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BobControversista – Emanuel Vidal 1

São surpreendentes os momentos que estão ocorrendo nestes últimos dias nesta nação que tem como prerrogativa em sua bandeira estrelada a frase “Ordem e Progresso”. Do 11º andar ouvi as palavras de ordem e a marcha pelo progresso e me perguntando se todos haviam entendido a mensagem, que não há vitória sem luta, ao mesmo tempo em que fico angustiado se os mesmos não estão embalados pelo custo que nos aflige o bolso e logo isso caia no ostracismo.

Um mar de pessoas que até onde meus olhos se perdiam pelas esquinas, jovens adultos e idosos gritando, levantando cartazes, ou os punhos cerrados exigindo justiça, respeito, igualdade. No meu peito explodia um sentimento que é inexprimível, pois em 30 anos só assisti embates desse tipo na Líbia, Egito, em países que sofrem com guerras, e ditadores, mais em uma republica democrática alienada a novelas, e jornais comandados por uma meia dúzia de famílias tradicionais, isso era inimaginável.

Lembro que em 1992 uma rede televisiva que nem merece meu citar, impulsionou o impeachment do ex Presidente Collor, uma manipulação caruda com uma manifestação chamada de “OS CARAS PINTADA” que mais parecia uma micareta adolescente, sem proposito sem engajamento. Mais agora é diferente, olhos braços e vozes se misturam e não teme a repressão policial, que é tão peculiar a mesma.

Como cães de guarda Nazista ficam a espreita aguardando seu senhor Geraldo Pinalckim dar as ordens em Alemão “angreifen” “atacar” e desenfreadamente distribuem socos, ponta pés, gás lacrimogêneo, tiros com suas pistolas de numeração raspada e também com aquelas que juraram usar apenas para defender o povo. Seria utópico imaginar que um país de dimensões continentais, iria mobilizar-se em diversas capitais, cidades, e ir para um enfrentamento como esse, um chamamento que Carlos Marighela entoou a mais de 40 anos atrás, acredito em meu espirito que esse baiano de fala pesada, que apanhou e bateu deve estar extremamente feliz, assim como estou.

Estou lendo as criticas as pessoas que estão quebrando vidraças, subindo no planalto, e queimando ônibus serei sincero, e solidarizo com estes também, e apoio este tipo de ação ,pois caminhada pacifica chamam atenção mais um ônibus queimando, repercuti no mundo, nas agencias internacionais, e como nenhum governante brasileiro quer ficar com cara de ruim na gringa logo passa a remexer-se nas poltronas felpudas de se seus escritórios.

O grande problema é que eles demoram demais e acreditam que a inercia ira dispersar a força do povo, assim como forçam o esquecimento como outros casos, cito a PEC 37. “A PEC 37 sugere incluir um novo parágrafo ao Artigo 144 da Constituição Federal, que trata da Segurança Pública. O item adicional traria a seguinte redação: “A apuração das infrações penais de que tratam os §§ 1º e 4º deste artigo, incumbem privativamente às polícias federal e civis dos Estados e do Distrito Federal, respectivamente”.

Desejo Fervorosamente que este sentimento seja expurgado de todos os brasileiros, e que de forma alguma eles se (re) acomodem caso aja uma baixa nas passagens de ônibus/metro. Pois a saúde continua doente, a educação continua analfabeta, e o governo Continua corrupto.

O dia de hoje na cidade de Guarulhos será registrado na história como aquele da redescoberta das ruas por segmentos expressivos das culturas, das juventudes e dos trabalhadores e trabalhadoras. A crescente indignação da população não é tão somente com o aumento da tarifa dos transportes na cidade e em várias partes do Brasil. Trata-se da implosão de um ciclo de esgarçamento social levado às últimas consequências pelo aparato de Estado da burguesia, na tentativa de regular a vida social, através do mercado e remunerar o capital em sua crise sistêmica.

A movimentação das culturas, das juventudes e dos trabalhadores e trabalhadoras, atacados por esse ciclo, tem gerado um caldo de cultura que pode contribuir, se politizado e unificado no campo das subjetividades e da vanguarda, para movimentar o bloco contra hegemônico a partir dessas demandas que estão vindo à cena política em virtude da espoliação social que se consolidou com a imensa retirada dos direitos sociais. Além das questões imediatas que dizem respeito às condições de vida dos trabalhadores, estas manifestações trazem a tona a indignação por parte de setores populares importantes diante dos descalabros com inversões de prioridades dos governos em seus mais diversos níveis neste momento de crise.

As ruas foram tomadas nas principais capitais do país: uma parte significativa das juventudes brasileira está estreando na dinâmica do protesto, as forças políticas ainda estão surpresas com o volume das manifestações, uma parcela importante das juventudes – ainda pautada pela influência da ideologia burguesa – questiona a presença da vanguarda política (partidos), não sabendo ela que grande parte das palavras de ordem que tem movimentado, e animado, as manifestações tem origem na história de luta e resistência dessa vanguarda.

Uma etapa dessa luta foi vencida, ela não é apenas por questões que digam respeito ao valor da tarifa dos transportes. A luta, agora, é por bandeiras políticas que suspendam a zona de conforto do bloco no poder.

Precisamos entender que o cenário de convulsão social está criando uma nova pauta para o operador político. Essa pauta é clássica, na visão do marxismo, na medida em que, para entendê-la, é necessário utilizar o instrumento de análise concreta da realidade concreta.

A convulsão social se apresentou no fogo da conjuntura e está inspirando uma luta de novo tipo: trazendo trabalhadores e trabalhadoras para as ruas, avenidas, portas de palácios e parlamentos. Sugerindo ao operador político, enquanto organizador coletivo, a construção da unidade contra hegemônica no campo da esquerda revolucionária com toda a sua diversidade política; conclamando para essa luta, sem hegemonismos, os sujeitos históricos que poderão desafiar a ordem e impactar o difuso campo popular neste momento essencial da luta de classes, quando setores orgânicos à classe estão em ebulição.

O momento é extraordinário para impedir que os passos que foram construídos pelo caldo de cultura da barbárie social, alimentada pela burguesia monopolista, avancem. Precisamos na correlação de forças que nos é favorável frear a xenofobia, o chauvinismo, o reacionarismo social, enfim a manifestação do fascismo.

A juventude insiste em permanecer nas ruas; os governos estão estupefatos e claudicam na movimentação da institucionalidade burguesa; devemos tentar, através das agências contra hegemônicas, fazer avançar o freio de emergência da nossa classe contra o projeto do capital: temos que paralisar trens, metrôs, portos, aeroportos, levar os protestos para dentro dos estádios, interditar as rodovias, fechar os pedágios, ocupar terras, paralisar o serviço público, fomentar a possibilidade da greve geral.

Todo o arcabouço da luta direta deve ser usado neste momento de convulsão social. Contudo, a vanguarda política deve ter a maior preocupação com o convívio democrático com amplas camadas das juventudes e dos trabalhadores e trabalhadoras que ainda não compreendem o papel histórico que devemos ter neste momento e se colocam, ainda, no campo tão somente da indignação.

A cena política com a sua conjuntura veloz permite entender que brechas foram abertas na institucionalidade burguesa e que isso é fundamental para que possamos agir nas contradições do processo. O que está sendo decidido não é a questão do poder político que vamos ter; o que está na ordem do dia a partir do aprendizado dessas manifestações pautadas pela convulsão social, é que é possível lutar e que é possível vencer.

Essa é a lição que devemos extrair neste primeiro momento de enfrentamento político e social. Mas também entender que a institucionalidade burguesa vai tentar descaracterizar a movimentação social; os meios de comunicação se comportarão, a partir daqui, com o bom mocismo da hipocrisia cívica, ou seja, fingindo apoio para impedir a movimentação política das massas.

O papel dos lutadores sociais, neste momento, é fomentar de forma mais ampla possível a politização da luta, através das demandas massacradas pelo esgarçamento social patrocinado pelo capital. Além disso, é necessário educar os lutadores e lutadoras neste processo de luta direta, ao tempo em que é hora de desenvolver a mais profunda unidade do campo contra hegemônico para construir a possibilidade de movimentar o bloco revolucionário do proletariado nessas e noutras batalhas que virão na história do tempo presente.

1 Emanuel Vidal Membro fundador da Associação Cultural e Educacional Movimento Revolucionário BobControversista é educador popular e militante na defesa dos direitos das crianças e dos adolescente, membro fundador da Associação Cultural e Educacional Movimento Hip Hop Revolucionário e militante defensor da Economia Solidaria, Comércio Justo e Solidário e do CooperativismoImagem

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