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É uma forma de dominação da burguesia, enquanto que os direitos e as leis proclamados para todos têm caráter puramente formal e fraudulento, porque, nas condições da existência da propriedade privada, faltam os meios sócio-econômicos que assegurem sua efetiva aplicação. Com esta democracia burguesa pode-se criticar a um e a outro na imprensa, em diversas reuniões ou no parlamento, pode-se criticar um partido ou um governo que chega ao poder, pode-se tagarelar tudo o que se quiser, mas não se pode mudar nada; as pessoas se vêem obrigadas a limitar-se somente às palavras, já que o poder econômico e político capitalista, com todo seu aparato, está pronto a lançar-se, como uma fera, contra quem se levantar, com atos, contra a classe dominante, contra a oligarquia financeira. Recordando o rigor com que a burguesia francesa castigou os operários depois da insurreição de junho de 1848, F. Engels escrevia:

“Era a primeira vez que a burguesia mostrava claramente a que insensatas crueldades de vingança é capaz de chegar tão logo o proletariado se atreve a enfrentá-la como classe independente com interesses próprios e reivindicações próprias”.
Por acaso, podemos qualificar de “democracia” a forma de poder da burguesia, que se apóia no princípio da submissão da maioria à minoria? Não, em absoluto. É uma democracia somente nas aparências, que não traz nenhuma vantagem às massas do povo. Esta “democracia” não assegura ao povo nenhuma liberdade verdadeira, não faz com que o país se torne independente dos outros Estados, política, econômica e militarmente mais poderosos. Isto ocorre porque este tipo de democracia está ligado com outras “democracias” capitalistas mais poderosas, que lhe impõem sua vontade própria. O capital, nacional ou internacional, impõe às amplas massas trabalhadoras sua vontade, seus desejos e seus pontos de vista. Quando nos países capitalistas e revisionistas alguma coisa é apresentada como vontade das massas trabalhadoras, é preciso compreender que, na realidade, por trás dela, está a vontade da aristocracia operária.

Apesar da gritaria da oposição no parlamento, os preços sobem, a vida se corrompe e degenera, os assassinatos e os roubos a mão armada na rua, os sequestros de pessoas, de dia e de noite, se tornam cada vez mais inquietantes.

As leis que são aprovadas pelos parlamentos burgueses e revisionistas expressam a vontade das classes dominantes, e defendem seus interesses. Estas leis beneficiam os partidos do capital, que constituem a maioria no parlamento. Apesar da gritaria da oposição no parlamento, os preços sobem, a vida se corrompe e degenera, os assassinatos e os roubos a mão armada na rua, os seqüestros de pessoas, de dia e de noite, se tornam cada vez mais inquietantes. Este caos e esta confusão, esta liberdade dos malfeitores para perpetrar crimes são qualificados pelos capitalistas e revisionistas como “democracia verdadeira”! (….)

São supérfluas as explicações para demonstrar que a participação no poder de muitos partidos burgueses, capitalistas, revisionistas e fascistas nos países capitalistas e imperialistas, como nos Estados Unidos, entre outros, não transformou, em absoluto, suas sociedades reacionárias em progressistas. Pelo contrário, no imperialismo, a democracia experimenta uma viragem para a reação. Não é progressista, nem democrática, a sociedade que defende o regime de exploração e nele se apóia”.
Mikhail Ivanovich Kalinin

O Marxismo e o Trabalho Criador

”Para ser marxista é preciso impregnar a teoria de vida, é preciso vincular o trabalho cotidiano à teoria. Ser marxista é ser criador.

E que quer dizer ser criador? Que diferença há entre o artesão e o criador? A mesma que existe entre um artista e um pintor vulgar. Tomai, por exemplo, os ícones dos pintores Vladímir ou de Súsdal. Todos se parecem entre si; em nenhum deles achareis um rosto animado… Muito diferente é a obra do artista criador. Quando este trabalha põe toda a sua alma, mesmo que seja no trabalho mais simples, mesmo que não faça mais do que tecer alpargatas. O artesão pode ser um magnífico artista quando põe toda a sua alma no trabalho. E por sua vez, o artista pode ser um artesão, quando não faz mais do que besuntar, quando não põe a alma em seu trabalho. E o marxismo, quando não se põe alma no que se faz, quando não se realiza um trabalho criador, quando não se toma realmente em conta o que sucede em cada momento, se converte num quase-marxismo. Se ides aplicar, nos lugares onde atuareis, o que aprendestes, de modo escolástico, em forma estereotipada, não sereis mais do que uns artesãos do leninismo. Nunca conseguireis arrastar as massas e a aplicação que façais do método marxista será errônea. O método marxista se emprega com acerto, quando, ao mesmo tempo que trabalhamos com a teoria de Marx, estudamos o fenômeno que nos ocupa. E a decisão que tomemos será em cada caso uma decisão nova. Se hoje resolvemos um problema de uma forma, esse mesmo problema teremos que resolvê-lo amanhã de outro modo, pois amanhã a situação será diferente. As situações mudam sem cessar. A História marcha. A História não está parada, mas se move eternamente para a frente. E o marxismo deve avançar constantemente junto com o movimento histórico. O marxista deve saber orientar-se com precisão. Por muito simples que seja seu trabalho, a mente do marxista deve mover-se, estudar e criar sem descanso. Vós, camaradas, acabais de terminar um curso trienal de marxismo. É completamente natural que todos vos encontreis no melhor estado de ânimo possível, dispostos a fazer com que vosso trabalho renda o máximo resultado. Pois, que melhor recompensa para o homem do que a convicção de haver contribuído com algo para a sociedade! Não existe recompensa melhor! Por mais formosas que sejam as ilusões que tenhais, a satisfação maior que podeis receber é a de saber que sois úteis. Essa convicção satisfaz plenamente o homem.

Entretanto, a juventude não pode ter passado pela experiência prática da vida, pela experiência política da luta revolucionária, pela experiência da luta entre as classes, pela experiência de direção, de conquista das massas. A juventude não possui essa experiência.

Desejaria que tivésseis essa convicção, a convicção de que para dirigir as massas é preciso inflamar-se, de que se alguém se apresenta ante um auditório sem sentir-se emocionado, com vontade de dormir, é indubitável que o auditório sintonizará com esse estado de ânimo. Digo-vos com franqueza que não há nada mais sensível do que o auditório; este é o barômetro mais sensível. Podeis falar da tribuna com uma linguagem balbuciante, mas se vos sentis emocionados, se os problemas que levantais têm importância e se na tribuna resolveis um problema, a massa também se sentirá inflamada. O que é que isto significa? Isto significa que para ganhar as massas é preciso inflamar-se com elas”.

Kalinin- Sapateiro profissional, redator do Rabochaya Mysl. Em 1905 ingressou no grupo bolchevique, ajudou a criar a Central Sindical dos Trabalhores Metalúrgicos. Por sua posição crítica em relação à Primeira Guerra Mundial foi preso e exilado na Sibéria em novembro de 1916 sendo posteriormente libertado pelo Governo Provisório, retornou à Petrogrado e participou da Revolução de Outubro.
Em 1919 passou a integrar o Comitê Central do Partido Comunista até 1938, e de 1938 a 1946 integrou o Presidium do Soviet Supremo da URSS.

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O senador AéBrio Neves (PSDB-MG) afirmou que não perdeu a eleição para um partido político, sim, para uma “organização criminosa” (falou isso sob o calor e o impacto gerado pela estrondosa corrupção no Metro$P).

O PT seria, então, uma organização criminosa?

AéBrio Neves (PSDB-MG) lançou um “factoide” e o PT reagiu com outro, seja porque levou o tema ao Judiciário, seja porque continua falando em “golpe” e “terceiro turno”. Chegou a hora de pensarmos no Brasil, na nação, nos seus mais graves e profundos problemas: gestão/governança, corrupção, violência e desigualdade. O país permanece em clima eleitoral, os protagonistas das urnas de 2014 não retocaram a maquiagem. Nenhuma manobra diferente, nenhuma análise prospectiva, nenhum realinhamento de forças, nenhuma atitude de grandeza. O diálogo anunciado pela presidente ficou no terreno protocolar, as oposições nem sequer estão pagando para influenciar o que virá pela frente. Todos parecem encantados, à espera dos frutos que virão do escândalo da Petrobras o parafuso espanou e quanto mais petistas e tucanos insistirem em forçar a chave de fenda maior será o estrago.

O Brasil constitui desde sempre (de 1500 até hoje) um dos paraísos mundiais da cleptocracia. Ainda vivemos a transição do estilo mafioso de manter a ordem para o institucional que nosso País ainda não concluiu. No plano legal muita coisa já foi feita (criação de um poder jurídico para o controle da corrupção e dos ladrões do dinheiro público, leis anticorrupção, lei da transparência etc.); o problema continua residindo na eficácia concreta de todos esses mecanismos de controle e de transparência, que funcionam muito precariamente, fomentando desse modo, dentro do Estado, a roubalheira, a gatunagem, a rapinagem, o patrimonialismo (confusão do patrimônio público com o privado) etc.

A cleptocracia (como regime político-econômico que sufoca a democracia), sem sombra de dúvida, tem como combustível as organizações criminosas. Para se saber o quanto a cleptocracia já usurpou da democracia brasileira, portanto, vale a pena passar os olhos nas nossas organizações criminosas, especialmente a dedicada à pilhagem do patrimônio público, comandada pela plutocracia (Estado governado pelo poder das grandes riquezas) que, com certa frequência, usa seu poder não só para promover a concentração da riqueza (gerando desigualdade extrema e muita pobreza), senão também para a prática de ilícitos penais (inserindo-se assim na constelação das várias organizações criminosas).

Hoje estão operando (no território brasileiro) quatro grandes organizações criminosas:

(1ª) o crime organizado dos poderes privados, que exploram particularmente a venda de drogas e se caracterizam pelo uso constante da violência (PCC, PGC, CV, Alcaeda, Narcotráfico dos morros do RJ etc.);

(2ª) o crime organizado das milícias (que exploram favelas e bairros pobres de muitas cidades); (3ª) o crime (mais ou menos) organizado que emerge de dentro das bandas podres das polícias (que praticam assassinatos, desaparecimentos, extorsão, roubos, sequestros e que também morrem amiúde) e

(4ª) o crime organizado multibilionário, composto por poderosos bandidos do colarinho branco (membros da plutocracia, da política e dos altos escalões administrativos), que eram chamados (nos EUA) no século XIX de “barões ladrões”; por meio de fraudes, proteções, monopólios e conluios licitatórios (carteis), como nos casos do Aeroporto do Pó, da Petrobras e do metrô$P, o crime organizado multibilionário está estruturado sobre a base de uma troyka maligna (partidos, políticos, e outros agentes públicos + intermediários (brokers) + agentes econômicos e financeiros) que se unem em Parceria Público/Privada para a Pilhagem do Patrimônio Público (P6).

Os crimes organizados são protagonizados, evidentemente, por ladrões (cujos escopos consistem em fazer do alheio o próprio), que se valem da trapaça e do engodo, da corrupção e da violência, para alcançarem suas vantagens (normalmente econômicas) em prejuízo de terceiras pessoas ou de toda sociedade. O Estado brasileiro, como um dos paraísos da cleptocracia, vem provando a experiência de compartilhar suas funções com as organizações criminosas citadas, que exercem ou comandam várias das suas funções (ou seja: os ladrões “estão governando” porções consideráveis do Estado).

Vejamos: o crime organizado privado como o PCC governa os presídios (mais de 90%, conforme Camila Dias, “PCC – Hegemonia nas Prisões e Monopólio da Violência”, Editora Saraiva); as milícias substituem o Estado prestando ajudas sociais às favelas e aos bairros pobres; os policiais da banda podre organizada são representantes diretos do Estado (e governam a segurança pública); por fim, o crime organizado multibilionário (incluindo o metrô$P etc.) é comandado por integrantes da plutocracia nacional ou estrangeira (que governa o Estado por meio do poder do dinheiro das grandes riquezas, que cooptam o poder político mediante o “financiamento” das caríssimas campanhas eleitorais, “comprando-o” dessa maneira).

O Brasil, como era de se esperar, sendo um dos mais pujantes paraísos da cleptocracia mundial, não ocupa boa posição no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional – 69º colocado. Já com cinco séculos de tradição, não é governado apenas por gente bem intencionada, senão também por várias organizações criminosas (repita-se: cada uma cumprindo ou comandando parcelas das funções estatais).

No que diz respeito ao papel desempenhado pelos político$ e partido$ políticos, sabe-se que (a quase totalidade deles, com raríssimas exceções), desde que foram constituídos (na época do Império), são useiros e vezeiros no desvio do dinheiro público de seus fins legítimos (o PT e o PSDB, claro, com seus respectivos mensalões bem como com os escândalos da Petrobras e do metrô$P, dão evidências exuberantes do que acaba de ser afirmado). É por meio dessas formas criminosas de exercício do poder que os políticos e os partidos (feitas as ressalvas devidas) forjam os famosos “fundos de campanha”, que pagam os serviços eleitorais, que arranjam afilhados e asseclas e que remuneram as custosíssimas campanhas marqueteiras (que transformam os candidatos e os partidos em verdadeira mercadoria de consumo).

É mais que visível, depois de 514 anos, o desmoronamento de todo nosso edifício social, político e moral, que não passa de efeito funesto e deplorável do engodo, da corrupção e das maledicências impingidos a toda sociedade pelos acelerados ladrões, egoístas e gananciosos, que buscam o lucro com os nossos males, dissabores, misérias e discórdias (reais e virtuais). O que mais nos causa estupefação, na contemplação deste desonroso quadro de monstruosidades morais, é ver como que muitos brasileiros (direta e diariamente afetados pelas nefastas consequências da cleptocracia, que é uma das formas mais anômalas de democracia) ainda se comprazem em persistir na sua indiferença e cegueira, como se o horizonte tosco e deletério desenhado para nosso país fosse decorrência de uma lei implacável e irremovível da natureza ou algo despejado sobre os ombros dos compatriotas como punição de um raivoso ser sobrenatural (um daqueles deuses embrutecidos da imaginosa mitologia grega).

Estudamos um pouco mais e…

Desde Heródoto, na Grécia Antiga, o humano sonha com um governo cristalinamente democrático. Sonho nunca realizado integralmente. Para quem ostenta a fama de ser um cobiçado paraíso da cleptocracia (de sobra, autoritário e violento), um governo eficiente e honesto, desgraçadamente, nunca passou de uma utopia. Somente na literatura (ver A Cidade do Sol, de Tomasso Campanhella e Utopia, de Tomas Morus) é que vemos sociedades bem geridas onde não teríamos problemas sociais, morais e políticos. Mas é claro que lugares assim são, se não impossíveis, pelo menos muito improváveis, já que homens possuem interesses que, mesquinhos ou não, são suficientes para causar grandes desavenças e romper com qualquer possibilidade de equilíbrio em uma sociedade.

Infelizmente, para nós e para toda a humanidade desde a época de Heródoto, passando pela Idade Média (séculos V-XV), pré-modernismo (séculos XVI-XVII) e modernismo (séculos XVIII-XX), até chegar ao contemporâneo pós-modernismo, a utopia do governo democrático honesto possui uma expressão bem real e tangível de seu oposto, o governo cleptocrático, onde o Estado cumpre a tarefa de uma “máquina de extração e concentração de renda e, ainda por cima, também por meios ilegais”. Isso quer dizer que, “além da arrecadação de impostos, taxas e tributos que os Estados cobram para acúmulo legal de renda, muitos dos indivíduos que formam a máquina administrativa, insuflados normalmente por gente da plutocracia, ainda fazem uso benéfico de suas posições para enriquecimento próprio”. Não é por menos que o significado literal do termo cleptocracia seja a de um Estado governado por ladrões.

O Estado tende a se tornar cleptocrata (segundo a tal Ciência Política) na ausência de manifestação da sociedade, alguns intelectuais afirmam que o capital social da sociedade é forte elemento para impedir a instauração de tal governo cleptocrático. Não encontrando obstáculos sociais (reação enérgica da sociedade civil, que continua inerte e indiferente), a cleptocracia avança e o resultado mais nefasto acontece quando ela substitui ao Estado de Direito, ou, pior, o utiliza indevidamente (o que podemos chamar de Pilhagem), para se apropriar do poder e do dinheiro público, como se fosse patrimônio privado (patrimonialismo). O estágio último (já alcançando píncaros inimagináveis) dessa degenerada construção societal e estatal se aperfeiçoa quando se concretiza a captura do sistema público governamental pela junção da corrupção política com a econômica (empresarial) que meio de doações legais, que se transformaram, como se vê, em instrumento de lavagem de dinheiro sujo.

Quem garante que os demais partidos políticos não receberam as mesmas propinas por meio dessas doações declaradas ao TSE? Isso é o que significa o uso indevido do Estado de Direito para a pilhagem do patrimônio público (uma pilhagem dentro da lei) ou seja, o dinheiro sujo circula por dutos paralelos (caixa 2), sendo parte dele depositada em contas no exterior, o que só comprova a nossa qualidade degradante de paraíso da cleptocrática, onde os partidos políticos indicam diretores para as grandes empresas públicas, com o fito de forjarem os abjetos “fundos de campanha”.

Bem poucos são os que confidencialmente e nas conversações particulares (reservadas) não reconhecem e confessam a situação deplorável a que chegou nosso paraíso da cleptocracia, governado não só por gente de bem, senão também por ladrões e organizações criminosas de todas as estirpes e colorações ideológicas e partidárias. Mesmo assim, muitos ainda continuam a se prestar de instrumento (por ação ou por omissão, que nesse caso significa conivência) para a perpetuação do exercício dessa infernal política falaz e perniciosa praticada diuturnamente por ladrões sem consciência e amor à pátria, à nação. É bem provável que o despotismo de uma causa tão mesquinha acabe por amortecer nos corações dos que o sofrem o brio da independência, da luta, do grito de libertação, que emergiria inconteste e retumbante de todas as gargantas se elas fossem alimentadas pelo fogo do patriotismo e do amor pela construção de uma verdadeira e decente nação. Nosso grito de libertação (se acontecer) tem que ter destino certo:

(a) tolerância zero com os políticos corruptos (cassação imediata dos que comprovadamente praticaram corrupção);

(b) rígido controle da coisa pública, que inclui punições severas (dentro do Estado de Direito) a todos os bandidos do colarinho branco;

(c) o fim da reeleição para cargos no executivo;

(d) o fim do político profissional (limitação de mandatos no legislativo);

(e) o fim do financiamento público de campanha e

(f) reforma politica Já

Bob Controversista

Bob Controversista

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A Cultura Hip Hop em Movimento Social surge, aqui no Brasil, e sobre tudo nos Estados Unidos da América – USA, em um contexto de efervescência política, na perspectiva da discussão étnica racial e de enfrentamento ao racismo (fortemente influenciadas por grandes pensadores e militantes da envergadura de Malcolm X, Martin Luther King Jr, Black Panters, Marcus Garvey, Frantz Fanon e etc) e seus tentáculos nas mais diversas violências, neste sentido sua militância vem acumulando de forma significativa uma grandiosa quantidade de tecnologias sociais de enfrentamento programático, sistemático e sistematizado ao racismo e à construção e efetivação de políticas públicas que garantam não só acesso aos bens e serviços, mas também à dignidade do povo preto e pobre do Brasil, fazendo e multiplicando a discussão sobre ações afirmativas de reparação de perdas e invisibilidade no que diz respeito a questões como mobilidade, trabalho, emprego, educação, moradia, habitação, lazer, esporte, religião e sobre tudo às culturas.

A razão da política e suas ações afirmativas, segmentadas na perspectiva étnica racial estão mergulhadas na história do nosso país e muito presente em todas as ações dos quatro elementos da Cultura Hip Hop em Movimento Social, porém, ainda é muito fácil fazer valer-se de argumentos que questionam a incapacidade do Estado de fornecer educação de qualidade e para todos a fim de posicionar-se contra as cotas, bem como permanecer inerte na busca de uma sociedade mais justa, solidária e educadora, de fato e de direito.

As políticas públicas para os ditos afrodescendentes (prefiro pretas e pretos) se fazem necessárias porque a eles não foi dada qualquer oportunidade de ascensão social e seu consequente crescimento e desenvolvimento igualitário em relação a raça branca e seus descendentes pós-escravidão. Os pretos e pretas foram, além de escravizados, estigmatizados e colocados à margem da sociedade e da participação como protagonistas na condução de suas vidas e do país. A seus descendentes não foi proporcionada nenhuma possibilidade de franco crescimento intelectual que ficou reservado, até então, aos brancos. Para os campos sociais o governo desenvolve outros programas, como deve ser de conhecimento de todos. Aos nativos brasileiros (chamados também de índios) o governo trabalha com ações de demarcação de terras, que é o que culturalmente lhes é proporcional e reivindicado por eles próprios, o que não quer dizer que a eles não seja atribuído e dada a oportunidade de participação em sistema de cotas para ingressar em uma faculdade, se assim desejar um indígena.

As cotas aos invisibilizados, discriminados e marginalizados (no pejorativo da palavra) aí reside o fundamento das cotas raciais ou ações afirmativas. Os brancos de hoje não irão pagar pelos erros de seus ascendentes, mas é o Estado que deve e irá implementar gradualmente as políticas de afirmação voltadas aos pretos e pretas do Brasil, o que não quer dizer que os brancos não poderão reivindicar melhorias e mais vagas ao ensino superior e neste processo a militância da e na Cultura Hip Hop em Movimento Social tem papel fundamental, juntamente com o Movimento Negro Unificado – MNU, entre outros seguimentos de luta por igualdade. Os pretos e pretas no geral não conseguem da mesma forma que os brancos ingressar em uma faculdade pública, porque, como já foi dito, isso é uma questão cultural histórica em que o acesso a um ensino de qualidade, emprego, trabalho e renda sempre esteve economicamente ao lado dos brancos, e os pretos e pretas, por sua vez, sempre estiveram à margem da ascensão social.

O dia em que as fotografias dos álbuns de formatura estiverem mais coloridas e até mais inclinadas para os pretos e pretas, como bem pontuou a subprocuradora da República Dra. Deborah Duprat em seu pronunciamento no STF, e o dia em que brancos, pretos e pretas estiverem em pé de igualdade, as cotas deixarão de existir. E não sou eu quem lhes assegura isso, mas a nossa brilhante Constituição Federal que, no dia de hoje, reafirmou, via STF, a legalidade das cotas raciais que convergem com preceitos fundamentais.

Desmantelados todos os demais argumentos e até mesmo os de cunho racista contrários ao sistema de ações afirmativas, um argumento ainda persiste incansavelmente: o da desigualdade social que independe de raça/etnia e que, entre eles, o sistema de cotas por não alcançar os brancos pobres são injustos. Pra quem ainda não entendeu, as cotas são étnicas raciais e não sociais. As políticas de afirmação para pretos e pretas introduzida a cerca de oito anos nas universidades brasileiras, inaugurada pela UnB, objetiva extinguir a disparidade histórica entre pretos, pretas e brancos e equalizar, guardadas as proporções, a presença das diferentes etnias/raças na participação de postos de trabalho intelectuais, de maior prestígio social. Para os desfavorecidos econômicos, independente de etnia/raça, existe o PROUNI, que, diga-se de passagem, é um excelente plano de governo.

Aos racistas enrustidos, opressores e aproveitadores que comparam o sistema de cotas com o nazismo hitleriano nós só temos a lamentar e repugnar parafraseando a Dra. Indira Quaresma, advogada da Universidade de Brasília, dizendo que o sistema de cotas retira-nos, nós negros, do secular campo de concentração da exclusão e coloca-nos nas universidades, caminho do conhecimento, do crescimento intelectual, profissional e da mobilidade social. Ao contrário do nazismo que, como ela bem disse, retirou judeus, negros e homossexuais das universidades para conduzi-los aos deploráveis campos de concentração nazistas.

O que assistimos nos dias 25/04 e 26/04 na TV Justiça foram votos de ministros (ainda que eu tenha ressalvas em relação a alguns, como Gilmar Mendes, p. ex.), todos eles sem exceções, comprometidos com uma nação que se pretende justa e solidária, livre de preconceitos e desigualdades. Foi um julgamento de uma ADPF que representa um divisor de águas para a sociedade brasileira no que tange a questão racial, caminhando para um futuro de um Brasil mais democrático e cada vez mais maduro. A Cultura Hip Hop em Movimento Social escreve a partir da verdadeira práxis revolucionaria estas linhas de ação pautando os Estado e seus dirigentes, seguimos na luta já que a muito a que se avançar. “Ousar lutar, ousar vencer e venceremos”

Bob Controversista

  • Presidente na Associação Cultura e Educacional Movimento Hip Hop Revolucionario – MH2R
  • Presidente Estadual do Instituto Ganga Zumba
  • Setorial de Cultura UNISOL São Paulo
  • Coordenador do Ponto de Cultura com P de Protagonismo – Guarulhos
  • Coordenador da Casa da Cultura Hip Hop de Guarulhos e do Alto Tiete
  • Membro do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial – COMPIR Guarulhos
  • Membro do Conselho Gestor do Programa Juventude Viva – Guarulhos
  • Articulação da Rede das Casas da Cultura Hip Hop do Estado de São Paulo
  • Membro da Nação Hip Hop Brasil

O processo de desenvolvimento da crise do modo de produção capitalista, em sua fase terminal, o imperialismo, assume contornos dramáticos, principalmente nos países centrais do sistema este entre outros temas foram imensamente discutidos no XVIII Festival Mundial da Juventude e Estudantes em Quito – Equador, evento que contou com a presença de mais de 15.000 pessoas de 88 países em 06 dias de atividades.

A delegação do Brasil contava com 42 delegados de varias partes do País e dentre elas estávamos nós Bobcontroversista – MH2R (Guarulhos), Toni C – Nação Hip Hop Brasil (São Paulo) e Oráculo Nação Hip Hop Brasil (Rio Claro) militantes da Cultura Hip Hop, Economia Solidaria e Direitos Humanos, que no Festival fundamentavam a luta da práxis diária destas frentes de luta, um diferencial em relação à grande maioria de intelectuais presentes no festival, já que os mesmos não apresentavam praticas de enfrentamento ao imperialismo e seus tentáculos opressores espalhados pelo mundo, nosso debate se pautou sempre na radicalização da democracia com ações na base, tendo como estratégias o desenvolvimento de uma outra economia (que já acontece), ou seja, as praticas da ECOSOL, a defesa intransigente de direitos humanos e tudo isso potencializado pelos elementos da Cultura Hip Hop, cultura esta que em movimento social aplica as possibilidades objetivas de superação da mazelas impostas pelo imperialismo na medida em que de forma contra hegemônica busca hegemonicamente fechar uma cadeia produtiva através da cultura acima mencionada e desta forma, horizontal, igualitária e sem hierarquias gera trabalho, renda e educa.

A falência que se acentua na Europa Unificada, obriga a que a França e a Alemanha expropriem os países de economias mais frágeis deste mercado comum, avolumando a miséria, o desemprego e todas as torturas do trabalho para o proletariado urbano e rural dessa região. A paralisação do governo dos EUA pelo impasse orçamentário entre as casas legislativas e o executivo comandado pelo presidente Obama é episódio recente dessa crise. A crise se desenvolve na principal potência imperialista, sendo possível prever uma nova onda de pauperismo naquele país.

Os EUA enfrentam graves acusações de espionagem, não só contra outros países, como o bloco dos BRICS, mas também internamente. Situação que se agrava com as manifestações contra a quebra da soberania das nações e o atentado contra os direitos humanos pelas organizações de informação e contra-informação, tendo à frente a NSA (National Security Agency) e outras.

Seguindo o exemplo da presidenta Dilma Rousseff que denunciou energicamente esse tipo de ingerência durante a última sessão da Assembléia das Nações Unidas, a Comunidade Européia, em recente encontro, aprovou uma resolução visando a adoção de tecnologia de informação independente das empresas estadunidenses.

A crise do capital deve ser definida como uma crise de transição no modo de produção, pois transcende a condição de crise dentro dos limites estruturais do capitalismo. A crise se manifesta em conseqüência da Lei Geral da Acumulação Capitalista através dos ciclos econômicos industriais, da superprodução em contradição à superpopulação relativa, configurando a disfunção entre produção, consumo e circulação, implicando a perda de dinamismo, impedindo a acumulação ampliada e gerando a crise de realização, visíveis na tendência decrescente da taxa de lucro, indicando a crise geral do modo de produção.

As saídas dentro do próprio sistema se revelam cada vez mais limitadas, promovendo com mais intensidade o sofrimento das massas pauperizadas pelo desequilíbrio na composição orgânica do capital, na proporção em que o capital constante (trabalho morto, meios de produção) cresce em relação ao capital variável (trabalho vivo, força de trabalho). A crise ultrapassa as fronteiras do modo de produção capitalista na medida em que revela o esgotamento das forças produtivas, visível na incapacidade da ciência burguesa em desenvolver teorias capazes de ultrapassar os limites à ampliação da exploração da força de trabalho, no esgotamento do capital como trabalho objetivado, na medida em que altera a acumulação de bens sob o estatuto da propriedade privada e, por fim, observa-se ainda o esgotamento da força de trabalho humana como potencialidade produtiva com a ampliação do gigantesco exército industrial de reserva.

Quais são as consequências que advêm dessa situação? O “crescimento” perto de zero empurra cada vez mais as nações centrais para o parasitismo financeiro. A especulação financeira se sobrepõe ao capital produtivo. A erosão do valor, em decorrência do aumento da composição orgânica, é intensa nos países centrais, ampliando a extração de mais-valia na periferia do sistema e sua concentração no centro do capitalismo. Assim, as fortes tendências de queda do sistema produtivo e pletora do capital fictício operam em relação ao crescimento das camadas que compõem o exército industrial de reserva, atuando negativamente sobre o exército ativo de trabalhadores.

Sem a bipolaridade mundial (capitalismo X socialismo), a ação das oligarquias financeiras internacionais naturalizou o darwinismo econômico e o malthusianismo social. Na medida em que a falência do sistema político burguês se aprofunda, intensifica-se a repressão em todos os níveis e de todas as formas sobre a população, além da guerra, que visa o domínio das regiões geoestratégicas pelo o imperialismo. O ressurgimento do nazifascismo torna-se, perigosamente, uma opção das elites dominantes capitalistas.

Como as forças de contra tendência mais consequentes apresentam-se ainda frágeis ou em formação, cria-se espaço para as posições esquerdistas, reformistas e revisionistas, que professam um pragmatismo humanista, sem recusar, no entanto, a lógica do mundo capitalista. Da mesma forma que os grupos aferrados ao fanatismo religioso, que apesar das contradições com o imperialismo, não rompem com o sistema do capital. Com isso a ação das oligarquias financeiras é preponderante, apesar de mediada pela crise econômica, ética, moral, científica e, portanto, de valores até então inquestionáveis, o que agoniza a luta de classes, ora oculta, ora aberta. Porém, sem uma organização subjetiva do proletariado, essas forças limitam-se a lutar por bandeiras ilusórias.

As duas dimensões da crise: a econômico-financeira e a político-ideológica, que consiste nas estratégias de superação da crise levada a cabo pelas oligarquias burguesas fazem a sociedade humana projetar-se sobre o abismo da depressão econômica e do terror da guerra. No que diz respeito ao genocídio de jovens no Brasil, os dados são estarrecedores: entre 1980 e 2011, os homicídios de jovens aumentaram em 326,1%. Em 2011, mais da metade dos homicídios no Brasil era de jovens: 18.438! Um Carandiru a cada 19 horas e mais de 8 chacinas da Candelária por dia (Jornal INVERTA, n° 468, de 14/09 a 10/10/2013).

É nesse contexto que precisamos avaliar as manifestações de junho, o XVIII Festival Mundial da Juventude e Estudante e nossa participação neste momento discute de forma não academizada, mas pautada na pratica diária do devido enfrentamento, pois, as manifestações, que prosseguem de forma menos intensa atualmente, em que pese a gravidade do horror neoliberal e justeza de algumas de suas reivindicações, podem representar um processo de orquestração e teste de impacto sobre governos legitimamente eleitos e que assumem posições de contra-tendência ao imperialismo.

Não há dúvida que as reivindicações de melhores condições de vida e trabalho e a crescente percepção que o modo de produção capitalista não assegura isso para a ampla maioria da população impulsionam os dois movimentos, residindo a diferença no caráter amorfo da pauta de reivindicações das manifestações de junho, portanto sujeitas ao controle da mídia dos monopólios.

Neste sentido discutimos e apresentamos nas denuncias acima apontadas o anuncio dos modelos, a serem melhorados, de possibilidades de enfrentamento concreto de tais atrocidades, possibilidades que também discutimos e rediscutimos, porem e contudo sempre fazendo as experimentações, sempre refletindo as experimentações para agir de forma melhorada e com isso marchamos a passos largos no árduo caminho de efetivação de uma sociedade mais justa, solidaria, educadora e praticante do Comercio Justo e Solidário, no caminho da plena efetivação do Cooperativismo e do Associativismo em todas as células de convívio, seja familiar, no trabalho, na escola, nas associações (as ditas ONGs) e etc, com este discurso ganhamos notoriedade e ampliamos o debate para a efetivação de uma rede de ações concretas que vai se desdobrar em 2014 em visitas interativas de troca de tecnologias sociais em alguns países da America do Sul e da Europa, onde a #RededasCasas da Cultura Hip Hop e a Rede de Economia Solidaria e Saúde Mental, são o mote desta construção. Seguimos ousando lutar e conseqüentemente ousando vencer, pois, Ousar lutar, ousar vencer é nosso lema!

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