Posts com Tag ‘cultura Hip Hop’

1891140_957335834296044_4970403185247080629_n

A Cultura Hip Hop em Movimento Social surge, aqui no Brasil, e sobre tudo nos Estados Unidos da América – USA, em um contexto de efervescência política, na perspectiva da discussão étnica racial e de enfrentamento ao racismo (fortemente influenciadas por grandes pensadores e militantes da envergadura de Malcolm X, Martin Luther King Jr, Black Panters, Marcus Garvey, Frantz Fanon e etc) e seus tentáculos nas mais diversas violências, neste sentido sua militância vem acumulando de forma significativa uma grandiosa quantidade de tecnologias sociais de enfrentamento programático, sistemático e sistematizado ao racismo e à construção e efetivação de políticas públicas que garantam não só acesso aos bens e serviços, mas também à dignidade do povo preto e pobre do Brasil, fazendo e multiplicando a discussão sobre ações afirmativas de reparação de perdas e invisibilidade no que diz respeito a questões como mobilidade, trabalho, emprego, educação, moradia, habitação, lazer, esporte, religião e sobre tudo às culturas.

A razão da política e suas ações afirmativas, segmentadas na perspectiva étnica racial estão mergulhadas na história do nosso país e muito presente em todas as ações dos quatro elementos da Cultura Hip Hop em Movimento Social, porém, ainda é muito fácil fazer valer-se de argumentos que questionam a incapacidade do Estado de fornecer educação de qualidade e para todos a fim de posicionar-se contra as cotas, bem como permanecer inerte na busca de uma sociedade mais justa, solidária e educadora, de fato e de direito.

As políticas públicas para os ditos afrodescendentes (prefiro pretas e pretos) se fazem necessárias porque a eles não foi dada qualquer oportunidade de ascensão social e seu consequente crescimento e desenvolvimento igualitário em relação a raça branca e seus descendentes pós-escravidão. Os pretos e pretas foram, além de escravizados, estigmatizados e colocados à margem da sociedade e da participação como protagonistas na condução de suas vidas e do país. A seus descendentes não foi proporcionada nenhuma possibilidade de franco crescimento intelectual que ficou reservado, até então, aos brancos. Para os campos sociais o governo desenvolve outros programas, como deve ser de conhecimento de todos. Aos nativos brasileiros (chamados também de índios) o governo trabalha com ações de demarcação de terras, que é o que culturalmente lhes é proporcional e reivindicado por eles próprios, o que não quer dizer que a eles não seja atribuído e dada a oportunidade de participação em sistema de cotas para ingressar em uma faculdade, se assim desejar um indígena.

As cotas aos invisibilizados, discriminados e marginalizados (no pejorativo da palavra) aí reside o fundamento das cotas raciais ou ações afirmativas. Os brancos de hoje não irão pagar pelos erros de seus ascendentes, mas é o Estado que deve e irá implementar gradualmente as políticas de afirmação voltadas aos pretos e pretas do Brasil, o que não quer dizer que os brancos não poderão reivindicar melhorias e mais vagas ao ensino superior e neste processo a militância da e na Cultura Hip Hop em Movimento Social tem papel fundamental, juntamente com o Movimento Negro Unificado – MNU, entre outros seguimentos de luta por igualdade. Os pretos e pretas no geral não conseguem da mesma forma que os brancos ingressar em uma faculdade pública, porque, como já foi dito, isso é uma questão cultural histórica em que o acesso a um ensino de qualidade, emprego, trabalho e renda sempre esteve economicamente ao lado dos brancos, e os pretos e pretas, por sua vez, sempre estiveram à margem da ascensão social.

O dia em que as fotografias dos álbuns de formatura estiverem mais coloridas e até mais inclinadas para os pretos e pretas, como bem pontuou a subprocuradora da República Dra. Deborah Duprat em seu pronunciamento no STF, e o dia em que brancos, pretos e pretas estiverem em pé de igualdade, as cotas deixarão de existir. E não sou eu quem lhes assegura isso, mas a nossa brilhante Constituição Federal que, no dia de hoje, reafirmou, via STF, a legalidade das cotas raciais que convergem com preceitos fundamentais.

Desmantelados todos os demais argumentos e até mesmo os de cunho racista contrários ao sistema de ações afirmativas, um argumento ainda persiste incansavelmente: o da desigualdade social que independe de raça/etnia e que, entre eles, o sistema de cotas por não alcançar os brancos pobres são injustos. Pra quem ainda não entendeu, as cotas são étnicas raciais e não sociais. As políticas de afirmação para pretos e pretas introduzida a cerca de oito anos nas universidades brasileiras, inaugurada pela UnB, objetiva extinguir a disparidade histórica entre pretos, pretas e brancos e equalizar, guardadas as proporções, a presença das diferentes etnias/raças na participação de postos de trabalho intelectuais, de maior prestígio social. Para os desfavorecidos econômicos, independente de etnia/raça, existe o PROUNI, que, diga-se de passagem, é um excelente plano de governo.

Aos racistas enrustidos, opressores e aproveitadores que comparam o sistema de cotas com o nazismo hitleriano nós só temos a lamentar e repugnar parafraseando a Dra. Indira Quaresma, advogada da Universidade de Brasília, dizendo que o sistema de cotas retira-nos, nós negros, do secular campo de concentração da exclusão e coloca-nos nas universidades, caminho do conhecimento, do crescimento intelectual, profissional e da mobilidade social. Ao contrário do nazismo que, como ela bem disse, retirou judeus, negros e homossexuais das universidades para conduzi-los aos deploráveis campos de concentração nazistas.

O que assistimos nos dias 25/04 e 26/04 na TV Justiça foram votos de ministros (ainda que eu tenha ressalvas em relação a alguns, como Gilmar Mendes, p. ex.), todos eles sem exceções, comprometidos com uma nação que se pretende justa e solidária, livre de preconceitos e desigualdades. Foi um julgamento de uma ADPF que representa um divisor de águas para a sociedade brasileira no que tange a questão racial, caminhando para um futuro de um Brasil mais democrático e cada vez mais maduro. A Cultura Hip Hop em Movimento Social escreve a partir da verdadeira práxis revolucionaria estas linhas de ação pautando os Estado e seus dirigentes, seguimos na luta já que a muito a que se avançar. “Ousar lutar, ousar vencer e venceremos”

Bob Controversista

  • Presidente na Associação Cultura e Educacional Movimento Hip Hop Revolucionario – MH2R
  • Presidente Estadual do Instituto Ganga Zumba
  • Setorial de Cultura UNISOL São Paulo
  • Coordenador do Ponto de Cultura com P de Protagonismo – Guarulhos
  • Coordenador da Casa da Cultura Hip Hop de Guarulhos e do Alto Tiete
  • Membro do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial – COMPIR Guarulhos
  • Membro do Conselho Gestor do Programa Juventude Viva – Guarulhos
  • Articulação da Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo
  • Membro da Nação Hip Hop Brasil
Anúncios
Logo que representa a essência da Cultura Hip Hop em Movimento Social no Brasil

Logo que representa a essência da Cultura Hip Hop em Movimento Social no Brasil

Os princípios que nortearam a Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo serviram como norte e regimento interno para que, com esses, possamos tornar cada vez mais orgânica esta coletividade, manter a essência da Cultura Hip Hop em Movimento Social e criar as alternativas para driblar a lógica de um sistema capitalista que oprime e viabiliza a perda diária de grandes potenciais.

A carta foi criada a varias mãos para possibilitar as condições objetivas mínimas para criar ações e viabilizar um processo social mais justo, solidário e educador. Serão linhas orientadoras e através das quais, as Casas da Cultura Hip Hop e/ou Empreendimentos Econômicos Solidários levaram à prática os seus valores.

Perante essa proposição, qualquer Casa da Cultura Hip Hop e/ou Empreendimentos Econômicos Solidários poderão ingressar na Rede, desde que o façam de forma livre e espontânea, atendam aos requisitos previstos na Carta de Princípios e no Regimento Interno, guardando suas especificidades, particularidades e realidades. Jamais uma Casa da Cultura Hip Hop e/ou Empreendimentos Econômicos Solidários serão obrigados a compor a Rede e nem sofreram boicotes ou qualquer outro tipo de pressão violenta ou não violenta para tal.

Convém denegrir ( o senso comum prefere a palavra esclarecer), contudo, que não poderão ingressar no quadro da Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo os empreendimentos que fomentem a fragmentação, dispersão de seus elementos em ações isoladas, desassociadas do seu histórico e essencial cunho social, político, educativo, da não violência e por uma cultura de paz, pela equidade de gênero, não xenofóbica, homofóbica, machista, racista e toda e qualquer forma de opressão, razões principais de enfrentamento histórico da Cultura Hip Hop em Movimento Social.

A Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo deverá ser administrada por todos e todas através de representantes escolhidos para conduzi-la, mas, sobretudo, através da Assembleia Geral, órgão máximo da organização, a quem caberá à missão de representação, onde se darão as decisões mais importantes da Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo, que são tomadas segundo o princípio da gestão democrática, centralismo democrático e participativo para o devido estabelecimento das mediações para que todas e todos sejam ouvidos e acordos sejam traçados de forma horizontal e simplificada na dialética da Cultura Hip Hop, buscando sempre o consenso e a unidade de luta.

       Autonomia e independência: A Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo não poderá vincular-se de forma subordinada a nenhuma entidade ou pessoa que coloque em situação vulnerável ou que proponha a dispersão da Cultura Hip Hop e seus elementos essenciais e o seu quadro de participantes.

Poderá firmar convênios, acordos e outros mecanismos para ampliar suas atividades ou melhorar as condições dos serviços prestados à sua comunidade e para a própria Rede. Entretanto, estes recursos não podem resultar em desrespeito à autonomia e ao controle democrático da Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo e seus princípios norteadores, ou seja, a serviço exclusivo da vontade de uma pessoa ou de um artista, de uma entidade ou associação que não tenha a necessária vivencia e respeito com a Cultura Hip Hop em Movimento Social.

Educação, formação e Informação: Faz-se necessário que aqueles que ingressam na Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo tenham clareza com relação aos preceitos e ideologia cooperativista, bem como quanto ao funcionamento da Rede da qual passam a fazer parte.

Este princípio é de fundamental importância, uma vez que a Cultura Hip Hop em Movimento Social constitui ideologia e preceitos próprios, princípios específicos, formas de atuação definidas e não pode ser confundida com outros tipos de associação comuns em qualquer sociedade.

É necessário que a Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo, assim como os Empreendimentos Econômicos Solidários e demais entidades que congregam esta rede peculiar, invistam na formação continuada de seus membros e da comunidade em geral, como forma de empoderamento e total entendimento da história da Cultura Hip Hop, da valorização e respeito de seus percussores, do pensamento cooperativo e incentivo às novas iniciativas de associação de indivíduos segundo o modelo proposto por esta concepção.

Inter cooperação: princípio primordial que devera ser adotado sem ressalvas a partir da Carta de Princípios e Regimento Interno da Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo, o mesmo preconiza que a união e a cooperação sejam realizadas não apenas entre os membros Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo, mas também pelas Posses, Coletivos, Crews, Grupos, Empreendimentos Econômicos Solidários e etc, entre si, através de estruturas locais, regionais, nacionais e até internacionais.

Esta inter cooperação deve realizar-se de forma horizontal, entre a Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo de um mesmo nível de organização como de forma vertical, entre o poder público, setoriais e as centrais, entre estas e as organizações nacionais etc, sempre levando em consideração que as determinações e encaminhamentos finais serão deliberados, definidos e efetivados pela Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo de forma definitiva ate que a mesma proponha e encaminhe coletivamente as necessárias mudanças e/ou ajustes.

Interesse pela comunidade: O principal objetivo da Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo é a melhoria das condições de vida daqueles que nela ingressam, suas famílias e consequentemente de todas as sociedades, tendo a criança e o adolescente como prioridade.

Não se admitira uma Casa da Cultura Hip Hop e/ou Empreendimento Econômico Solidário vinculado à Rede, voltada exclusivamente para o mercado acumulativo, opressor, visando à obtenção de lucros e seu acumulo, aviltando os acordos e diretrizes da Rede, violando a Carta de Princípios e a Cultura Hip Hop em essência, o ser humano em relação horizontal e as prioridades postas e fundamentais.

Ressaltamos ainda a importância da gestão autossustentável, da circulação e estabelecimento de lastro e fortalecimento da moeda social Quilombo. Entendendo este princípio como importante ação para a transformação das condições de vida daqueles que ingressam na Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo, para que os mesmos possam evoluir e levar a Cultura Hip Hop ao mais alto nível possível.

A história da Cultura Hip Hop em Movimento Social demonstra que a preocupação com as questões raciais/étnicas, as pessoas em comunidades e a Cultura de Paz sempre foi, e deve se manter como a fonte de onde brotou toda a construção ideológica desta forma de coletividade em sociedade, estes preceitos constituem, ao mesmo tempo, o objetivo e o objeto de toda a Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo, para tanto, está posto que a Rede fomentara, potencializara e financiara a Formação Continuada, a interação com os quatro elementos em todos os eventos e buscara as possibilidades objetivas para que os próprios elementos interajam com ações de Saúde, Esporte, Lazer, Educação, Combate às Violências, Assistência Social, a Diversidade Cultural, o Cooperativismo, a Economia Solidaria, o Associativismo, Valorização e Efetivação da Lei 10.639/2003, as Políticas de Ações Afirmativas e toda e qualquer ação que potencialize a humanização do ser humano na sua integralidade.

Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo terá como meta objeto e objetivo estar buscando em todo o seu processo;

 Se organizar em setorial de cultura orgânico, horizontal, colaborativo e autossustentável,

 Mapeamento continuo de Posses, Organizações e outras Casas para compor a rede desde que estejam a par e concordando com a Carta de Princípios da Rede

 Autonomia na captação de recursos,

 Desenvolvimento de um sistema de reunião que contenha um número mínimo de participações, ou seja, sistema de reuniões este, onde todos tenham o compromisso de participar,

 Divulgação das ações da REDE em todas as mídias que a Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo dispõe visando difundir as ações,

 Amplificar a força da rede e sua consequente sistematização,

 A Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo buscara coletivamente ter vários encontros anuais para aperfeiçoar seu funcionamento,

 Relatar as atividades de cada organização e propiciar o aprendizado mútuo,

 Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo viabilizará um processo permanente de troca de informações;

 Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo e as organizações procurarão estimular a criação de iniciativas semelhantes em outros estados, outras cidades brasileiras, inclusive em outros países;

 Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo respeitará e valorizará a diversidade das organizações, considerando suas possibilidades, peculiaridades e limites,

 A Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo será um espaço de troca de tecnologias social e de baixo custo,

 A Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo deverá construir seus produtos para ser comercializado, visando à apropriação e dispersão dos meios de produção e avanço na cadeia produtiva,

 A Rede das Casas do Hip Hop do Estado de São Paulo promovera o conhecimento, a sabedoria, a compreensão, a liberdade, a justiça, a igualdade, a paz, a união, o amor, diversão, trabalho livre, autônomo e feliz.

 A Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo respeitara a paridade de gênero

 A Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo respeitara a diversidade cultural, sexual, étnica e de nacionalidade.

Dia 2 de fevereiro, dia de Iemanjá. Enquanto o samba acontecia na Pedra do Sal, a poucos quilômetros dali, no bairro do Flamengo, puseram um negro nu preso pelo pescoço num pelourinho improvisado. Ele estava assaltando pessoas (ou foi o que disse quem publicou a foto). Pra servir de exemplo aos pretos ladrões. Recentemente, um caso semelhante aconteceu na praia.

Esse jovem não estava na Pedra do Sal ouvindo a alta poesia da música negra, tomando cerveja e conversando com seus amigos sobre o trabalho do mestrado não porque tenha um delírio malévolo de assaltar pessoas, fruto de uma natureza mais maligna ou menos humana que qualquer pessoa, mas porque não existe espaço objetivo pra dignidade e felicidade de todos no projeto capitalista, racista e violento de país que dirige o Brasil. Sem entender isso, não se entende nada e, facilmente, até mesmo sem perceber, se cai no colo dos fascistas.

E por aqui, pouco mudou

O retrato do descaso

Não existe vacina política histórica, nada está garantido e nada está assegurado; a humanidade se reinventa todos os dias. Repúdio absoluto e urgência de responder isso à altura. Não pode deixar naturalizar de jeito nenhum. Peço a todos que façam chegar a todas as organizações políticas, mandatos, movimentos e entidades democráticas de que tenham conhecimento.

.

Fonte –

Adolescente suspeito de roubo é espancado e amarrado nu em poste na zona sul do Rio, Jovem diz que foi abordado por um grupo chamado de Justiceiros

http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/adolescente-suspeito-de-roubo-e-espancado-e-amarrado-nu-em-poste-na-zona-sul-do-rio-03022014

Rede Nacional das Casas da Cultura Hip Hop

Atuar em movimentos não significa que vamos homogeneizar a Cultura Hip Hop. Pelo contrário, a cultura é naturalmente avessa à uniformização por que ela é resultado da relação dinâmica entre os homens e as classes sociais. Por isso, sempre que a mídia comercial burguesa (Leia-se P.I.G.) tenta padronizar uma estética cultural surgem novos estilos antiestéticos. A unidade possível entre os artistas é aquela que se dá no campo político e não na estética.

Um artista orgânico é um intelectual orgânico, conforme explica Gramsci. E é orgânico por está organicamente ligado a sua classe. Ele produz cultura conscientemente para sua classe. No entanto, o elemento que os ligam organicamente a sua classe são os movimentos e os partidos. Alguns honestamente, mas, equivocamente, defendem a não politização da cultura e sua independência política. Nós não pensamos assim. Queremos que as organizações de Hip Hop sejam suprapartidárias sim, mas, a independência que defendemos é em relação aos governos, aos empresários e a mídia comercial burguesa (Leia-se P.I.G.).

O Hip Hop que tanto jurou independência política a periferia está sendo instrumentalizado pelos governos e pelo grande capital. Nesse sentido queremos avançar no debate apresentando a Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político em Rede Nacional das Casas da Cultura Hip Hop que foi formulada em 2013 e que, ainda em construção, pretende ser uma das alternativas para as juventudes que buscam se organizar em torno da Cultura Hip Hop e sua cadeia produtiva, tecnologias sociais, ativismo artístico e político e de insurgência contra o estado Militarizado e seus mantenedores.

Na rede, o poder pessoal, tradicionalmente vivido como poder sobre os outros ou sobre as coisas, se expressa como potência de realizar objetivos compartilhados. É claro que “a rede ‘simbiótica’, na qual todos os atores colaboram com uma obra comum em pé de igualdade e com zelo permanente, não existe, é ilusória”. O que há é um esforço individual e coletivo para a superação da cultura autoritária. Há uma permanente tensão entre as tendências competitivas e as que reforçam o compartilhamento e a cooperação. 

Pode ate soar como anarquismo, mas a real não é esta, a Rede Nacional das Casas da Cultura Hip Hop visa uma produção, distribuição e gerenciamento de produtos das vertentes da Cultura Hip Hop em Movimento Social comprometida com sua essência, comprometida com os descamisados do mundo, com os homossexuais, com as mulheres, com os pretos e pretas, comprometida com a humanização dos seres humanos e no entanto comunal, pois, por dezenas de milhares de anos a vida humana era comunitária, ou seja, comunal. O próprio desenvolvimento histórico levou a uma situação em que uma minoria se apropriou do que era comum a todos, se apropriou dos meios de produção da vida, e do resultado do trabalho da maioria.

Criou-se assim a sociedade de classes – uma classe dominante e outra dominada – e, por conseqüência, a luta de classes. O Estado foi a máquina que surgiu para garantir o bom funcionamento dessa exploração de uma classe sobre a outra. Com seus órgãos políticos, jurídicos e ideológicos o Estado é o organismo que ordena a nossa subalternização. Ele só existe por que existem dominantes e dominados.

Arriscamo-nos a potencializar potenciais em outra dimensão que a Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político pode e deve assumir a partir de uma visão mais ampla e contemporânea deste conceito. Nos referidos às dinâmicas de sociabilidade, às tecnologias de convivência, ao diálogo, às conversações em redes. Sistemas de intercâmbio e inter-relação reforçados pelo surgimento das novas tecnologias, mas não exclusivos aos territórios virtuais, mas de forma orgânica, ativa e critica, tendo a práxis revolucionaria como um farol voltado para as novas formas de expressão e convivência que podemos construir a partir do conhecimento disponível.

A ética como princípio norteador. A consolidação da economia como ciência dominante em nosso tempo fez com que subordinássemos todas as outras formas de manifestação humana como fenômenos derivativos, seguindo uma lógica e uma codificação próprias. E com a Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político não esta sendo diferente e daí vem a tentação de transformar ricas manifestações culturais em commodities baratas, manuseadas de maneira rasteira e linear por profissionais reprodutores de um conjunto de regras e tecnologias que só interessam à manutenção de um perverso sistema de poder, que se sustenta, sobretudo pelo domínio dos meios de produção e  distribuição de conteúdos culturais, subordinando e acumulando e detrimento da liberdade e essência nas tradições.

ENTÃO PORQUE UMA REDE NACIONAL DAS CASAS DA CULTURA HIP HOP ORGÂNICA NESTE CONTEXTO?

Estamos vivendo um momento impar na História recente da Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político, discutindo a Cultura Hip Hop como patrimônio cultural de importância nacional, projetos de lei controversos, mal escritos, Semanas da Cultura Hip Hop municipais e estaduais espalhadas pelo Brasil todo como política publica (e não de governo) editais municipais e estaduais de fomento especifico e tantas e tantas outras ações.

O futuro político de uma parte significativa das juventudes preta e pobre e residente nas periferias deste país estão estritamente ligadas ao futuro da Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político. Num país de forte tradição oral e de juventudes com baixa escolaridade essa perspectiva se reforça mais ainda.

Neste sentido, nossa pretensão é demonstrar que a “uma nova ofensiva” contra e a favor da Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político tem como objetivo, em um âmbito, bloquear o surgimento de uma nova leva de artistas hiphopianos politicamente engajados e em outro potencializar o surgimento ou ressurgimento de um levante de militantes engajados, escolarizados e combativos.

Em outras palavras, uma nova “década de 1990”, período áureo da Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político brasileiro, não pode se repetir de forma alguma no país com a maior desigualdade econômica – étnica e social do mundo. Acrescenta-se a isso, o atual contexto de luta política que se abriu no país desde as ”jornadas de junho” e que, não por acaso, foi protagonizada pelas juventudes. Essa é a premissa que nos apoiamos para fazer o debate com os adeptos da Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político no Brasil.

Em primeiro lugar queremos lembrar que todos os processos revolucionários do século XX aconteceram com a participação ativa das juventudes. As juventudes que tem uma tendência a rebelião, a negar modelos, a questionar o mundo em que vivem e que não estão ainda com a ideologia das classes dominantes consolidada em suas consciências. Esse é um problema que a burguesia teve que enfrentar ao longo da história, inclusive com sua própria juventude. Esse é o problema que nós temos que enfrentar com mais segurança para entender o que está acontecendo com a Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político brasileiro. Os mestres do Hip Hop que hoje se debandam para o conformismo político e que, por cima, aconselham as juventudes hiphopiana a jogar a toalha no primeiro round da luta de classe, são os mesmos que na década de 1990 expressaram o mais legitimo sentimento de indignação anticapitalista da história das periferias brasileiras.

Então o que foi que aconteceu? Alguns desses artistas “militantes” têm mais de 40 anos e estão preocupados em arrumar a vida e fazer seu “pezinho de meia”, afinal de contas a Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político não garante aposentadoria para ninguém. Esses mestres já cumpriram uma linda etapa política, fizeram pelas juventudes pretas e afaveladas muito mais do que os bancos escolares, ONGs, Institutos e Governantes fizeram juntos. Isso, porém, não lhes dá o direito de botar para dormir quem ainda está acordando para o mundo. Não são mais jovens, como foram na década de 1990, mas nem por isso devem esquecer aquela década.

Nós, ao contrário, queremos relembrá-la. Nunca na história deste país, desde a abolição da escravatura, as juventudes pretas e pobres das periferias do Brasil foram politicamente tão ativas como na década de 1990. De objetos das pesquisas acadêmicas tornaram-se verdadeiros “sociólogos sem diplomas” tomando para si as rédeas de seu próprio futuro. No inicio daquela década os mais velhos tinham em média 20 anos. A academia tentava pesquisar a periferia e se chocava com a periferia pesquisando a si própria. As canções de rap, as coreografias, as escritas de Graffiti e os riscos dos DJs tornaram-se verdadeiras teses políticas produzidas por gente doutorada em sofrer racismo, repressão policial e desemprego estrutural. A burguesia assistia atônita as juventudes sem escolarização, debruçada nos “livros cantados” da periferia com um prazer de dar inveja aos grandes pedagogos ligados ao Banco Mundial.

Alguns chegaram mesmo a entrar na faculdade via Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político. Muitos jovens que foram recrutados por esse movimento das entranhas das “posses” de Hip Hop que proliferaram em Guarulhos, São Paulo e grande ABCD na década de 1990 hoje são profissionais da educação básica, alguns são professores de universidades, mas a maioria militantes políticos da esquerda nacional brasileira e mundial.

Das oralidade surgiram e brotaram os livros impressos. Dezenas de artistas ligados a Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político publicaram livros nos últimos dez anos por todo o Brasil a exemplo Ferrez, MV Bill, Dexter, Afro X, GOG, Preto Góes, Eduardo, ex-Facção Central, Toni C. Israel Literatura Suburbana, Alessandro Buzo, Akins Kinte, Dugueto Shabaz e muitos outros e outras. Uma “literatura marginal” impossível de existir sem a existência de um movimento que serviu de abrigo a jovens marginalizados. Em suma, a década mais reacionária do século XX viu nascer o germe das juventudes no mínimo anticapitalista, alguns declaradamente socialistas e marxistas. Só que na visão da burguesia esse fenômeno não poderia vingar por muito tempo.

Naquela década, a de 1990, houve uma incrível perseguição a Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político e outros movimentos contestadores e de enfrentamento a um modelo de sistema que na opressão potencializava sua dominação com mãos de ferro. Em 1994, sob a acusação de “incitação a violência”, os grupos Racionais e MRN seriam detidos em show no Vale do Anhangabaú-SP. No final do show o público revoltado apedrejou os policiais e depredou uma viatura. Nesse mesmo ano o Rapper Big Richard também foi detido pelo mesmo motivo.  Em 1999, o videoclipe da musica “Isso Aqui é uma guerra” do grupo Facção Central foi censurado por apologia ao crime. Em 2000, o videoclipe Soldado do Morro de Rapper MV Bill também seria acusado de apologia ao crime, entre tantos outros casos. 

Onde tinha organização da Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político e militante, igualmente tinham problemas seriíssimos com a polícia, o Estado os considerava “um grupo de ameaça à ordem”. No entanto, quanto mais perseguidos pelo Estado, mais legitimados eram pela periferia. É claro que o afavelado sempre foi um problema para o Estado, mas não um problema político de envergadura tão grande. Seria preciso quebrar as pernas de quem estava caminhando rápido demais, a Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político precisava ser domesticada e assim foi feito. A burguesia atuou no silêncio, captou para o seu projeto político uma fatia importante da militância. Inimigos históricos se solidarizam em programas de televisão ou nos gabinetes políticos.  

O PIG (Partido da Imprensa Golpista) vira a menina dos olhos dos adeptos da temática de rima improvisada Regininha Casé utiliza as culturas marginais para mostrar ao mundo que o Brasil possui “democracia racial” e “harmonia de classe”. Em 2007 Mano Brow criticava pesadamente as ostentações do jogador Ronaldo “o fenômeno” ao afirmar que “o Ronaldinho comprou uma Ferrari de 500 mil dólares, 600 mil dólares. Só os juros disso aí… morou, mano? Mete um seqüestro nele, dá um meio de sumiço nele pra ver se ele não pára com essa putaria” (Revista Trip). Hoje, o mesmo financia e aparece em videoclipe de Pancadão Ostentação, Ice-Blue, vocalista do Racionais, aparece no videoclipe “Estilo Gangstar” ao lado do mesmo Ronaldo, cercados de carrões e mulheres.  Já Edy Rock, também do Racionais, disse em entrevista a TV Globo que “rap é negócio”.

Em meio às convulsões sociais o Hip Hop pinta em cores harmônicas a relação entre a periferia e os jardins. Nunca o Hip Hop foi tão requisitado pela mídia comercial burguesa. Quem está assustado com tudo isso, se prepare, a ofensiva vai aumentar. Os ataques a periferia estão se intensificando por que a periferia não foi a grande protagonista das jornadas de junho, e sim um setor médio da classe trabalhadora, os mais escolarizados. Uma parcela da Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político que tanto decantou a revolução, se entrincheirou, se escondeu ou se omitiu.

E como o governo teve que fazer pequenas concessões aos setores que lutaram alguém teria que pagar o pato; sobrou para a periferia. A cooptação de alguns é apenas uma expressão dos ataques à periferia. A burguesia que coopta é a mesma que massacra, a mesma que está batendo mais forte na população preta, a mesma que afaga com mais carinho o Hip Hop. Enquanto a multidão trocava os programas de televisão pelas ruas, o Hip Hop trocava às ruas pelos programas de televisão. Já a polícia subia o morro para aumentar o tradicional genocidio de gente preta e pobre. A favela, sem organização política, pagava pela ousadia das juventudes e da classe trabalhadora organizada.

O processo de cooptação foi acelerado devido às jornadas de junho, sendo preciso segurar a favela na imobilidade política, para que a mesma não explodisse com a multidão.  Por outro lado, alguns grupos da Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político estão sendo caçados e ate com integrantes processados e/ou chacinados.

Hoje os artistas mais glamourizados pela mídia são os mais jovens. A matemática não é exatamente quantos DMN’s, Filosofia de Rua e Racionais MC’s a burguesia pode cooptar, mas quantos Emicidas, Flora Matos, Projotas, Pollos e etc eles podem colocar na linha de produção. O fator juventude tem mais peso. Não há muita diferença política entre as músicas do Emicida e do Racionais. Os discursos também convergem. Sendo assim, para a burguesia já não se trata tanto de ganhar o Racionais, o GOG, etc., pois esses há muito tempo mudaram o discurso. A questão central é impedir uma nova “década de 1990” na Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político.  E essa nova onda só seria possível com a juventude à frente.  

O PIG (Partido da Imprensa Golpista) sabe o que significa para o seu projeto político a presença do DJ Will, filho do DJ KLJAY (Racionais), em seus programas.  O Pancadão, vulgarmente e ofensivamente chamado de “Funk”, com suas proporções devidamente guardadas, também está passando pelo mesmo dilema. Os artistas do glamour midiático são quase todos jovens. Ora, o Racionais, GOG, Thaíde, Facção Central criaram uma legião de jovens seguidores na década de 1990 por que também eram jovens.Hoje são poucos os artistas de rap politizados do Brasil com idade entre 18 a 25 anos que possuem influencia de massa, por isso não são novos GOG e nem novos Brown que estão surgindo, mas uma legião de Emicidas.

Uma legião de artistas que não querem saber de debate político estratégico. Não pensam a Cultura Hip Hop como Movimento Social e Político e sim os elementos como negócio e como todo novo produto precisa de marca, a burguesia está denominando estes novos artistas de “Hip Hop Universitário”, onde figura de estilo com que se disfarçam as ideias desagradáveis por meio de expressões mais suaves, um eufemismo para dizer que esses são mais inteligentes do que aqueles que se mantém na estética política das favelas. Não ousariam falar isso na década de 1990. Naquela década não ousaram dizer que o Gabriel Pensador era “rap universitário”.

Hoje estão mais a vontade, pois no próprio meio do têm aqueles que defendem sua elitização. Outros dizem que a Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político deve servir para gerar emprego. Triste ilusão: fábrica aberta, empresa falida. Contudo, há um perigo eminente para a burguesia. A maioria desses jovens irão se decepcionar ao perceberem que a porta do sucesso não é tão larga quanto se pensa. São jovens e podem mudar o pensamento e a postura. Por isso, já não se trata mais de regenerar os mais antigos, mas de rejuvenescer o Movimento. 

E aqui entramos no ponto mais importante: o da construção de Movimentos Organizados com forte peso juvenil, com uma bem instrumentalizada e organizada intencionalidade. Não dá para jogar para cima de grupos ditos de “Velha” e “Nova Escola” a responsabilidade pelo processo de degeneração da Cultura Hip Hop em Movimento Social e Político brasileira. Esses indivíduos são artistas e não militantes, ou seja, não são artistas militantes.  Afinal de contas eles estão traindo o que? Qual projeto? Qual programa? Vamos ficar cobrando que o Brown de 42 anos seja fiel aos ensinamentos do Brown de 20 anos? Na ausência de organizações políticas a juventude segue os homens individualmente.

Esta militancia de outrora nunca teve (a nosso ver) programa e nem projeto coletivo, apenas um discurso muito inteligente, radicalizado, etnico e classista. Uma legião de jovens abraçou isso, nada mais. O problema é que as pessoas mudam. O que pode ficar então para as futuras gerações? As organizações e os seus programas ficam. Se vão atender os anseios de suas bases sociais é outro debate. Não da para enfrentar uma das burguesias mais poderosas do mundo só cantando rap politizado.

A classe/etnia que criou um dos mitos mais importante do século XX, o da democracia racial, jamais permitiria que uma juventude sem programa e sem projeto político estratégico mudasse a estrutura do Brasil. A maioria dos mais antigos apostaram todas as suas fichas no Partido dos Trabalhadores. A decepção com o governo, pelos sucessivos casos de corrupção, empurrou esses artistas para a desilusão política. A descrença política destruiu a crença na capacidade de organização política da própria periferia. Não se propuseram construir movimentos organizados por que depositaram todas as suas esperanças no governo do PT. Não percebem como o PT os deixou sem chão e sem discurso, este mesmo governo com um programa claramente burguês, apesar do apoio popular que tinha até as “jornadas de junho”. Se o PSDB atacou o Hip Hop e a periferia, um como extensão do outro, o PT continuou atacando a periferia, porém botando o boné e a calça larga do Hip Hop na cabeça do governo.

Basta verificar os índices de homicídios entre jovens pretos e pobres para constatar o quanto o vermelho dos 10 anos da estrela petista na periferia é sinônimo de sangue derramado da juventude negra. No período de 2002 a 2012 divulga-se no Brasil uma quase estagnação nos dados sobre homicídios. Acontece que essa situação decorre de uma queda aproximadamente 33% entre os jovens brancos, enquanto entre os pretos cresceu 23,4%. A diferença é 56, 4%. Entre os 12 e 21 anos a taxa entre os negros sai de 2,0 homicídios para cada 100 mil habitantes para 89,6, aumentando em 46 vezes. Em Alagoas, a possibilidade de um jovem preto ser morto é mais de mil vezes superior ao de um jovem branco. O PT, simplesmente, deixou os jovens pretos pobres da periferia sem direito a juventude e quiçá á vida.

Para isso foi importante amordaçar a Cultura Hip Hop mais politizada do mundo. O próprio Banco Mundial expressou em seus documentos a preocupação com o crescimento das favelas e da exclusão social dos jovens na América Latina. Pense esses dois problemas no Brasil sem ligá-los suficientemente ao Hip Hop? Simplesmente impossível! Certamente jovens artistas engajados e com forte influência de massa surgirão no Brasil. O debate em aberto é se teremos condições de avançar do individualismo artístico para a organização coletiva.

Nessa condição, o consumo consolida-se como a forma de expressão mais forte e presente, sobretudo nos grandes centros urbanos. A própria arte passa a ser ressignificada e vista como meio de produção e objeto de consumo. Corre, assim, o risco de perder a condição e a capacidade de revelar e traduzir a alma humana, suas contradições e riscos. De sua condição única e insubstituível de dar forma à utopia, passa a mera reprodutora de um sistema que o incapacita para o exercício desse olhar mais agudo e sensível.

 

Guarulhos, 06 de fevereiro de 2013.

 Carta à militância cultural 

Desde nossos primeiros passos no panorama cultural e político na cidade de Guarulhos estamos suscitando reações, defesas viscerais e apaixonadas, levantes contra a inércia e as dificuldades que o nosso Estado (governo) lento e burocrático tem para conviver com a obrigatória e incontornável quebra de paradigmas que são inerentes à implantação de projetos, programas e ações relevantes para o desenvolvimento cultural de posses, associações, cidadãos e cidadãs guarulhenses e coirmãos do Alto Tiete e/ou grande São Paulo, sem desconsiderar a cidade de São Paulo que interage de varias formas com as territoriedades supracitadas, ate, reverberando suas ações em seus vários segmentos.

Desde esses primeiros passos, estes embates, internos e externos, adquiriram contornos de construção e desconstrução, de colaboração e de rompimento, porem em todos os casos tiramos ensinamentos e aprendizados que nos capacitaram. De um lado paladinos que deflagraram suas bandeiras para defender a filosofia e o cerne conceitual da construção coletiva e do fazer “juntos”, não estão conseguindo desalforriar à imensa diversidade cultural guarulhense. Esse imenso desejo da Cultura Hip Hop de se fazer reconhecida e respeitada, considerada como matéria prima essencial à construção de uma identidade urbana, dinâmica, plural e capaz de representar o que imaginamos que somos como nação e povo, como a agua que se infiltra por todos os poros e brechas que encontra diante de si e tende a ocupar todos os espaços disponíveis e os indisponíveis também.

Isso assusta o Estado (burgueses e políticos) que, num descuido permitiram que o um Governo com viés progressista e compromissado em dar, aos que nunca tiveram pelo menos uma migalha do que teriam direito, derramassem essa água transformadora da Cultura Hip Hop na esperança dos fazedores de cultura desta cidade. E o Estado e todo o seu aparato consolidado de medidas criadas para impedir que vicejem inciativas que ameacem o seu controle reagem rapidamente, criando obstáculos diversos para que essa água da Cultura Hip Hop se espalhe e deixe proliferar a vitalidade cultural de nossa gente, maloqueira, intelectual e trabalhadora. Muitos foram os capítulos e eventos desse grande embate.

Junto com o Estado reagiram também os atores e grupos sociais atuantes no panorama cultural, repito interno e externo, habituados ao reconhecimento e acesso privilegiado que este propiciava aos recursos alocados pelo Estado à cultura. Por trás das discussões duas concepções da cultura e do fazer cultural buscavam se impor como diretrizes das ações e da formulação das políticas públicas para a cultura. Uma que, em síntese considera todo e qualquer cidadão como ente inteiro e capaz de gerar cultura, pelos seus ritos, comemorações, festejos, jeito de vestir e de comer. Capaz de eleger, por conta própria seus valores artísticos e culturais.

Outra que preconiza a separação entre quem faz arte e cultura e uma grande massa que, sem a “qualificação” exigida fica condenada a ser consumidora da arte e cultura produzida, comercializada e perversamente imposta subliminarmente através de um controle hegemônico e centralizador dos meios e veículos de difusão existentes.

Os problemas práticos decorrentes dessa guerra conceitual começaram desde os primeiros passos de nossas Culturas, com um recorte especial para a Cultura Hip Hop, tema transversal deste desabafo sistematizado – questionamentos, condenação de entidades por dificuldades em lidar com os tramites burocráticos, dificuldade do Estado em admitir os erros de seus agentes e a falta de estrutura administrativa, cancelamento ou atraso ou feitura errônea de editais (Leia-se Festival da Cultura Hip Hop, Hip Hop nas férias e etc.) e outros percalços – mas no “Governo” havia uma certa prevalência de grupos que não defendiam com empenho a luta.

Durante a campanha para as eleições de vereança e prefeitura já vivíamos um combate fratricida, até mesmo dentro da Cultura Hip Hop, e suas vertentes, entre os homens e mulheres vinculados a partidos políticos da base de sustentação do Governo e da oposição ao mesmo e que defendiam os erros indefensáveis da gestão e seus subordinados, em nome de uma continuidade, ou não, de um Governo antidemocrático, cego e arrogante. Qualquer cidadão e cidadã que ousasse apontar e questionar as deficiências e falhas gritantes na execução ou proposição de projetos era duramente atacado pelos brigadistas de plantão e os questionamentos ficavam por ali mesmo esvaziados e sem eco.

Apesar dos compromissos assumidos explicitamente durante a campanha de desenvolver, consolidar e/ou ampliar os espaços de desenvolvimento das Culturas e da Cultura Hip Hop, o que vimos desde a nomeação do Prefeito Almeida e do Secretariado escolhido pelo mesmo, via um conjunto de demissões, exonerações e perseguições politicas, um conjunto de ações que iam à direção contrária do compromisso assumido. Ataques claros e revisionistas aos projetos, propostas e encaminhamentos coletivos da base de articulação cultural e não politica partidária vale ressaltar.

Passado um longo processo de discussão pública, abandono total das iniciativas de Cultura e questionamento público do compartilhamento de conteúdos pelas redes sociais da militância positiva e negativa, defesas intransigentes contra e a favor da inercia do Estado em relação ao avanço e respeito à Cultura hip Hop Guarulhense, tentativa deliberada de desqualificar e enfraquecer a base como instância máxima e legítima de representação das Culturas, temática sobre a qual nunca foram devidamente esclarecidas quais são as diretrizes e prioridades, mesmo que nós subíssemos que carnaval, teatro e shows de mainstrens são prioridades de orientação para ações futuras.

Pontos de Cultura que foram prejudicados neste período por convênios paralisados e cancelados, prêmios etc. Junto com isso veio o congelamento de recursos para o projetos e ações em uma ação deliberada para transformá-los num grande problema, tendo em vista o entendimento que ou os atores da sociedade civil ou a gestão publica não tinham competência para cumprir as normas impostas pela burocracia que continua assentada no seu trono impassível e inquestionável.

Reagimos contra essa falta de respeito em reuniões de articulação e buscamos aliados para acelerar a tramitação da Casa da Cultura Hip Hop de Guarulhos e do Alto Tiete, que acabou gerando um núcleo de resistência que assumiu o desafio de impedir a aniquilação sócio-política e cultural. Nesse processo, novos atores que já haviam integrado a base em outros tempos passaram a integrar os debates e as tentativas de articulação.

Com a chegada do Edmilson Souza vimos uma luz no fim do túnel, mas o rumo da prosa não se alterou muito! Nesse período, nada do que estava efetivamente paralisado ou advogando contra a Cultura Hip Hop não foi resolvido. Nesse momento, a decisão de qual postura a militância deveria assumir começou a acentuar os devidos encaminhamentos. Apesar de termos majoritariamente decidido que era melhor estarmos representados dentro do processo de construção da Casa da Cultura Hip Hop de Guarulhos e do Alto Tiete e aceitamos trabalhar voluntariamente no processo, o grupo que não concordou com essa escolha continuou a se mover por conta própria e a articular a luta política pela Cultura Hip Hop, pela liberação dos recursos para os Pontos de Cultura, ampliação do FunCultura e etc, segundo suas próprias ideias e conforme a dinâmica que achavam mais adequada. Todo mundo defendendo as “Culturas”, cada qual do seu jeito…

Nesse meio tempo, enquanto nada disso era feito concretamente e ninguém respondia efetivamente por isso, as nossas divisões internas se acentuaram, os debates começaram a ficar mais ásperos e as insinuações e grosserias quase polidas proliferaram, instalando um clima de desconfiança e de dificuldade em tirar uma linha de ação coesa e capaz de aplainar as diferenças.

Feito este desabafo, como que pra refrescar a minha própria memória, gostaria de contribuir para a reflexão do momento que vivemos.

Em primeiro lugar, retomando o início do meu relato, penso que a paixão não deve servir de escudo de defesa para atitudes aparentemente viscerais e sectárias. Esse comportamento aproxima perigosamente a atuação política da militância cultural.

Essa luta é mesmo muito dura e coloca à prova nossa paciência e a nossa capacidade de discernir o que podemos efetivamente fazer para que os nossos objetivos e desejos se tornem realidade. Acho que é fundamental fazermos uma avaliação das nossas forças reais e de como ampliar e fortalecer a nossa capacidade de negociação com o Estado (Prefeitura de Guarulhos) e com suas instâncias governamentais, parlamentares e judiciárias.

Sim companheiros, negociação! Por mais que façamos tratados filosóficos e conceituais para orientar nossas ações e tomadas de decisão, o sucesso na implantação da Casa da Cultura Hip Hop de Guarulhos e do Alto Tiete dessa envergadura, que traz no seu bojo transformações tão profundas na Cultura Hip Hop com viés político e nas políticas para as outras vertentes culturais, pois a Cultura Hip Hop dialoga tranquilamente com as outras vertentes culturais, mesmo sabendo que em muitas vezes esta não é uma via de mão dupla, depende de uma negociação adequada e estrategicamente bem embasada entre as culturas, a sociedade e o Estado.

E para fazer o Estado conceder aos que buscam um lugar melhor na sociedade o direito desse reconhecimento precisamos ter uma conduta mais ética e menos viciada pelo hábito de um jogo político que acaba favorecendo aos mais “espertos”, os mais articulados e os mais aptos a se contentar com algumas pequenas conquistas em troca de afagos ao ego e algumas posições no camarote do reino!

Bobcontroversista

Presidente da Associação Cultural e Educacional Movimento Hip Hop Revolucionário (MH2R)

 

 

 

“A criação de espaços de desenvolvimento cidadão via cultura como tema gerador e disparador ao nosso ver são os que alcançam com mais facilidade, objetividade e de forma permanente a conscientização do povo, pois, a intervenção sempre partira da realidade dos sujeitos envolvidos no processo.”
Bobcontroversista
A cidade Guarulhos e suas adjacentes, tem milhares de jovens e adultos, que fazem dos quatro elementos da cultura Hip Hop (DJ, Graffiti, MC e B. Boy) o seu estilo de vida. Um pedestal para se socializar, criticar e se divertir. É por esta necessidade de dar um auxilio e espaço para os praticantes da Cultura Hip Hop, que pessoas envolvidas diretamente com a cultura dos quatro elementos se reuniram e decidiram construir com as próprias mãos a Casa da Cultura Hip Hop de Guarulhos e Alto Tietê.
A Casa da Cultura Hip Hop de Guarulhos e Alto Tietê esta localizada na periferia de Guarulhos, no bairro Santa Edwirges próximo ao Aeroporto Internacional de Cumbica em uma área ocupada por famílias desde 1994, dentro do espaço da Associação de Apoio ao Social do bairro. Sua inauguração será no dia 16 de Março a partir das 14hs ate as 22hs.
Oficinas de DJ, Graffiti, MC e B. Boy, fotografia, video, produção, distribuição, gerenciamento, economia solidaria, associativismo, cooperativismo e teatro do oprimido  serão ministradas por voluntários, que acreditam que o Hip Hop tem a capacidade de educar e dar uma perspectiva de vida de melhora aos jovens da periferia, e também, repassar o seu o conhecimento para aquele cidadao, que já pratica a essência dos elementos da Cultura Hip Hop mais não consegue evoluir por não ter alguém para ensina lo ou potencializar seus potenciais.
Será organizado pelos voluntários, uma grande festa de inauguração da Casa da Cultura Hip Hop de Guarulhos e do Alto Tiete para o publico e comunidade. Na festa de boas vindas, estarão presentes nomes conhecidos da Cultura Hip Hop e terá a cobertura de grandes veículos midiáticos como o Catraca Livre, Arrastão Cultural, jornais locais o militante/produtor cultural/escritor/repórter do SPTV Alessandro Buzo, entre tantos outros.
Outras atividades como: palestras, debates, cursos e apresentações também estão na pauta da Casa da Cultura Hip Hop de Guarulhos e Alto Tietê, que no seu inicio funcionara nas sextas á noite e sábados e domingos nos períodos manha e tarde. Estamos na fase final de efetivação da 1° Casa da Cultura Hip Hop de Guarulhos e do Alto Tiete e o espaço que conseguimos esta precisando muito de uma reforma e adequação, sendo assim precisamos de materiais de construção, tintas variadas, para grafitar o espaço, além do apoio logístico, divulgação e comunicação, sua ajuda é de extrema importância, inclusive temos representantes de Santana do Parnaíba, Arujá, Santa Isabel, Nazaré Paulista, Guarulhos e São Paulo que fecharam com a questão de montarmos um grupo de estudos em Economia Solidaria, os mesmos já tem um acumulado em suas localidades, mas estão a deriva ou querem ampliar o raio de ação desta outra forma de comercio, muito mais justo, solidário e educador.
Estamos lançando um empreendimento que vai sacudir a cidade, temos o apoio incondicional de grandes referencias das culturas na cidade e prevemos enormes desdobramentos em relação a esta ação. Também montamos um núcleo do MOVA na sede do MH2R e estamos dialogando forte com as secretarias de educação, saúde, trabalho e cultura, fomentando o dialogo e consequentes ações inter secretariais na pesperctiva de financiamentos e ou legitimação de outras ações no espaço.
Precisamos muito de sua ajuda nas varias instancias. Estamos também trabalhando em parceria com o Tear, onde iremos desenvolver uma formação sobre o teatro do Oprimido com o CTO-RJ – Centro do Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro, onde iremos dar formação para multiplicadores da pratica do teatro fórum e suas vertentes, com o Tear começaremos a trabalhar no final de fevereiro com oficinas na sede do MH2R, espaço que sera utilizado para o desenvolvimento das atividades da Casa da Cultura Hip Hop de Guarulhos e do Alto Tiete.

Gostaria de toda participação nesta iniciativa, já estamos com quase tudo articulado e prestes a ser colocado em pratica com a efetivação do planejado, para tanto marcamos uma próxima reunião para o dia 27/01/2013, espero que possam participar, estamos com muita coisa encaminhada, mas ha muito a fazer para ate a inauguração da 1° Casa da Cultura Hip Hop de Guarulhos e do Alto Tiete que sera no dia 16 de março de 2013, um marco para a Cultura Hip Hop deste lado da ponte que inclui você e outros irmãos e irmãs militantes.

Conto com a sua presença e dos irmãos e irmãs que você conhecer de outras cidades dentro desta territoriedade.

Casa da Cultura Hip Hop de Guarulhos e do Alto Tietê
Responsável ou coordenador: Eduardo José Barbosa – Bobcontroversista
Endereço: Rua Bom Jesus, 163
Telefones: 11 – 966726753
E-mails: bobcontroversista@gmail.com
Comunicação/Site: mh2revolucionario.blogspot.com

Mapa para facilitar a logística dos parceiros e parceiras

Domingo dia 27/03/2013 as 19h00min
PAUTA – 1° CASA DA CULTURA HIP HOP DE GUARULHOS E DO ALTO TIETE
LOCAL – Rua Bom Jesus, 193 – Jardim Santa Edwirges – Taboão, Guarulhos, SP.
Fotos Favela do Moinho - Fábio Vieira

Nosso incerto futuro

Há quase trinta anos, a ocupação da Empresa Moinho Santa Cruz deflagrava o surgimento de uma das maiores favelas no dilacerado coração da mais cosmopolita e desigual cidade da América do Sul, São Paulo. A comunidade, formada originalmente por catadores de materiais recicláveis, reunia ali uma das mais admiráveis demonstrações de respeito e preservação ao meio ambiente na cinzenta São Paulo, gerando empregos, renda e possibilitando a dezenas de famílias, que hoje somam-se quase 800, uma oportunidade de vida, ainda que severamente modesta.

Fotos Favela do Moinho - Fábio Vieira
A ferramenta dos trabalhadores (as)

Modesto cotidiano que sofreu substancial e negativa mudança na manhã  de 22 de dezembro de 2011, quando labaredas e chamas reduziram concretos, madeiras, móveis, pertences, histórias e vidas a um cenário de destruição, desespero, desamparo e incertezas. Episódio que suscita uma série de perguntas sem respostas, abrindo diálogo para um debate que envolve interesses econômicos, especulação imobiliária, política de higienização, descumprimento de lei e, sobretudo, desrespeito à dignidade de homens, mulheres e crianças ali presentes, a mídia diz que a culpada foi a loucura.

Localizada no centro babilônico da cidade de São Paulo, a comunidade é o centro de uma grande disputa, de um lado trabalhadores e trabalhadoras que vivem a beira de tudo e não tem acesso a nada e de outro a especulação imobiliária com o mercado aquecido e seus abutres de plantão, a espreita para ocupar e consumir.  Quando iniciamos os trabalhos de apoio à reconstrução e conseqüente revitalização da comunidade afavelada, fomos encontrando indícios cada vez mais fundamentados de que o incêndio foi criminoso e este crime tem a mão, ou melhor as canetadas e a política higienista do prefeito Gilberto Kassab.

A área agredida esta no meio de um bolsão, fruto de grandes interesses econômicos, a famigerada Operação Urbana Lapa/Bras, que tem em seu escopo a construção de obras faraônicas de um grande empreendimento de alto nível e que não vão atender em nada as prioridades da população de baixa e media renda, projeto que visa a ocupação de toda a orla ferroviária Lapa-Bras-Mooca, com a construção de praças, bulevares e prédios para instalação de lojas, escritórios e moradias de alto padrão.

Previsto no Plano Diretor Estratégico da cidade, criado em 2002, a “Operação Urbana” (digasse higienista) é a autorização de construção de imóveis acima dos limites permitidos pela Lei de Zoneamento da região, em troca de pagamentos à Prefeitura. Para isso, a Câmara Municipal precisa aprovar (e aprovou, nos corredores, estrtégicamente em ano de eleição) um projeto de lei que cria a operação. Também é necessária a licença ambiental e as regras da operação urbana têm de ser discutidas em audiências públicas com a participação dos principais envolvidos.

Com todas essas exigências cumpridas, a Prefeitura pode vender os Cepacs, títulos que permitem essas construções. Sendo assim, mais uma vez fica claro a intenção de ampliar a construção de novas habitações de alto padrão nessa região como parte da ampliação da especulação imobiliária com o mercado aquecido. Os fatos aumentam cada vez mais nossa indignação e a natural gana por justiça social para com a população da Comunidade do Moinho.

O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, fechado com a mídia sensacionalista e burguesa, vinculam noticias mansas e mentirosas sobre o ocorrido e a real situação da comunidade, no dia 01 de janeiro de 2011 em pleno feriado o prédio do Moinho é implodido ao custo inicial de R$ 3.500.000,00, pagos às empresas Desmontec, que detonou os explosivos, e Fremix, responsável por transformar os detritos em brita. Ao todo, 800 kg de explosivos foram usados em 2,2 mil furos feitos em 260 pilares do térreo e do primeiro andar, o prédio não cai.

Relatos de moradores atentam para a morte de mais de 40 vitimas e a mídia diz que foram 02, a pressa tem seu objetivo, acelerar a remoção da população, ocultar as provas de que existem varias irregularidades e que o tempo daquela população em uma região extremamente valorizada se esgotou. A comunidade é formada por trabalhadores e trabalhadoras, catadores de material reciclável na sua grande maioria que devem ser retirados as pressas do local, os mesmos que estiveram por décadas esquecidos, excluídos dos interesses políticos e deixados à margem das condições básicas para a sobrevivência.

Há décadas trabalhadores e famílias construíram suas vidas e conquistaram seu direito à moradia. Hoje, essas pessoas se tornaram vítimas de um jogo de interesses onde o que menos importa é a condição de seu futuro e assim caminha as ações de Gilberto Kassab,  viabilizar a efetivação do seu maligno plano ate o maio de 2012, por conta do inicio do processo eleitoral e fechamento do tesouro, projeto de higienização social, onde pretos e pobres devem ficar fora do centro de São Paulo e desta forma o mesmo é entregue brilhando aos abutres.