Posts com Tag ‘MH2R movimento social’

image

O que será que aconteceu no bastidores da Globo? Em editorial surpreendente o jornal o Globo fala que oposição de PSDB é irresponsável e no Jornal Nacional crava posição contraria a quem defende o impeachment da presidenta Dilma.

Acho que podemos analisar esse posicionamento a partir do entendimento que o grande capital não sofreu nenhuma perda, ao contrário, a cada ano que passa vem lucrando cada vez mais. Dessa forma, é de se pensar que uma real crise política não seria agradável pra continuidade desses lucros.

Esse posicionamento se da no momento em que a globo foi homenageada no congresso o que demonstra que foi um ritual de beija-mao, na qual se pede permissão pra continuar. O governo atual é infinitamente melhor que qualquer um anterior, porém, não rompeu com as amarras do capital e assim fica refém desse jogo, os bancos brasileiros estão acumulando lucros e a atual política de juros os favorecem, logo qualquer mudança sem garantias a eles pra se manter na mesma rota pode ser um problema a vista, sem contar que as verbas de publicidade que a Globo recebe do governo federal continuam gigantes e recentemente o STF proibiu do Google e outras empresas abrirem TVs pagas no brasil.

Tirando o preconceito intrínseco dessa elite sabuja do nosso Brasil, não tem porque eles serem contra. Continuam ganhando, como sempre. Na contra mão deste processo, porém fazendo uma aprofundada análise de conjuntura uma militância combativa vem gravando nas grandes metrópoles uma outra economia, uma economia centrada no ser humano, no meio ambiente, na auto gestão, no cooperativismo e na produção coletiva.

A Economia Solidária vem se consolidando como estratégia de desenvolvimento sustentável e com garantia de transformação social, buscando a construção de uma sociedade mais justa solidária, educadora e socialista. Com ações práticas e assim e a partir disso uma série de atividades está sendo programada para acontecer nos dentro babilônico de São Paulo, o local escolhido foi a Av. Paulista, onde de 08/08 a 16/08 teremos Seminários, Desfiles de Moda, Mostra de Cinema, Celebrações Artísticas, Saraus, Literatura e muito, muito mais.

O objetivo deste movimento é apresentar e consolidar uma política pública de Economia Solidária onde empreendimentos econômico solidários tenham fomento, a exemplo da política pública Cultura Viva, que traz em suas linhas a valorização, fomento e garantias de distribuição de seus produtos e produções via Pontos de Cultura.

Acompanhe a programação, participe e divulgue, vamos juntos forjar as bases de uma nova e renovada economia popular e sustentável.

image

Anúncios

Guarulhos, 06 de fevereiro de 2013.

 Carta à militância cultural 

Desde nossos primeiros passos no panorama cultural e político na cidade de Guarulhos estamos suscitando reações, defesas viscerais e apaixonadas, levantes contra a inércia e as dificuldades que o nosso Estado (governo) lento e burocrático tem para conviver com a obrigatória e incontornável quebra de paradigmas que são inerentes à implantação de projetos, programas e ações relevantes para o desenvolvimento cultural de posses, associações, cidadãos e cidadãs guarulhenses e coirmãos do Alto Tiete e/ou grande São Paulo, sem desconsiderar a cidade de São Paulo que interage de varias formas com as territoriedades supracitadas, ate, reverberando suas ações em seus vários segmentos.

Desde esses primeiros passos, estes embates, internos e externos, adquiriram contornos de construção e desconstrução, de colaboração e de rompimento, porem em todos os casos tiramos ensinamentos e aprendizados que nos capacitaram. De um lado paladinos que deflagraram suas bandeiras para defender a filosofia e o cerne conceitual da construção coletiva e do fazer “juntos”, não estão conseguindo desalforriar à imensa diversidade cultural guarulhense. Esse imenso desejo da Cultura Hip Hop de se fazer reconhecida e respeitada, considerada como matéria prima essencial à construção de uma identidade urbana, dinâmica, plural e capaz de representar o que imaginamos que somos como nação e povo, como a agua que se infiltra por todos os poros e brechas que encontra diante de si e tende a ocupar todos os espaços disponíveis e os indisponíveis também.

Isso assusta o Estado (burgueses e políticos) que, num descuido permitiram que o um Governo com viés progressista e compromissado em dar, aos que nunca tiveram pelo menos uma migalha do que teriam direito, derramassem essa água transformadora da Cultura Hip Hop na esperança dos fazedores de cultura desta cidade. E o Estado e todo o seu aparato consolidado de medidas criadas para impedir que vicejem inciativas que ameacem o seu controle reagem rapidamente, criando obstáculos diversos para que essa água da Cultura Hip Hop se espalhe e deixe proliferar a vitalidade cultural de nossa gente, maloqueira, intelectual e trabalhadora. Muitos foram os capítulos e eventos desse grande embate.

Junto com o Estado reagiram também os atores e grupos sociais atuantes no panorama cultural, repito interno e externo, habituados ao reconhecimento e acesso privilegiado que este propiciava aos recursos alocados pelo Estado à cultura. Por trás das discussões duas concepções da cultura e do fazer cultural buscavam se impor como diretrizes das ações e da formulação das políticas públicas para a cultura. Uma que, em síntese considera todo e qualquer cidadão como ente inteiro e capaz de gerar cultura, pelos seus ritos, comemorações, festejos, jeito de vestir e de comer. Capaz de eleger, por conta própria seus valores artísticos e culturais.

Outra que preconiza a separação entre quem faz arte e cultura e uma grande massa que, sem a “qualificação” exigida fica condenada a ser consumidora da arte e cultura produzida, comercializada e perversamente imposta subliminarmente através de um controle hegemônico e centralizador dos meios e veículos de difusão existentes.

Os problemas práticos decorrentes dessa guerra conceitual começaram desde os primeiros passos de nossas Culturas, com um recorte especial para a Cultura Hip Hop, tema transversal deste desabafo sistematizado – questionamentos, condenação de entidades por dificuldades em lidar com os tramites burocráticos, dificuldade do Estado em admitir os erros de seus agentes e a falta de estrutura administrativa, cancelamento ou atraso ou feitura errônea de editais (Leia-se Festival da Cultura Hip Hop, Hip Hop nas férias e etc.) e outros percalços – mas no “Governo” havia uma certa prevalência de grupos que não defendiam com empenho a luta.

Durante a campanha para as eleições de vereança e prefeitura já vivíamos um combate fratricida, até mesmo dentro da Cultura Hip Hop, e suas vertentes, entre os homens e mulheres vinculados a partidos políticos da base de sustentação do Governo e da oposição ao mesmo e que defendiam os erros indefensáveis da gestão e seus subordinados, em nome de uma continuidade, ou não, de um Governo antidemocrático, cego e arrogante. Qualquer cidadão e cidadã que ousasse apontar e questionar as deficiências e falhas gritantes na execução ou proposição de projetos era duramente atacado pelos brigadistas de plantão e os questionamentos ficavam por ali mesmo esvaziados e sem eco.

Apesar dos compromissos assumidos explicitamente durante a campanha de desenvolver, consolidar e/ou ampliar os espaços de desenvolvimento das Culturas e da Cultura Hip Hop, o que vimos desde a nomeação do Prefeito Almeida e do Secretariado escolhido pelo mesmo, via um conjunto de demissões, exonerações e perseguições politicas, um conjunto de ações que iam à direção contrária do compromisso assumido. Ataques claros e revisionistas aos projetos, propostas e encaminhamentos coletivos da base de articulação cultural e não politica partidária vale ressaltar.

Passado um longo processo de discussão pública, abandono total das iniciativas de Cultura e questionamento público do compartilhamento de conteúdos pelas redes sociais da militância positiva e negativa, defesas intransigentes contra e a favor da inercia do Estado em relação ao avanço e respeito à Cultura hip Hop Guarulhense, tentativa deliberada de desqualificar e enfraquecer a base como instância máxima e legítima de representação das Culturas, temática sobre a qual nunca foram devidamente esclarecidas quais são as diretrizes e prioridades, mesmo que nós subíssemos que carnaval, teatro e shows de mainstrens são prioridades de orientação para ações futuras.

Pontos de Cultura que foram prejudicados neste período por convênios paralisados e cancelados, prêmios etc. Junto com isso veio o congelamento de recursos para o projetos e ações em uma ação deliberada para transformá-los num grande problema, tendo em vista o entendimento que ou os atores da sociedade civil ou a gestão publica não tinham competência para cumprir as normas impostas pela burocracia que continua assentada no seu trono impassível e inquestionável.

Reagimos contra essa falta de respeito em reuniões de articulação e buscamos aliados para acelerar a tramitação da Casa da Cultura Hip Hop de Guarulhos e do Alto Tiete, que acabou gerando um núcleo de resistência que assumiu o desafio de impedir a aniquilação sócio-política e cultural. Nesse processo, novos atores que já haviam integrado a base em outros tempos passaram a integrar os debates e as tentativas de articulação.

Com a chegada do Edmilson Souza vimos uma luz no fim do túnel, mas o rumo da prosa não se alterou muito! Nesse período, nada do que estava efetivamente paralisado ou advogando contra a Cultura Hip Hop não foi resolvido. Nesse momento, a decisão de qual postura a militância deveria assumir começou a acentuar os devidos encaminhamentos. Apesar de termos majoritariamente decidido que era melhor estarmos representados dentro do processo de construção da Casa da Cultura Hip Hop de Guarulhos e do Alto Tiete e aceitamos trabalhar voluntariamente no processo, o grupo que não concordou com essa escolha continuou a se mover por conta própria e a articular a luta política pela Cultura Hip Hop, pela liberação dos recursos para os Pontos de Cultura, ampliação do FunCultura e etc, segundo suas próprias ideias e conforme a dinâmica que achavam mais adequada. Todo mundo defendendo as “Culturas”, cada qual do seu jeito…

Nesse meio tempo, enquanto nada disso era feito concretamente e ninguém respondia efetivamente por isso, as nossas divisões internas se acentuaram, os debates começaram a ficar mais ásperos e as insinuações e grosserias quase polidas proliferaram, instalando um clima de desconfiança e de dificuldade em tirar uma linha de ação coesa e capaz de aplainar as diferenças.

Feito este desabafo, como que pra refrescar a minha própria memória, gostaria de contribuir para a reflexão do momento que vivemos.

Em primeiro lugar, retomando o início do meu relato, penso que a paixão não deve servir de escudo de defesa para atitudes aparentemente viscerais e sectárias. Esse comportamento aproxima perigosamente a atuação política da militância cultural.

Essa luta é mesmo muito dura e coloca à prova nossa paciência e a nossa capacidade de discernir o que podemos efetivamente fazer para que os nossos objetivos e desejos se tornem realidade. Acho que é fundamental fazermos uma avaliação das nossas forças reais e de como ampliar e fortalecer a nossa capacidade de negociação com o Estado (Prefeitura de Guarulhos) e com suas instâncias governamentais, parlamentares e judiciárias.

Sim companheiros, negociação! Por mais que façamos tratados filosóficos e conceituais para orientar nossas ações e tomadas de decisão, o sucesso na implantação da Casa da Cultura Hip Hop de Guarulhos e do Alto Tiete dessa envergadura, que traz no seu bojo transformações tão profundas na Cultura Hip Hop com viés político e nas políticas para as outras vertentes culturais, pois a Cultura Hip Hop dialoga tranquilamente com as outras vertentes culturais, mesmo sabendo que em muitas vezes esta não é uma via de mão dupla, depende de uma negociação adequada e estrategicamente bem embasada entre as culturas, a sociedade e o Estado.

E para fazer o Estado conceder aos que buscam um lugar melhor na sociedade o direito desse reconhecimento precisamos ter uma conduta mais ética e menos viciada pelo hábito de um jogo político que acaba favorecendo aos mais “espertos”, os mais articulados e os mais aptos a se contentar com algumas pequenas conquistas em troca de afagos ao ego e algumas posições no camarote do reino!

Bobcontroversista

Presidente da Associação Cultural e Educacional Movimento Hip Hop Revolucionário (MH2R)

 

 

 

Nas últimas semanas, a Polícia Militar tem sitiado vários bairros periféricos da Região Metropolitana de São Paulo. Numa suposta reação a ataques do crime organizado, policiais tomam comunidades, fecham ruas e abordam de forma indiscriminada e freqüentemente agressiva os moradores. Como costuma ocorrer em casos como este, a “reação” é inteiramente desproporcional à ação. Além de desorientada. Desde o início de junho, quando a ROTA protagonizou uma brutal chacina na Zona Leste, executando seis pessoas que estariam em uma “reunião do PCC”, o clima de terror alastrou-se pelas periferias. Segundo a própria PM, cerca de 100 mil pessoas foram abordadas entre os dias 24 e 30 de junho.

Neste mesmo período, cerca de 400 pessoas foram presas. Mas estes números são apenas a face pública da situação. Momentos como este, em que a polícia – estimulada pela maior parte da imprensa e pelo sentimento fascista de um setor da classe média – coloca-se como vítima, que precisa reagir em nome da lei e do Estado de Direito, são extremamente perigosos. Abre-se então a temporada de caça aos “criminosos”, identificados sem muita restrição aos pobres, moradores da periferia, negros e, preferencialmente, jovens. Julgamentos sumários, extermínios e acertos de contas são feitos em nome da lei e da ordem. Há seis anos o mesmo estado de São Paulo vivenciou uma situação análoga. O resultado foi a maior chacina, ainda que descentralizada, de que se tem notícia nas últimas décadas no Brasil. Entre os dias 12 e 20 de maio de 2006, 493 pessoas, em sua maioria jovens da periferia, foram mortos pela PM. À época, associaram-se tais mortes a uma reação da PM aos ataques e os mortos a criminosos do PCC.

Os relatos daquele maio sangrento foram recuperados e podem ser acessados por todos através do Movimento das Mães de Maio, organização de mulheres que perderam seus filhos na suposta reação ao crime organizado. Esta Cruzada contra o “crime” de 2006, naturalmente não reduziu os índices de criminalidade no estado. Não era esse seu objetivo. É mais do que sabido que o combate ao crime organizado passa, antes de tudo, por enfrentar suas profundas ramificações dentro do próprio Estado e, em particular, da polícia. O que a chacina de 2006 representou foi uma oportunidade privilegiada de criminalização da pobreza, de extermínio sádico e de mostrar aos trabalhadores mais pobres qual deve ser o seu lugar nesta sociedade. As últimas semanas nos fez reviver este pesadelo.

Toques de recolher, prisões e mortes obscuras estão novamente sendo naturalizados pelo governo e imprensa sob o argumento do combate ao crime. Não nos parece natural que a PM imponha toques de recolher no Capão Redondo, Jardim São Luiz e Grajaú ou em regiões de Guarulhos, como ocorreram dias atrás. Moradores do bairro dos Pimentas, em Guarulhos, afirmam que além do toque de recolher, cerca de 13 pessoas foram executadas nos últimos dias. No último dia dois de julho, a Rota executou dois jovens em Sapopemba, zona leste da capital. Apenas entre os dias 17 e 28 de junho, 127 pessoas foram assassinadas, o que é 53% mais do que o mesmo período do ano passado. Estas são apenas algumas das denúncias que conseguimos levantar.

O próprio jornal Folha de S. Paulo publicou, no dia cinco de junho, que os homicídios cometidos por policiais da ROTA aumentaram 45% nos cinco primeiros meses deste ano em relação a 2001 e 104% em relação a 2010. Ou seja, antes mesmo dos ataques a bases da PM, que teriam provocado a “reação”, a polícia já estava num ataque crescente. Todos sabem que a imensa maioria da população que vive na periferia não faz parte do crime organizado. Muito diferente disso, somos trabalhadores formais, informais, desempregados e quase sempre superexplorados. Em troca, direitos básicos nos são negados cotidianamente.

Nossa pobreza é tratada como crime a ser punido e reprimido. A única face do Estado de Direito que se apresenta nas periferias é a polícia. O governador Geraldo Alckmin foi à imprensa para dizer que quem enfrentar o Estado vai perder. Sua Secretária de justiça, Sra. Eloísa Arruda, já havia dito na ocasião do massacre do Pinheirinho que, para ela, a legalidade está acima dos direitos humanos. A senha foi dada. Enquanto isso, a chacina continua a céu aberto…

Na tarde de ontem, dia 21/06/2012, após mais de uma década volto às instalações da Pontifícia Universidade Católica – PUC-SP, com o objetivo de fomentar um dialogo, que ousadamente chamaram de palestra, com estagiários no ultimo ano do curso de psicologia e gestores na área da saúde na região do Jardim Damasceno – Vila Brasilandia, o momento me trouxe ótimas recordações, entre elas pontuo as três mais importantes, pois agregaram muito a minha formação ideológica e também me levaram a um novo entendimento do “ser mais”.

A primeira, em sua ordem de importância, para mim, foi quando tive a oportunidade, única, de não só participar de uma palestra com o grande mestre Paulo Freire, mas também sentar à mesa com aquele ser humano especial e desenvolver como ele disse a época uma longa “prosa dentro de um “inimaginável” dialogo com a base, dada a importância da proximidade cada vez maior do povo com o universo acadêmico”

A segunda foi quando comecei a desenvolver alguns trabalhos e parcerias com o Núcleo de Trabalhos Comunitários – N.T.C. da PUC – SP, local onde conheci, entendi e utilizo até os dias de hoje, o Teatro do Oprimido, o Teatro do Invisível, os jogos cooperativos e as metodologias de trabalhos multidisciplinares, que tanto me ajudam no desenvolvimento das atividades com crianças, adolescentes e jovens adultos, principalmente em situação de risco, ativando a necessária “inventividade, criatividade e respeito às diferenças”.

E a terceira, foi quando de um momento, que os educandos da universidade fizeram um movimento de critica ao reitor pedindo a “liberação do consumo de maconha nas instalações do campus Perdizes”, fato este que em relação ao momento político da cidade de São Paulo, nas mãos inoperantes, no que diz respeito `garantia e defesa de direitos dos menos favorecidos econômica e socialmente, me pareceu uma afronta, uma perda de tempo e energia, que poderiam estar direcionada para lutas mais efetivas em busca primeiro da descriminalização da droga ilícita, para o atendimento e apoio a usuários de álcool e outras drogas, enfim, tentamos motivar a real função social daquela tão importante instituição e este processo me proporcionou um belo ganho de experiências que levei para todos os cantos deste Brasil por onde passei e pude de alguma forma socializar as experiências.

  No dialogo com os estudantes de psicologia daquela renomada instituição, grande parte deles (as) com o objetivo de atuarem nas periferias de São Paulo, pontuei a importância primeira de desconstruir todo e qualquer pré conceito, desconstruir os olhares estereotipados de “coitadinhos” e a potencialização de projetos assistencialistas, onde os jovens são aleijados da necessária leitura critica de suas realidades, aleijados do entendimento das situações objetivas que nos colocam em um circulo vicioso e perpetuo de alienação no jargões do “é assim mesmo um dia melhora, não tem jeito vai sempre ser assim, se Deus quiser um dia melhora, político é tudo ladrão e etc..

  Houveram muitos questionamentos, poucos dos educandos, porem importantes e pontuais por parte dos educadores, de como iniciarmos um trabalho comunitário, realmente sócio educativo, emancipador e que fomente a autonomia dos sujeitos de direitos com a necessária analise de conjuntura pautada em uma verdadeira práxis revolucionaria?

  Discutimos a necessária busca por uma ação/educação ideológica, mas dialogante e atentiva, para que se possa estabelecer a autêntica comunicação da aprendizagem, entre as gentes, com alma, sentimentos e emoções, desejos e sonhos. Ações comunitárias pautadas e “fundadas na ética, no respeito à dignidade e à própria autonomia do educando”, e a “vigilante atenção contra todas as práticas de desumanização”. É necessário que “o saber-fazer da auto reflexão crítica e o saber-ser da sabedoria exercitada ajudem a evitar a “degradação humana” e o discurso fatalista multiplicado pelos cegos manipuladores da globalização”

Discutimos, na suprema problematização os vários “porquês?”

Porque queremos criar projetos nestas regiões?

Porque elegemos as periferias como foco de intervenção de projetos?

porque a sociedade civil, trabalha e o Estado regula?

Porque o Estado, por si só não efetiva algumas das varias políticas publicas empoeiradas e esquecidas nos livros, nas prateleiras da própria universidade?

Dialogo muito gostoso e que se posto nestas simples linhas inundaríamos as nuvens virtuais da Internet com esperança (do verbo esperançar) de gana, de luta, de emoção, de vontades e de vibração muita vibração.

A mobilização para os trabalhos na Vila Brasilandia estão a todo vapor e espero ter contribuído de alguma forma para o fortalecimento e entendimento de que sempre é possível, basta para isso que acreditemos e ousemos.

   Como muito bem disse Carlos Lamarca, “Ousar Lutar, Ousar Vencer e Venceremos”

     Muito obrigado pelos ensinamentos.

Fotos Favela do Moinho - Fábio Vieira

Nosso incerto futuro

Há quase trinta anos, a ocupação da Empresa Moinho Santa Cruz deflagrava o surgimento de uma das maiores favelas no dilacerado coração da mais cosmopolita e desigual cidade da América do Sul, São Paulo. A comunidade, formada originalmente por catadores de materiais recicláveis, reunia ali uma das mais admiráveis demonstrações de respeito e preservação ao meio ambiente na cinzenta São Paulo, gerando empregos, renda e possibilitando a dezenas de famílias, que hoje somam-se quase 800, uma oportunidade de vida, ainda que severamente modesta.

Fotos Favela do Moinho - Fábio Vieira
A ferramenta dos trabalhadores (as)

Modesto cotidiano que sofreu substancial e negativa mudança na manhã  de 22 de dezembro de 2011, quando labaredas e chamas reduziram concretos, madeiras, móveis, pertences, histórias e vidas a um cenário de destruição, desespero, desamparo e incertezas. Episódio que suscita uma série de perguntas sem respostas, abrindo diálogo para um debate que envolve interesses econômicos, especulação imobiliária, política de higienização, descumprimento de lei e, sobretudo, desrespeito à dignidade de homens, mulheres e crianças ali presentes, a mídia diz que a culpada foi a loucura.

Localizada no centro babilônico da cidade de São Paulo, a comunidade é o centro de uma grande disputa, de um lado trabalhadores e trabalhadoras que vivem a beira de tudo e não tem acesso a nada e de outro a especulação imobiliária com o mercado aquecido e seus abutres de plantão, a espreita para ocupar e consumir.  Quando iniciamos os trabalhos de apoio à reconstrução e conseqüente revitalização da comunidade afavelada, fomos encontrando indícios cada vez mais fundamentados de que o incêndio foi criminoso e este crime tem a mão, ou melhor as canetadas e a política higienista do prefeito Gilberto Kassab.

A área agredida esta no meio de um bolsão, fruto de grandes interesses econômicos, a famigerada Operação Urbana Lapa/Bras, que tem em seu escopo a construção de obras faraônicas de um grande empreendimento de alto nível e que não vão atender em nada as prioridades da população de baixa e media renda, projeto que visa a ocupação de toda a orla ferroviária Lapa-Bras-Mooca, com a construção de praças, bulevares e prédios para instalação de lojas, escritórios e moradias de alto padrão.

Previsto no Plano Diretor Estratégico da cidade, criado em 2002, a “Operação Urbana” (digasse higienista) é a autorização de construção de imóveis acima dos limites permitidos pela Lei de Zoneamento da região, em troca de pagamentos à Prefeitura. Para isso, a Câmara Municipal precisa aprovar (e aprovou, nos corredores, estrtégicamente em ano de eleição) um projeto de lei que cria a operação. Também é necessária a licença ambiental e as regras da operação urbana têm de ser discutidas em audiências públicas com a participação dos principais envolvidos.

Com todas essas exigências cumpridas, a Prefeitura pode vender os Cepacs, títulos que permitem essas construções. Sendo assim, mais uma vez fica claro a intenção de ampliar a construção de novas habitações de alto padrão nessa região como parte da ampliação da especulação imobiliária com o mercado aquecido. Os fatos aumentam cada vez mais nossa indignação e a natural gana por justiça social para com a população da Comunidade do Moinho.

O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, fechado com a mídia sensacionalista e burguesa, vinculam noticias mansas e mentirosas sobre o ocorrido e a real situação da comunidade, no dia 01 de janeiro de 2011 em pleno feriado o prédio do Moinho é implodido ao custo inicial de R$ 3.500.000,00, pagos às empresas Desmontec, que detonou os explosivos, e Fremix, responsável por transformar os detritos em brita. Ao todo, 800 kg de explosivos foram usados em 2,2 mil furos feitos em 260 pilares do térreo e do primeiro andar, o prédio não cai.

Relatos de moradores atentam para a morte de mais de 40 vitimas e a mídia diz que foram 02, a pressa tem seu objetivo, acelerar a remoção da população, ocultar as provas de que existem varias irregularidades e que o tempo daquela população em uma região extremamente valorizada se esgotou. A comunidade é formada por trabalhadores e trabalhadoras, catadores de material reciclável na sua grande maioria que devem ser retirados as pressas do local, os mesmos que estiveram por décadas esquecidos, excluídos dos interesses políticos e deixados à margem das condições básicas para a sobrevivência.

Há décadas trabalhadores e famílias construíram suas vidas e conquistaram seu direito à moradia. Hoje, essas pessoas se tornaram vítimas de um jogo de interesses onde o que menos importa é a condição de seu futuro e assim caminha as ações de Gilberto Kassab,  viabilizar a efetivação do seu maligno plano ate o maio de 2012, por conta do inicio do processo eleitoral e fechamento do tesouro, projeto de higienização social, onde pretos e pobres devem ficar fora do centro de São Paulo e desta forma o mesmo é entregue brilhando aos abutres.

Não sou nenhum destes ilustres analitistas políticos, os ditos profetas do passado e analisadores do óbvio, minhas reflexões partem da realidade do suburbano, moradores nos extremos desta babilônica, reacionária e elitizada São Paulo, onde os jargões empregados por estes mesmos são sentidos na pele por aqui, tipo Vulnerabilidade, Risco Social, Pessoal, Sustentabilidade, Responsabilidade Social, entre outros que ao meu ver só servem para justificar a disponibilização de verbas, financiamentos e encaminhamentos de leis e projetos de leis que não chegam a muito tempo para os lados de cá.

Venho observando este processo de desmonte do PSDB, o jogo sujo do poder, desenvolvido em estratégias que la na frente vamos ver se formar uma outra base de oposição tão forte quanto esta que vem sufocando, matando e escravizando os moradores da São Paulo cidade e da São Paulo Estado.

O fundador do PSDB e uma das principais lideranças históricas do partido em São Paulo, Walter Feldman, atual secretário municipal de Esporte e Lazer, que recentemente foi nomeado correspondente de São Paulo na gringa para aprender (na verdade implementar o “melhor copiar bem do que inventar mau”) como esta sendo organizado o evento Olimpíadas, o mesmo anunciou nesta segunda-feira (25) sua saída da legenda tucana. Dando o golpe de misericórdia no PSDB e fortalecendo a estratégia do Gilberto Kassab

Na semana passada, seis vereadores também abandonaram a legenda após o secretário de Gestão Pública, Júlio Semeghini, ter sido eleito para a presidência do diretório municipal do partido. Os vereadores, que chegaram a pleitear a presidência, reivindicaram a secretaria-geral do diretório, mas também não foram atendidos pelo grupo de Geraldo Alckmin.

Os políticos que saíram sabem que o PSDB, assim como o DEM, estão carentes de projetos, depois da terceira derrota consecutiva. Isso se mostrou verdadeiro. O PSDB não consegue ter resultados expressivos fora de São Paulo. O comando paulista do PSDB é quem manda no partido, fora dele só tem Aécio de nome. No nordeste, os caciques políticos estão praticamente mortos, com exceção talvez de um Cássio Cunha Lima e de um Teotônio Vilela. Porém, esses conseguem votos para si e não para os presidenciáveis tucanalhas. Por onde o PSDB passa, deixa miséria, incompetência, atraso, roubalheiras, falcatruas e censura midiatica. O PSDB afunda na lama que criou para si próprio.

 Acompanhamos a quase virada na eleição para o governo de São Paulo , onde o candidato do PT Aloizio Mercadante teve uma votação histórica e se consegue ir para o 2° turno, Pinalquimim tinha sido atropelado, Dilma arrebentando com Serra e instalando uma rachadura no seio do PSDB, partido/linha politica que a 30 anos vem (in) gerindo o estado de São Paulo sempre num viés retrogrado, elitista, reacionário e parceiro da opressão. Na minha leitura se elegemos um prefeito que não beba na fonte da direita e não seja fechado com o Partido da Imprensa Golpista (PIG), nas próximas eleições para governador extirpamos essa gangue e sua direita explosiva que só nos atrasa. Enquanto educador popular e militante da Cultura Hip Hop atuante na base torço para que nosso povo e a grande massa desenvolvam sua analise de conjuntura de forma critica e pautada nos avanços que tivemos no âmbito nacional e que temos que ter no nosso estado e na cidade de São Paulo, só assim teremos como mensurar uma vida menos mazelenta e mais livre.


Brasília – Responsável por estabelecer a proximidade do governo de Dilma Rousseff com os movimentos sociais, o ministro Gilberto Carvalho, chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, disse que os movimentos sociais acabam compreendendo mais as demandas do país do que os próprios partidos políticos. Para o ministro, os movimentos amadureceram no Brasil nas últimas décadas e, ao contrário dos partidos políticos, investiram na formação de seus quadros. Carvalho defendeu a necessidade de uma reforma eleitoral no Brasil e apontou o voto em lista e o financiamento público de campanha como forma de mudar a atual realidade, que na sua avaliação induz à corrupção.

Confira  um trecho da entrevista de Gilberto Carvalho à Agência Brasil.

Agência Brasil – O governo tem limitações para atender às demandas do movimento social por questões orçamentárias. Como administrar esse conflito?

Gilberto Carvalho – Essa tensão é inevitável. Eu brinco com eles dizendo que nós estamos sentados agora nesse lado da mesa, antes, estávamos no outro lado com eles, o que faz com que todos nós, oriundos do movimento social, esperemos de novo estar sentados do outro lado. Nosso destino é voltar para os movimentos sociais. Nosso papel aqui é tentar forçar a barra ao máximo dentro das limitações orçamentárias e institucionais para atender a essas demandas. Quando se faz o Orçamento, é preciso levar em conta esses aspectos. Aí é que está o jogo de governar, que é passar em grande parte pela sua filosofia, e por aquilo que se estabelece como prioridade.

ABr – E qual é a prioridade do governo?

Carvalho – Quando a presidenta escolhe como prioridade a superação da miséria, ela está dando um indicativo de que parte importante do Orçamento irá para esse destino. Isso, do ponto de vista ético, para nós todos que temos uma história política, é muito confortável. É também muito estimulante participar de um governo que estabelece essa prioridade. Há que se pensar em reproduzir, em espelhar no Orçamento essa opção. É claro que o Orçamento não é infinito e há gastos correntes que não se pode deixar de pagar. Mas tem que se reservar de fato um quinhão importante para isso. Isso não significa que vamos atender a todas as demandas, mas significa que muitas das demandas podem ser atendidas e, com isso, estabelecer pelo menos um compromisso, uma percepção da parte do movimento de que o governo tem a famosa vontade política de contribuir.

ABr – O senhor já observou essa compreensão?

Carvalho – O movimento amadureceu muito. Eu fiquei emocionado esses dias quando o pessoal da Fetraf [Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar] veio trazer uma pauta para a gente, o discurso da Elisângela [Elisângela Araújo, presidenta da Fetraf], companheira que hoje representa a Fetraf, que é um dos movimentos do campo de maior expressão. É um discurso que deixa emocionado de ver a maturidade. Eles não vieram reivindicar apenas terra, conforto nos assentamentos. São pautas muito mais amplas que dizem respeito, por exemplo, ao direito da mulher, à questão da criança, dizem respeito fortemente à questão ambiental. Enfim, a cidadania foi apropriada em grande parte, de forma muito intensa pelo movimento social. Isso é o resultado desse novo processo que a gente vive no Brasil, de amadurecimento dos movimentos. Acho isso muito bom. Isso facilita o diálogo. Eles passam a compreender também melhor.

ABr – Em que outros momentos o senhor conseguiu enxergar esse amadurecimento?

Carvalho – A conversa que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) teve com a presidenta foi extraordinária. Eles vieram discutir como podem ajudar no programa de alfabetização e no programa de reflorestamento do país, coisa que há 20 anos a gente, que é de movimento [social], sabe que não era assim.

ABr– O senhor diria que os movimentos se tornaram, por excelência, fóruns importantes de discussão dos mais variados assuntos ligados à cidadania?

Carvalho – Os movimentos fizeram uma coisa que os partidos não fazem. Eles qualificaram e seguem qualificando seus quadros. O MST tem uma escola que já funciona há muito tempo. Eles tomaram esse cuidado. A própria militância é um grande ensino. O velho método do bom Paulo Freire diz que se reflete a prática. Cada luta que se trava, se amadurece na cabeça. Os movimentos se tornaram verdadeiras escolas de cidadania. Ao se falar hoje em consciência ambiental, por exemplo, podemos considerar que, se Juscelino fosse construir Brasília hoje, não construiria, porque o pessoal não iria deixar passar máquina nesse Cerrado. É um amadurecimento benéfico do conjunto da sociedade.

ABr – O senhor comparou os movimentos sociais com os partidos. Fale um pouco mais sobre isso.

Carvalho – O que eu acho em relação aos partidos é que eles não cuidaram da formação de seus quadros da mesma forma que os movimentos fizeram. Isso é grave, mais do que grave, é gravíssimo. Nós temos uma estrutura política e eleitoral que é quase uma indução à perda de teor ideológico e político. Ela é uma indução, eu diria, até à corrupção, se nós falarmos da eleição. Qualquer cidadão hoje para ser candidato precisa de recursos para ser eleito. Onde é que ele busca esses recursos? Eu fui candidato em 1986 e ganhava três salários mínimos. Naquele tempo, a gente mantinha esquema de que dá para ser candidato com festinha, com lista entre amigos, com bingo, deitava e rolava de se trabalhar nessas coisas e se conseguia. Hoje, não, a campanha ficou cara. Eu fico pensando que às vezes se joga a pessoa nesse meio sem que haja uma preparação.

ABr – Era diferente em outros tempos?
Carvalho – Eu tenho a impressão de que o enfrentamento à ditadura e aos governos neoliberais nos deram teor ideológico e nos fizeram mais resistentes a essas chamadas, entre aspas, tentações. Acho muito perigoso pegar um jovem hoje e colocá-lo em um partido, sem que haja uma preparação, o risco de ser cooptado por essa mentalidade é enorme. Não adianta a gente, hipocritamente, ficar condenando uma pessoa dessa, se a gente não a preparou.

ABr – O senhor acha, então. que os movimentos conseguem compreender melhor as demandas do país que os partidos?

Carvalho – Não quero fazer aqui uma dicotomia simplista. Tem muita gente nos partidos que tem essa visão generosa. Graças a Deus, temos ótimas referências. Mas, em termos de tendência, é exatamente isso. Os militantes dos movimentos são levados a uma visão mais generosa, porque é uma visão mais coletiva nos movimentos. Não se é induzido a uma carreira mais pessoal. A questão do poder não é visualizada de uma maneira tão pessoal. Nesse sentido, sim, dá para dizer que hoje os movimentos são laboratórios de gente de maior generosidade, de maior ação cidadã, no sentido mais amplo, do que nos partidos. Dadas as regras atuais.

ABr – O que é preciso fazer para mudar isso?

Carvalho – Pode ser diferente. Se, por exemplo, na reforma política a gente fizer um processo de eleição por lista e com financiamento público, vai se fazer uma indução ao contrário, uma indução ao coletivo. O sujeito, para ser candidato, terá que ter militância em partidos sérios. Em partidos picaretas, haverá pessoas que vão comprar lugar na lista também, não vamos ser anjos aqui, mas pelo menos, permite aos partidos que são sérios trabalhar internamente de tal maneira que o sujeito, para ter o lugar dele na lista, vai ter que trabalhar na militância, vai ter que ter base. Na regra atual, cada vez mais, se vai induzindo para serem eleitos os que têm mais alcance de mobilização financeira, o que é muito grave.

ABr – O senhor acredita que o financiamento público de campanha seria o antídoto contra práticas como o caixa 2?

Carvalho – É o antídoto. Não vamos ser ingênuos, pois sempre pode se ter abuso, mas pode também se ter uma fiscalização muito mais fácil. Primeiro, a pessoa não vai fazer campanha para ele e sim para a chapa dele. Isso já muda completamente a lógica. Se o teu partido tiver mais votos, você terá mais chances de ser eleito, portanto você vai fazer campanha pelo seu partido e o financiamento será coletivo também e não individualizado. Eu acho isso muito importante para dar um choque na atual mentalidade.

Agência Brasil – 22 de abril de 2011 às 11:10h
Por Luciana Lima e Ivanir José Bortot0*

*Publicado originalmente na Agência Brasil.