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Nós do Movimento e da Cultura Hip Hop compreendemos a Cultura Hip Hop, nas suas quatro vertentes, não apenas como entretenimento mas como uma forma da liberdade de expressão de ideias, um movimento de enfrentamentos as mazelas que somos postos historicamente, da conscientização de nossos irmãos e irmãs, que estão sucumbindo cada vez mais cedo ao crime, às drogas, a exploração sexual, às mais diversas violações e sentimentos humanos.

A falta de transparência na distribuição de recursos advindos da produção e o acesso intermediado por monopólios não contribuem para a diversidade musical brasileira tampouco para uma maior geração de renda dos artífices envolvidos na cadeia produtiva da música e as grandes corporações por serem sabedoras que os grandes provedores desta discussão e enfrentamento são estes mesmos militantes, estão também cooptando estes fracos de analise de conjuntura com o oferecimento das maravilhas do capital.

Vivemos um momento de definições do que é acesso, produção e distribuição da música.

As novas tecnologias, atualmente por terem a capacidade de ampliar as possibilidades de democratização da comunicação, da música e do conhecimento, atravessam um processo de ataques institucionalizados de diferentes setores que acirram a vigilância e o controle sobre o ambiente digital. Leis que regulamentam a circulação de conhecimentos e de propriedade intelectual são cada vez mais rígidas e engessam, por sua vez, as possibilidades criativas, com nítidos objetivos de determinar o que será consumido como cultura.

Nossos combatentes de outrora sofreram com ausência do estado na garantia dos direitos fundamentais e da seleção natural dos que podem em detrimento dos que não podem estão sendo cooptados, comprados com a ilusão do bem estar continuo e interminável e com isso não avaliam a atual conjuntura no cenário musical e os seus debates, em que valores como colaboração, flexibilização das leis de direito autoral, generosidade intelectual, ativismo, troca, criação livre, licenças livres, redes sociais digitais e produção compartilhada estão e serão elementos discutidos enquanto novas possibilidades que integram a produção musical e desenvolvimento local.

Deveriam estes serem os braços, pernas e mentes pensantes e representantes um momento único de re apropriação da música, arte, tecnologia e comunicação colaborativa, por todos e todas e principalmente para aqueles que até agora foram excluídos do acesso à criação, produção e apreciação da música.

Na integralidade que permeia o ser humano, a expressão cultural é uma necessidade humana que muitas vezes é negada ao excluído. Ao afirmar que cultura é um direito humano, assinalamos que a Cultura Hip Hop não é apenas uma ferramenta que sirva para chegar a algum lugar, mas que é tão fundamental quanto o direito a expressão política livre ou o direito a educação. Impele-nos também a buscar ações e atividades que expressem de forma concreta esta afirmação.

Vimos atônitos a industria fonográfica brasileira, mas com a (in) gerencia dos estadunidenses e grandes corporações, cooptando vários nomes da nova geração do elemento MC (digo o Rap) da Cultura Hip Hop, atualmente os meios de comunicação de massa vem potencializando uma nova vertente de “Jaba” o “Jaba editorial” sempre na perspectiva de organizar de forma estratégica mais uma invasão cultural e com ela a destruição de dentro para fora da essência cultural e a bola da vez à algum tempo é a Cultura Hip Hop, que historicamente vem puxando o bonde da denuncia e do enfrentamento às violências institucionais na figura da violação por parte do estado de nossos direitos garantidos pela Constituição Federal do Brasil.

Percebemos uma ação arquitetada pelos grandes empresários, os mesmos que vão na contra mão de uma economia da cultura, uma outra economia justa e solidaria, que o artista não tenha que se vender para galgar seu, também justo, reconhecimento financeiro e de um publico qualitativo, aqueles que são os verdadeiros consumidores deste produto musical, visual e estético, a questão é gradativamente transformar o Rap Nacional Brasileiro numa reprodução do que acontece nos Estados Unidos da América do Norte, um Rap Nacional Brasileiro “Made in Brazil”.

Obras muito bem produzidas mas com um conteúdo sem qualquer chance de conscientização, educação e desprendido politicamente de todas as possibilidades de enfrentar as mazelas que ainda vivemos no dia a dia, o genocídio continuo das juventudes (especialmente as de etnias de matriz africana, nativos Brasileiros e nordestinos), sempre orquestrados pelo aparato estatal policialesco, educação de péssima qualidade, a saúde em coma em estado terminal, transporte de ma qualidade e alto valor da tarifa com o nítido objetivo de inviabilizar a mobilidade dos sujeitos periféricos, entre outros que se formos enumerar aqui serão paginas e paginas de estatísticas, números que fundamentam o porque do Rap Nacional Brasileiro continuar sendo nossa voz nas mídias impressas, radiofônicas e televisivas e agora por meio das redes sociais na internet como elementos contestadores de tudo que esta de errado na nossa corrupta administração publica.

A dita nova escola da Cultura Hip Hop, essa geração que nasceu nos meados de 1980, que esta na puberdade criativa e que não vivenciou os desafios de ocupar espaços para expressão sócio-politica e cultural a base de borrachadas e gás lacrimogêneo, opressão e violência descarada da policia e do estado que não queria ver a juventude recriando ações como as das décadas de 60/70/80, esta geração “hípsilon”, que pegou o file, que não passou pelo osso, essa geração que tem acesso as tecnologias, centros culturais e estúdios bem equipados não estudaram a historia do Movimento Social Cultura Hip Hop, devem assistir mil vezes o DOC do nosso companheiro DJ Guinho, que assina a direção do documentário “Nos Tempos da São Bento”, onde muitos dos percussores do movimento hoje Cultura Hip Hop mostram o processo de luta para preparar, ladrilhar a avenida para estes que estão desconstruindo a historia, indo contra aqueles que lutaram para construir uma historia dentro da historia do Hop Hop em São Paulo, como aponta o DJ Guinho.

Esta New Schooll, como gostam de serem chamados estão abraçando uma ideia de status quo que vai suga-los ate o bagaço e depois joga-los fora, vai descontextualiza-los de suas raízes e na sequencia abandona-los a própria sorte e estaremos perdendo mais uma geração de ativistas e ganhando uma geração de alienados em uma realidade farisaica de consumode grifes, boas bebidas e putaria, a exemplo da cena estadunidense na musica Rap.

           

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