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Na última quinta-feira, 11/06/2015, dezenas de pessoas estiveram reunidas na ONG Ação Educativa para debater as potencialidades e os gargalos da Economia das Culturas e Criativa na cidade de São Paulo.

O evento reuniu em uma mesa de debate sobre Economia Solidária e Economia das Culturas Leo Pinho (Secretário Geral da Unisol Brasil, Presidente do Conselho Municipal de Drogas SP (Comuda) e Conselheiro do Conselho Estadual de Direitos Humanos (CONDEPE) ), Christiano Basile (Coordenado geral do projeto Economia Popular e Solidária como Estratégia de Desenvolvimento) e GOG (pioneiro na Cultura Hip Hop brasileira, rapper e escritor), com mediação de Bob Controversista (Presidente nacional da Associação Cultural e Educacional MH2R e educador da UNISOL SP) e Erica Ribeiro (educadora da UNISOL SP). Para fechar a  atividade teve a celebração com apresentação litero-musical de GOG e o grupo de Rap 288 de Jundiaí..

Christiano Basile apontou que a economia solidária está acontecendo, mas de forma pulverizada. Ele defende que é preciso mapear o que se tem em economia solidária e mostrar o ‘menu’, tudo o que se tem feito: “O desafio que coloco para a gente é que estejamos unidos, e convido vocês para que estejam conosco, participando deste projeto que estamos desenvolvendo”.

Leo Pinho deixou a seguinte pergunta: “Nós somos capazes de transformar o impacto social que a gente gera em dinamismo econômico? O que eu tenho visto é que sim. ”

E GOG pontuou, dentre tantas falas significativas no encontro: “A periferia nos situa, e a minha busca foi entender que a minha negritude me define, independentemente de onde eu esteja. Pior do que ser periférico é ser periférico aos problemas. Na economia solidária, nós temos que ser o fogo que aquece a chaleira”.

O objetivo do encontro foi apresentar alguns resultados do trabalho de coletivos envolvidos na construção de um mapeamento, mobilização e inovação para o setor e convidar outros coletivos da cidade a integrarem o processo. Já participam do processo coletivos como Associação As Mulheres e o Movimento Hip Hop (Hip Hop Mulher), Associação Cultural e Educacional MH2R, União Popular de Mulheres (UPM), Coletivo Pretologia (Fusão Hip Hop Leste – FH2L), Coletivo Literatura Suburbana, Rede das Casas da Cultura Hip Hop do estado de São Paulo, Nação Hip Hop Brasil, SPCINE, ADESAMPA, ONG Ação Educativa, Coordenadoria da Juventude de São Paulo entre outros.

Esta movimentação é parte do Projeto Economia Popular Solidária e Empreendedorismo como Estratégia de Desenvolvimento, promovido pela Secretaria Municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo de São Paulo (SDTE) e realizado pela UNISOL Brasil (Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários), O mesmo tem como objetivo estruturar uma Política Municipal de Economia Solidária e Empreendedorismo na Cidade de São Paulo a partir dos encontros e demandas dos empreendimentos e coletivos solidários que atuam na cidade de São Paulo, combinando um marco legal adequado com um conjunto de ações de articulação dos empreendimentos e empreendedores populares e a consolidação do comércio justo e solidário na cidade por meio da articulação de iniciativas e da consolidação de uma estratégia em rede.

Até o momento já demandaram reuniões e engajamento no processo de construção 46 empreendimentos (Coletivos) de várias partes da cidade de São Paulo e 112 pessoas representando coletivos de vários segmentos. Dialogando e construindo novas possibilidades a partir do entendimento desta Economia das Culturas e Criativa.

Setorial Ecosol e Criativa

      Na verdade, se trata de uma campanha publicitária para divulgar um tênis da marca. Não escrevo este artigo para dizer que o rapper se vendeu e blablablá, mas para provocar uma reflexão acerca do seu empreendimento. Não afirmo que se vendeu porque não acho que esteja presente em sua obra uma visão que vá contra a ideia de inserção na campanha. E, se parece estar, talvez seja uma reflexão mais elaborada sobre as críticas do rapper do que ele mesmo conseguiu fazer, entrando em questões essenciais que podem não ter sido levantadas por ele ao fazer tais críticas. O que não o torna contraditório, mas, talvez… ingênuo. Ou talvez não.

Confesso que me senti incomodado em ver a tal propaganda. O que pude pensar foi algo como “esses filhos da puta (burgueses, empresários, detentores do poder) conseguem se apropriar de tudo mesmo, para garantir o sucesso de seus negócios (lucro). Mais uma vez, conseguiram”. Não que não haja outros exemplos no próprio Rap, como D2 que, hoje. faz apologia à riqueza após ter tido uma carreira de destaque no Planet Hemp cantando músicas com letras que se opunham a opressão _parto do princípio de que, para ser rico, é preciso oprimir indivíduos, para que produzam o que você não consegue produzir, mas deseja acumular. Quando falo que os burgueses conseguiram, não me refiro apenas a contratar seus modelos, mas disseminar suas ideias entre as pessoas, convencê-las. Também não creio que seja tão consciente, minuciosa, essa disseminação.

Com a minha crítica do rap “ter sido dominado” pelos empreendedores, não estou choramingando que não possam fazer isto por ser uma linguagem que não os pertence… Vejo as expressões artísticas sem fronteiras, não são exclusividade de um nicho _não posso usar tal estilo de roupa porque pertence a um grupo x ou y, ou não posso criar tal tipo de música porque pertence a tal comunidade, e estou excluso disto_ simplesmente porque este nicho só as sustenta, não as cria. Quem as cria é um ou outro, dentro deste grupo, que tem sensibilidade para isto. Por que ter o direito à exclusividade de algo que nem mesmo fui eu quem criou? Mas grande parte da sociedade insiste em segregar tais expressões. O problema que percebo nesta “dominação” do RAP é que ingenuidade de algumas pessoas, que parecem esboçar certa preocupação com o rumo da humanidade, chega ao ponto de colaborarem para manter um sistema opressor; que abram mão de seus ideais na hora em que o poder bate em sua porta; ou, na pior das hipóteses, considerar que elas são cínicas e, por isto, ajudam a te convencer, através de mensagens que parecem libertárias, a mover a engrenagem que mantém este sistema.

Mas voltando à propaganda… ops, documentário! Nela aparecem, além do Emicida, Raulzito, Pixote, Damiris, Toddy e MC Xará _artistas e esportistas que desconheço o trabalho, mas creio terem em comum com o rapper, pela proposta do vídeo, o fato de terem saído do gueto. A ideia que captei no documentário foi a de que se você se esforçar, correr atrás dos seus sonhos, trabalhar para isto, você conseguirá concretizá-los. Bom, em nenhum momento, a propaganda deixa isto claro, que você vai “conseguir” caso se esforce, mas faz parecer que com persistência é fácil. Inclusive o nome do vídeo reforça esta ideia: É POSSÍVEL.

Entendo esta ideia de que você pode “vencer na vida” como perversa, pois faz com que as pessoas tenham a ilusão de que há espaço para todos ascenderem economicamente, de modo significante, o que não é verdade. Não há como nós todos, nem mesmo a maioria, enriquecermos a ponto de nos tornarmos “patrão”, pois para isto teríamos que dividir a riqueza, que deixaria de ser riqueza; e, se fosse possível todo mundo ser abastado, quem produziria as coisas que garantem os luxos e privilégios? A ideia do vídeo serve para conformar as pessoas a não questionarem a riqueza de outros, pois um dia elas podem se tornar ricas também, garantindo com isto a manutenção do poder econômico como é. Outro problema é que elas, iludidas com a possibilidade de ascensão, têm maior motivação para trabalhar e produzir mais. O que, no final das contas, equacionando o trabalho de todas e o quanto algumas ascenderam, não compensa o investimento, mas faz com que seus patrões, sim, lucrem mais. Isto acontece porque as pessoas pensam individualmente, não em coletivo. É como jogar na loteria: o risco de ficar rico não vale o investimento, pensando no número de jogadores e quanto eles gastam; vale mesmo, no fim das contas, é para o empreendedor que vende o bilhete.

Intrínseca ao desejo de ascensão, que propagandas como esta reforçam, está a idéia de que ser livre é ocupar o papel do dominador, do que explora, dificultando algum movimento num sentido de libertação dos oprimidos. Ao pensarmos na liberdade como a dominação, não reconhecemos outros oprimidos como iguais, como companheiros, mas como aqueles que temos que trabalhar para dominar, o que impossibilita qualquer acordo, motim, revolta, contando com uma ação conjuta a eles.

Enfim, esta é a ideologia que acho que o vídeo carrega, junto com ela vem também de brinde um tênis da Nike, ou melhor: o desejo de ter aquele tênis. Por quê?! Porque é legal, a Nike é parceira de gente legal e descolada. E tudo isto com a ajuda do RAP, aliás, do RAP não, de um rapper. Como diria o próprio Emicida, em uma de suas letras, “Se o rapper se entregar, a favela vai ter o quê?”. Acredito que não é do desejo de possuir um “Nike” o que ela precisa.

Fonte: Por Rafael Barros no Overmundo