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Dia 2 de fevereiro, dia de Iemanjá. Enquanto o samba acontecia na Pedra do Sal, a poucos quilômetros dali, no bairro do Flamengo, puseram um negro nu preso pelo pescoço num pelourinho improvisado. Ele estava assaltando pessoas (ou foi o que disse quem publicou a foto). Pra servir de exemplo aos pretos ladrões. Recentemente, um caso semelhante aconteceu na praia.

Esse jovem não estava na Pedra do Sal ouvindo a alta poesia da música negra, tomando cerveja e conversando com seus amigos sobre o trabalho do mestrado não porque tenha um delírio malévolo de assaltar pessoas, fruto de uma natureza mais maligna ou menos humana que qualquer pessoa, mas porque não existe espaço objetivo pra dignidade e felicidade de todos no projeto capitalista, racista e violento de país que dirige o Brasil. Sem entender isso, não se entende nada e, facilmente, até mesmo sem perceber, se cai no colo dos fascistas.

E por aqui, pouco mudou

O retrato do descaso

Não existe vacina política histórica, nada está garantido e nada está assegurado; a humanidade se reinventa todos os dias. Repúdio absoluto e urgência de responder isso à altura. Não pode deixar naturalizar de jeito nenhum. Peço a todos que façam chegar a todas as organizações políticas, mandatos, movimentos e entidades democráticas de que tenham conhecimento.

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Fonte –

Adolescente suspeito de roubo é espancado e amarrado nu em poste na zona sul do Rio, Jovem diz que foi abordado por um grupo chamado de Justiceiros

http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/adolescente-suspeito-de-roubo-e-espancado-e-amarrado-nu-em-poste-na-zona-sul-do-rio-03022014

BobControversista – Emanuel Vidal 1

São surpreendentes os momentos que estão ocorrendo nestes últimos dias nesta nação que tem como prerrogativa em sua bandeira estrelada a frase “Ordem e Progresso”. Do 11º andar ouvi as palavras de ordem e a marcha pelo progresso e me perguntando se todos haviam entendido a mensagem, que não há vitória sem luta, ao mesmo tempo em que fico angustiado se os mesmos não estão embalados pelo custo que nos aflige o bolso e logo isso caia no ostracismo.

Um mar de pessoas que até onde meus olhos se perdiam pelas esquinas, jovens adultos e idosos gritando, levantando cartazes, ou os punhos cerrados exigindo justiça, respeito, igualdade. No meu peito explodia um sentimento que é inexprimível, pois em 30 anos só assisti embates desse tipo na Líbia, Egito, em países que sofrem com guerras, e ditadores, mais em uma republica democrática alienada a novelas, e jornais comandados por uma meia dúzia de famílias tradicionais, isso era inimaginável.

Lembro que em 1992 uma rede televisiva que nem merece meu citar, impulsionou o impeachment do ex Presidente Collor, uma manipulação caruda com uma manifestação chamada de “OS CARAS PINTADA” que mais parecia uma micareta adolescente, sem proposito sem engajamento. Mais agora é diferente, olhos braços e vozes se misturam e não teme a repressão policial, que é tão peculiar a mesma.

Como cães de guarda Nazista ficam a espreita aguardando seu senhor Geraldo Pinalckim dar as ordens em Alemão “angreifen” “atacar” e desenfreadamente distribuem socos, ponta pés, gás lacrimogêneo, tiros com suas pistolas de numeração raspada e também com aquelas que juraram usar apenas para defender o povo. Seria utópico imaginar que um país de dimensões continentais, iria mobilizar-se em diversas capitais, cidades, e ir para um enfrentamento como esse, um chamamento que Carlos Marighela entoou a mais de 40 anos atrás, acredito em meu espirito que esse baiano de fala pesada, que apanhou e bateu deve estar extremamente feliz, assim como estou.

Estou lendo as criticas as pessoas que estão quebrando vidraças, subindo no planalto, e queimando ônibus serei sincero, e solidarizo com estes também, e apoio este tipo de ação ,pois caminhada pacifica chamam atenção mais um ônibus queimando, repercuti no mundo, nas agencias internacionais, e como nenhum governante brasileiro quer ficar com cara de ruim na gringa logo passa a remexer-se nas poltronas felpudas de se seus escritórios.

O grande problema é que eles demoram demais e acreditam que a inercia ira dispersar a força do povo, assim como forçam o esquecimento como outros casos, cito a PEC 37. “A PEC 37 sugere incluir um novo parágrafo ao Artigo 144 da Constituição Federal, que trata da Segurança Pública. O item adicional traria a seguinte redação: “A apuração das infrações penais de que tratam os §§ 1º e 4º deste artigo, incumbem privativamente às polícias federal e civis dos Estados e do Distrito Federal, respectivamente”.

Desejo Fervorosamente que este sentimento seja expurgado de todos os brasileiros, e que de forma alguma eles se (re) acomodem caso aja uma baixa nas passagens de ônibus/metro. Pois a saúde continua doente, a educação continua analfabeta, e o governo Continua corrupto.

O dia de hoje na cidade de Guarulhos será registrado na história como aquele da redescoberta das ruas por segmentos expressivos das culturas, das juventudes e dos trabalhadores e trabalhadoras. A crescente indignação da população não é tão somente com o aumento da tarifa dos transportes na cidade e em várias partes do Brasil. Trata-se da implosão de um ciclo de esgarçamento social levado às últimas consequências pelo aparato de Estado da burguesia, na tentativa de regular a vida social, através do mercado e remunerar o capital em sua crise sistêmica.

A movimentação das culturas, das juventudes e dos trabalhadores e trabalhadoras, atacados por esse ciclo, tem gerado um caldo de cultura que pode contribuir, se politizado e unificado no campo das subjetividades e da vanguarda, para movimentar o bloco contra hegemônico a partir dessas demandas que estão vindo à cena política em virtude da espoliação social que se consolidou com a imensa retirada dos direitos sociais. Além das questões imediatas que dizem respeito às condições de vida dos trabalhadores, estas manifestações trazem a tona a indignação por parte de setores populares importantes diante dos descalabros com inversões de prioridades dos governos em seus mais diversos níveis neste momento de crise.

As ruas foram tomadas nas principais capitais do país: uma parte significativa das juventudes brasileira está estreando na dinâmica do protesto, as forças políticas ainda estão surpresas com o volume das manifestações, uma parcela importante das juventudes – ainda pautada pela influência da ideologia burguesa – questiona a presença da vanguarda política (partidos), não sabendo ela que grande parte das palavras de ordem que tem movimentado, e animado, as manifestações tem origem na história de luta e resistência dessa vanguarda.

Uma etapa dessa luta foi vencida, ela não é apenas por questões que digam respeito ao valor da tarifa dos transportes. A luta, agora, é por bandeiras políticas que suspendam a zona de conforto do bloco no poder.

Precisamos entender que o cenário de convulsão social está criando uma nova pauta para o operador político. Essa pauta é clássica, na visão do marxismo, na medida em que, para entendê-la, é necessário utilizar o instrumento de análise concreta da realidade concreta.

A convulsão social se apresentou no fogo da conjuntura e está inspirando uma luta de novo tipo: trazendo trabalhadores e trabalhadoras para as ruas, avenidas, portas de palácios e parlamentos. Sugerindo ao operador político, enquanto organizador coletivo, a construção da unidade contra hegemônica no campo da esquerda revolucionária com toda a sua diversidade política; conclamando para essa luta, sem hegemonismos, os sujeitos históricos que poderão desafiar a ordem e impactar o difuso campo popular neste momento essencial da luta de classes, quando setores orgânicos à classe estão em ebulição.

O momento é extraordinário para impedir que os passos que foram construídos pelo caldo de cultura da barbárie social, alimentada pela burguesia monopolista, avancem. Precisamos na correlação de forças que nos é favorável frear a xenofobia, o chauvinismo, o reacionarismo social, enfim a manifestação do fascismo.

A juventude insiste em permanecer nas ruas; os governos estão estupefatos e claudicam na movimentação da institucionalidade burguesa; devemos tentar, através das agências contra hegemônicas, fazer avançar o freio de emergência da nossa classe contra o projeto do capital: temos que paralisar trens, metrôs, portos, aeroportos, levar os protestos para dentro dos estádios, interditar as rodovias, fechar os pedágios, ocupar terras, paralisar o serviço público, fomentar a possibilidade da greve geral.

Todo o arcabouço da luta direta deve ser usado neste momento de convulsão social. Contudo, a vanguarda política deve ter a maior preocupação com o convívio democrático com amplas camadas das juventudes e dos trabalhadores e trabalhadoras que ainda não compreendem o papel histórico que devemos ter neste momento e se colocam, ainda, no campo tão somente da indignação.

A cena política com a sua conjuntura veloz permite entender que brechas foram abertas na institucionalidade burguesa e que isso é fundamental para que possamos agir nas contradições do processo. O que está sendo decidido não é a questão do poder político que vamos ter; o que está na ordem do dia a partir do aprendizado dessas manifestações pautadas pela convulsão social, é que é possível lutar e que é possível vencer.

Essa é a lição que devemos extrair neste primeiro momento de enfrentamento político e social. Mas também entender que a institucionalidade burguesa vai tentar descaracterizar a movimentação social; os meios de comunicação se comportarão, a partir daqui, com o bom mocismo da hipocrisia cívica, ou seja, fingindo apoio para impedir a movimentação política das massas.

O papel dos lutadores sociais, neste momento, é fomentar de forma mais ampla possível a politização da luta, através das demandas massacradas pelo esgarçamento social patrocinado pelo capital. Além disso, é necessário educar os lutadores e lutadoras neste processo de luta direta, ao tempo em que é hora de desenvolver a mais profunda unidade do campo contra hegemônico para construir a possibilidade de movimentar o bloco revolucionário do proletariado nessas e noutras batalhas que virão na história do tempo presente.

1 Emanuel Vidal Membro fundador da Associação Cultural e Educacional Movimento Revolucionário BobControversista é educador popular e militante na defesa dos direitos das crianças e dos adolescente, membro fundador da Associação Cultural e Educacional Movimento Hip Hop Revolucionário e militante defensor da Economia Solidaria, Comércio Justo e Solidário e do CooperativismoImagem

Nas últimas semanas, a Polícia Militar tem sitiado vários bairros periféricos da Região Metropolitana de São Paulo. Numa suposta reação a ataques do crime organizado, policiais tomam comunidades, fecham ruas e abordam de forma indiscriminada e freqüentemente agressiva os moradores. Como costuma ocorrer em casos como este, a “reação” é inteiramente desproporcional à ação. Além de desorientada. Desde o início de junho, quando a ROTA protagonizou uma brutal chacina na Zona Leste, executando seis pessoas que estariam em uma “reunião do PCC”, o clima de terror alastrou-se pelas periferias. Segundo a própria PM, cerca de 100 mil pessoas foram abordadas entre os dias 24 e 30 de junho.

Neste mesmo período, cerca de 400 pessoas foram presas. Mas estes números são apenas a face pública da situação. Momentos como este, em que a polícia – estimulada pela maior parte da imprensa e pelo sentimento fascista de um setor da classe média – coloca-se como vítima, que precisa reagir em nome da lei e do Estado de Direito, são extremamente perigosos. Abre-se então a temporada de caça aos “criminosos”, identificados sem muita restrição aos pobres, moradores da periferia, negros e, preferencialmente, jovens. Julgamentos sumários, extermínios e acertos de contas são feitos em nome da lei e da ordem. Há seis anos o mesmo estado de São Paulo vivenciou uma situação análoga. O resultado foi a maior chacina, ainda que descentralizada, de que se tem notícia nas últimas décadas no Brasil. Entre os dias 12 e 20 de maio de 2006, 493 pessoas, em sua maioria jovens da periferia, foram mortos pela PM. À época, associaram-se tais mortes a uma reação da PM aos ataques e os mortos a criminosos do PCC.

Os relatos daquele maio sangrento foram recuperados e podem ser acessados por todos através do Movimento das Mães de Maio, organização de mulheres que perderam seus filhos na suposta reação ao crime organizado. Esta Cruzada contra o “crime” de 2006, naturalmente não reduziu os índices de criminalidade no estado. Não era esse seu objetivo. É mais do que sabido que o combate ao crime organizado passa, antes de tudo, por enfrentar suas profundas ramificações dentro do próprio Estado e, em particular, da polícia. O que a chacina de 2006 representou foi uma oportunidade privilegiada de criminalização da pobreza, de extermínio sádico e de mostrar aos trabalhadores mais pobres qual deve ser o seu lugar nesta sociedade. As últimas semanas nos fez reviver este pesadelo.

Toques de recolher, prisões e mortes obscuras estão novamente sendo naturalizados pelo governo e imprensa sob o argumento do combate ao crime. Não nos parece natural que a PM imponha toques de recolher no Capão Redondo, Jardim São Luiz e Grajaú ou em regiões de Guarulhos, como ocorreram dias atrás. Moradores do bairro dos Pimentas, em Guarulhos, afirmam que além do toque de recolher, cerca de 13 pessoas foram executadas nos últimos dias. No último dia dois de julho, a Rota executou dois jovens em Sapopemba, zona leste da capital. Apenas entre os dias 17 e 28 de junho, 127 pessoas foram assassinadas, o que é 53% mais do que o mesmo período do ano passado. Estas são apenas algumas das denúncias que conseguimos levantar.

O próprio jornal Folha de S. Paulo publicou, no dia cinco de junho, que os homicídios cometidos por policiais da ROTA aumentaram 45% nos cinco primeiros meses deste ano em relação a 2001 e 104% em relação a 2010. Ou seja, antes mesmo dos ataques a bases da PM, que teriam provocado a “reação”, a polícia já estava num ataque crescente. Todos sabem que a imensa maioria da população que vive na periferia não faz parte do crime organizado. Muito diferente disso, somos trabalhadores formais, informais, desempregados e quase sempre superexplorados. Em troca, direitos básicos nos são negados cotidianamente.

Nossa pobreza é tratada como crime a ser punido e reprimido. A única face do Estado de Direito que se apresenta nas periferias é a polícia. O governador Geraldo Alckmin foi à imprensa para dizer que quem enfrentar o Estado vai perder. Sua Secretária de justiça, Sra. Eloísa Arruda, já havia dito na ocasião do massacre do Pinheirinho que, para ela, a legalidade está acima dos direitos humanos. A senha foi dada. Enquanto isso, a chacina continua a céu aberto…

Guarulhos, 10 de Maio de 2012.

Fórum do Hip Hop de Guarulhos

Carta aos militantes, ativistas, artistas e simpatizantes da Cultura Hip Hop e no que couber de outras denominações e/ou vertentes culturais da cidade.

Vimos por intermédio desta extrojetar todo nosso repudio às atuais gestões culturais da/na cidade de Guarulhos, gestões que viraram as costas para a Cultura Hip Hop, gestões que tratam os militantes da Cultura Hip Hop como moleques, crianças que com um docinho é facilmente convencida, gestão que tem memória curta (ou finge ter) e se esquece que a Cultura Hip Hop no passado angariou diretamente para um vereador 8.700 votos, gestão que não respeita e não cumpri com suas obrigações, gestão que esta devolvendo para os cofres federais milhões em recursos que poderiam estar a favor da população.

Vimos por intermédio desta dizer chega!
Vimos por intermédio desta dizer que estamos nos organizando e vamos para um grande enfrentamento.
Vimos por intermédio desta dizer que infelizmente vamos travar uma batalha contra um partido que sempre defendemos, apoiamos e lutamos para que o mesmo fizesse uma gestão coadunada com os princípios que nortearam sua fundação.
Vimos por intermédio desta dizer que não nos sentimos mais representados pelo Partido dos Trabalhadores, partido de posicionamento de esquerda e que hoje faz as mesmas coisas e tem o mesmo “modus operandi” de PSDB, DEM e outros fascistas.
Vimos por intermédio desta dizer que o Hip Hop sempre se posicionou e se mobilizou em favor dos oprimidos, lutando contra os “Golias” e sempre vencendo.
Vimos por intermédio desta dizer que estamos a 12 anos tentando um dialogo na pesperctiva da construção coletiva e não somos respeitados.
Vimos por intermédio desta dizer que não queremos tornar a cena cultural da cidade refém da Cultura Hip Hop.
Vimos por intermédio desta dizer que queremos equidade de investimentos, possibilidades de potencializar os potenciais locais, de participação nas instancias de decisão e encaminhamento dos recursos para a cultura como um todo.
Vimos por intermédio desta dizer que o molho azedou e que a fase de diálogos se esgota a cada dia e que agora a chapa vai esquentar.

Sem mais
Fórum do Hip Hop de Guarulhos