quanto é sofredor.

Faziam de tudo para não mostrar que o problema tem uma raiz, é tipo caso babilônia, de patrões e porcos banqueiros, dos casos de racismo explicito e traiçoeiro, de fatos, fotos, feitos e desmandos, fardas que a serviço do Estado e da burguesia seguiam o comando, viaturas que violentavam de modo vil e sangrento, a famigerada violência institucional silenciando os becos, favela ainda chorava e o Rap assinava o verso, o apelo, era pura poesia, atitude escrita que revolucionava muitas vidas, subversão tramada, articulada, reinventada, mas não estacionada, não precisávamos de esmolas eles não conseguiam entender, de droga barata, discurso hipócrita para nos entorpecer, porem muitos não percebiam que juntos éramos fortes, que éramos a maioria e podíamos vencer, como um lindo soneto, com a poesia do gueto, as loucuras que curam, sorrisos que matam, cabelos de mola, palavras de pretos, quilombolas atuais, herdeiros reais, com uma história muito rica, com versos de guerreiros em uma canção coletiva.

Alguns já eram doutores, mas muitos ainda tratados como manes, não se apoiavam na rebeldia e na energia, mas infeslimente na imortal e brutal fé, com o tempo conseguíamos entender que tínhamos e ainda temos a luz, a beleza e a vida, e essa luta em seu tempo seria vencida, a labuta não era e não é bela, ainda vivíamos e vivemos as mazelas, nos morros, nas comunidades, nas favelas, correndo da polícia que mata o negro, e o pobre civil, infelizmente isto ainda é o Brasil, que favorece e se alia a ditadores, enganadores, terroristas e guerrilheiros, Bush, Edir Macedo, ACM, Paulo Maluf, PCC e comando vermelho.

Que em sua fúria exploratória tentam fazer do mundo um vasto campo para sua ganância, e ainda sentem glória, proprietários de tecnologias fazendo suas mercadorias, capitais percorrendo o mundo com velocidade, trilhões de dólares circulando nos sistemas financeiros, como uma nuvem de gafanhotos sedentos, em todo o globo o zombeteiro vai vivendo, da especulação, da opressão, do roubo, marqueteiros globalizando o capitalismo, globalizando a exclusão, poucos vivem bem nesta situação, aos bilhões restantes, a miséria, a fome, nanismo, escravidão, globalizando o capitalismo, globalizado o caráter desumano, desta forma se matam os pobres, na sua maioria beltranos e fulanos, temos que globalizar a necessidade de dar um final, superá-la, de por fim as barbáries modernas, que prostituem as crianças, colocando-as de pernas abertas, as mazelas, à realidade das favelas, tudo faz parte delas, barbáries modernas.

Racismo, consumismo, individualismo, hedonismo, pragmatismo, males que tiram do homem o amor pela vida, sucumbida a premissas, a grande decisão seria, obituário ou dicionário, estagnação ou subversão, estava chegando à hora, procurávamos sempre a melhora, porem muitos dos nossos irmãos, ainda plantavam vento e tufão, e a conseqüência era sempre colher furacão, revolução, evolução, revolução, evolução, as palavras de ordem para uma geração, que através e junto com a cultura Hip Hop, buscavam uma melhor condição, fim da vida dura, moldada pela amargura, mas na sua condução viam seus iguais muitas vezes dentro do caixão ou mofando na prisão.

O Estado este era e continua sendo só opressão, legitimava e legitima um monte de associação, que tinha e tem os boys não como parceiros, mais sim como patrão, que na sua maioria tinham como objetivo da miserabilidade sua manutenção, a captação de recursos tinha como critério o maior numero de coitados, e assim prosseguia a caminhada dos mesmos famigerados e a população na tentativa da superação, visualizava nesta inevitável condução seus iguais muitas vezes dentro do caixão ou mofando na prisão.

Vivíamos em uma guerra sem tréguas, cheios e fartos do lirismo cometido, o lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo, contudo tínhamos e ainda temos um norte eleito, combater e atuar na causa e não o efeito, no HIP-HOP onde se fazia jus, no fim do túnel uma luz.

Os filhos, a família, a falta de recursos, a necessidade de trabalhar, suar, pra ganhar o sustento, só lamentos, e o guerreiro? Tinha que desprender toda energia, todo dia, na alegria e também na tristeza, continuar firmeza, a vida familiar e profissional não poderia diminuir a visão revolucionaria, o entusiasmo não poderia cessar, parar, titubear, sabíamos que era preciso muito tempo, desprendimento e muito talento, sem esquecer do sentimento, esta era a arma e esta sempre carregada, tínhamos que estar sempre na vanguarda, tentar criar um mundo novo, construir uma vida nova, sempre sendo os operários envolvidos e incumbidos desta missão, sem vacilação, se nos atrasássemos se sucumbíssemos ao cansaço, o fim era e imediato, e a história sempre se repetia a ainda se repete, bala de aço, ou trancado num quarto quatro por quatro, com dezenas de condenados, não a sedução da possibilidade imediata de uma pequena vitória, que não viesse com glória, isso é história e causadora de náuseas, é quase uma traição à causa transformadora, e nunca devemos esquecer o que era a nossa missão, não almejar as pequenas vitórias, falas dirigidas aos filhos, às filhas, aos netos e às netas, nosso objetivo sempre foi e é, a vitória completa, isto é o que queremos, essa é a nossa meta.

Pelos dentes estragados, pela raiva contida, pelos nós na garganta, pelos manos e minas que não cantam e não somam, pelo produto literário proibido, clandestino, pelo grupo censurado, pelo educador exilado, pelos nomes proibidos, pelas terras invadidas (ocupadas), pelos espaços conquistados (tomados), pelos mortos no tronco, pelas meninas e meninos assassinados, pelos intuitos e objetivos apagados, pelos sonhos não realizados.

Íamos vivendo na guerrilha diária, mas com lealdade, combate corpo a corpo com a desigualdade, degradação da moral social enxergada por muitos de forma natural, observando como é levado o espírito nacional, que para os mesmos muitos ainda se via normal, ao verem no jornal mais um irmão morto, estereotipado como marginal, ao escrever nossa realidade refletimos sobre a realidade, subvivida nas comunidades, nas favelas, a falta de tudo não me envergonha dela, muitos me perguntam onde e como fazer, outros ficam inertes sem sequer se mexer, muitos tentam fazer o bem, mas recorrer como e a quem, garotas de 13,14 anos carregando neném, políticas públicas efetivas de assistência social não existe, nunca vi, onde mais precisa não tem, os estados imutáveis, inevitáveis de indignação fortalecida pelos usurpadores da nação, que viam, mas não queriam enxergar a real situação, vivos mortos aguardando na fila do hospital, políticas de saúde em estado terminal, vida de cão, no fundão periférico é extremamente natural, não é ilusão.

A historia mais uma vez se repete e não é ficção, arma na mão, mais um irmão, projeto de vida, caminho da morte ou da prisão, na solidão, sonho de emancipação, reflexão, liberdade, fim da opressão, então, proposta, oportunidade, educação, humanização, pedíamos para as irmãs e para os irmãos é de coração, faça sua parte ajude a mudar o mundão, arranque o tumor mate o cisto, que violenta a menina e extermina o menino.

Buscávamos na leitura o entendimento da formação da desigualdade, longe dos espaços de educação formal, longe das faculdades, era sempre presente, a história de rodas as sociedades até hoje gera um embate a histórica luta de classes, homem livre e escravo, o segundo sofre, sofreu, patrício e plebeu, barão e servos, parte elitizado, parte domesticado, casa sem água e banho de espuma, travamos uma luta sem trégua, ora disfarçada, ora aberta, quanto cinismo, opressores e oprimidos em permanente oposição, atos pensados que sempre terminam em transformação isso é histórico não é besteira, o ditado formou nossa bandeira, fomentarmos a maciça evolução, digo revolução Brasileira transformação maciça de uma sociedade inteira, com o declínio finito do conjunto de classes em conflito, o povo (oprimido) tem que se unir, persistir, a burguesia tem que cair não pode existir, resistir, persistir. A elite esta sempre articulada para manter a opressão, repressão e estrategicamente sempre alteram na direta, digamos na direita, constantemente os instrumentos de produção, sem emoção nas relações de produção, e de formas e atos desleais alterara na direta (ou direita) o conjunto de condições sociais, para isto existe um elixir, sem estas mudanças ela não pode, não consegue resistir às forças de produção que irão formatar o regime humano-socialista, e estão amadurecendo de forma realista, mostrando as contradições do sistema capitalista, será petista, pmdbista, o pedido resistia leiam, se informem, insista, persista, formemos a comuna, não um organismo parlamentar, mas um corpo atuante, executivo, legislativo e cooperativo-familiar, para despojar políticos safados desta falsa independência, sem clemência e de forma imparcial, harmoniosa ou brutal, só assim iniciaríamos uma verdadeira, participativa e coletiva Republica social, abolindo essa direita explosiva e junto com ela a polícia e todos os instrumentos do poder capitalista, quebrando assim as ferramentas da opressão espiritual, derrubando a igreja e mandando para o desmanche o veiculo papal, inicio do final, pois eles condicionam a verdade, seqüestram a liberdade, aleijando a dignidade e junto a ela a hombridade, este sistema é muito selvagem, digo que é necessário ter coragem, nesta adversidade, eles são bons de briga e bambas na arte da intriga, para manter as pilhagens mordem até a mão amiga, é este sistema é tenebroso, se oficializa, legitima o delituoso, passam o certo por errado, exterminam sem compaixão o pobre que antes era coitado, que outrora era um ser dadivoso talvez até um peito apaixonado.

Pedimos mudança, paz, mas não trégua, é preciso acabar com esta guerra que ainda tem vez nesta terra, e que faz habitat no coração dos homens, que ainda morrem de frio, sede e fome, queremos tranqüilidade e dignidade, não de trevas e o ódio que nos consome, ter da igualdade, verdade e amor à companhia, porem, é preciso em verdade é ser forte, sem jamais perder o norte, temos que acabar de vez com essa agonia, perdoemos, sem ironia, digamos não a morte, mas se preciso for estaremos no fronte, para lutar, livrar do opressor e da polícia, de dia e de noite os irmãos e irmãs do açoite, de canetadas homicidas, que matam aos milhares aos montes, de atos tramados, pensados, articulados, pela elite burguesa em busca do acumulo de riquezas, não agüentamos mais queremos igualdade, queremos paz, e se no caminho para tal esta a guerra, pode vim arrombados estamos preparados para ela.

Como visualizei na história de Zumbi, e nos dias atuais percebi, que nada mudou e o sistema continua o mesmo por aqui, somos uma grande nação afavelada, aquilombada, num sistema escravocrata, onde a lógica da exclusão, atropela a da humano-socialização, é a forma sutil, porem grandiosa, válvula propulsora em busca de honra, é a luta que reforça a força de fortalecer, o fim da ideologia do embranquecimento, é a valorização do enegrecer, é visualizar na vista vida árida cotidiana, a discussão, entendimento e reparação pela diáspora africana, é o fim da exclusão do negro e da mulher no mundo do trabalho, o fim da desigualdade e o verdadeiro desenvolvimento de possibilidades, agindo com total e verdadeira equidade, é lembrar que gueto deixou de ser sinônimo de pobreza, hoje é sinônimo de nobreza, onde a elite vive blindada, murada, cercada, eletrificada, é dizer também que nenhuma violência é isolada. Porem é saber e dizer também, que as coisas de poucos, faltam a muitos, que por terem pouco fazem com que poucos tenham muito e como querem mais precisam que estejamos sempre contra nós mesmos, para que eles estejam sempre a favor de si próprios, e contra nós, que no fundo também estamos eu também estou a esta distancia ainda que perto, desta fome do que sobra espaço pra ser, e querendo ser apenas a soma de eu, nós e você, para sermos o mesmo começo, meio e fim, de tudo, FIM DA OPRESSÃO e da segregação, avante na missão, sem vacilação, vamos que vamos companheiros e irmãos com ou sem armas nas mãos, perto ou longe daqui, ISTO AI É ZUMBI!!!

Uma das questões centrais com que temos de lidar é a promoção de posturas rebeldes em posturas revolucionárias que nos engajam no processo radical de transformação do mundo. A rebeldia é o ponto de partida indispensável, é deflagração da justa ira, mas não é suficiente. A rebeldia enquanto denúncia precisa se alongar até uma posição mais radical e crítica, a revolucionária, fundamentalmente anunciadora. A mudança do mundo implica a dialetização entre a denúncia da situação desumanizante e o anúncio de sua superação; no fundo, o nosso sonho”. 

(Paulo Freire)

E dando um salto no tempo, para não se alongar nesta historia com profundo contorno de depoimento, organizamos mais uma posse dentro do Hip Hop visto ainda por muitos como um mero movimento, que passaria como uma brisa, uma levada de vento e neste momento, começa a se firmar com em um forte ideário, o que se tornaria o Movimento Hip Hop Revolucionário, antes chamado de Movimento Hip Hop Renascer, porem para se fortalecer com a igreja teve que romper, bateu de frente com os dogmas de dominação, se livrando da doutrinação com viés de dominação, pois mais uma vez a igreja vinha na sua forte concepção de arrecadação de irmãos, para o perpetuo aumento da sua arrecadação, nos reportamos ao ano de 1999, onde começa mais uma história que nos norteia e ate os dias de hoje nos move.

No ano de 1999 na igreja Renascer em Cristo, no centro de Guarulhos, se iniciava uma proposta que faria com o passar do tempo muito barulho, a mesma era freqüentada por alguns jovens iniciantes, que sem a busca incessante por ibope, se tornariam grandes militantes e potencializadores da Cultura Hip Hop, eram eles entre outros que se posto não caberia no papel, Jonathan, Clayton e (Mano) Emanuel, Feijão, Gilliardi, Carlinhos e Rafhael, pontuo estes, pois na seqüência seriam os mesmos que romperiam com uma antiga concepção, da grande corporação, de dominar toda e qualquer ação, principalmente na esfera da religião, que agregue muitos irmãos, sempre visando os recursos e sua perpetua captação, sem vacilação em um bem elaborado plano de ação, na e para a cooptação e utilização dos sonhos de muitos em busca da tão sonhada salvação e religiosa transformação.

Fazia pouco tempo que freqüentavam esta igreja, alias até então nunca tinham freqüentado nenhuma agremiação nesta vertente de religião, no entanto aquela de certa forma agradava, pois tinha uma estratégia também muito bem esquematizada, aja visto que haviam por lá muitos eventos e às pessoas, principalmente, jovens interessava, muitos se engajavam em promovê-los, tinha Rap, rock e sertanejo, tinha gente que curtia diversos tipos de musica em vários movimentos e tinha também uma gama enorme de artistas cristãos, para agradar todo tipo de publico, que colavam ali ate então.

Contudo depois de algum tempo foi observado, e tratado com extremo cuidado, que apesar de ter muita gente que curtia Rap os eventos não contemplavam, e facilitavam nitidamente e infinitamente mais o rock, no detrenimento dos outros estilos, o rap quando era promovido era mal idealizado, mal executado, mal planejado e mal gerido, era uma verdadeira balbúrdia, mesmo quando muita agente se propunha a se engajar na árdua labuta, todos envolvidos na construção eram tratados como simples serviçais, como pseudo-entendidos do assunto, inexperientes ao sabor da sorte, aja visto serem alguns jovens apreciadores de Hip Hop.

Antes de o depoimento continuar se deve salientar, e não nos equivocarmos em não dizer, que todos os eventos realizados na igreja Renascer, ou pela igreja Renascer, tinham/tem um objetivo especifico, nobre e elementar, porem “capitalistico” a se alcançar. 

(…)



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comentários
  1. gestossonoros disse:

    A busca nao pode parar,palavra é poder,cultura é povo

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  2. projetocomcom disse:

    Muito loko mano! “SUPERAÇÃO”!!! Deus abençoe a caminhada!

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  3. Dj Sandro Lobato disse:

    Pra ver e ler, pontos de diversas cores se misturam a energia e junto a matemática d.c: palavras quaisqueres dicionários

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